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Arnaldo César (*)

Após o Ibope mostrar o crescimento de Haddad, Ciro Gomes começou a atacá-lo Foto: montagem com reproduções da Internet)

Na rodada de entrevistas com presidenciáveis da Rádio CBN e o site G1, na quarta-feira (dia 19), o candidato do PDT, Ciro Gomes, vaticinou: “O Brasil não suporta mais um presidente fraco, um presidente sem autoridade, um presidente que tenha que consultar o seu mentor”.

A frase foi proferida, no dia seguinte à divulgação dos resultados da pesquisa do Ibope. Aquela em que em Fernando Haddad, do PT, pulou de 8 para 19% na preferência dos 2.506 pesquisados. Como um foguete, ultrapassou Ciro que despencou para o terceiro lugar com 11%.

Os ataques de Ciro não serão os únicos. A tendência é de que nas duas semanas e meia que ainda faltam para o pleito do primeiro turno, no dia 7 de outubro vindouro, a pancadaria tome conta da eleição. Ciro não é o único que entrou em pânico. O PSDB de Geraldo Alckmin começou a viver o seu inferno astral muito antes da divulgação desta enquete.

Suas agruras vêm de longe. Desde o início oficial da campanha, ele permanece encalhado em percentuais que variam de 7 a 12. Não consegue ganhar nem em São Paulo, o Estado que governou por três vezes. O pior, contudo, é que ele vem sangrando em público, desde o momento em que a porção mais conservadora do seu eleitorado começou a migrar, por conta própria, em direção à candidatura de Jair Bolsonaro, do PSL.

O Ibope mostrou que a direita, com baixo teor de rancor, ficou órfã.

A direita brasileira – aquela de baixos teores de rancor – ficou órfã nesta eleição. Alckmin sucumbiu. Marina Silva, da Rede, entrou em parafuso. Abandonada pelos seus simpatizantes, corre o risco de formar um trio com Álvaro Dias (Podemos) e João Amoedo (Novo), os postulantes que não ultrapassam a barreira dos 3%.

Sem um candidato que o represente, Tasso Jereissati, um dos nomes mais influentes do PSDB, procurou o jornal “Estado de S. Paulo”, na semana passada, para fazer uma autocrítica em nome do PSDB. Disse com todas as letras que “o golpe foi um erro”. Três dias depois, o seu candidato Geraldo Alckmin concordou.

Na quarta-feira (dia 19) foi a vez do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso vir a público dizer que, por exclusão, só lhe resta a alternativa de votar em Haddad. Logo FHC. Já deu como favas contadas que o candidato do seu partido naufragou pelo meio do caminho.

Nem sempre quando os caciques partidários dão voz de comando são compreendidos e obedecidos, de pronto, pelos correligionários. Tomando como exemplo apenas os Estados de São Paulo e Paraná, onde o eleitorado é tradicionalmente conservador a revoada de tucanos em direção de Bolsonaro vem acontecendo há muito tempo.

Quando colocaram o ex-governador do Paraná, o tucano Beto Richa, na cadeia, no dia 14/09 passado, o desânimo tomou conta do PSDB naquele Estado. Os coordenadores locais da campanha do capitão na região passaram a rir de orelha a orelha.

Dependendo das próximas pesquisas, é muito provável que os brasileiros tentem resolver a parada logo no primeiro turno. Poderão promover a mais radical das polarizações entre a esquerda e a extrema direita da história da política brasileira.

Fernando Haddad e os estrategistas do PT sabem disso e trabalham com esta hipótese. Seguirá em frente com sua propaganda o associando a Lula, principalmente depois que o TSE rejeitou a tentativa dos aliados de Bolsonaro que pretendiam impedi o ex-presidente de aparecer no horário eleitoral do PT. É muito provável, portanto, que o ex-prefeito paulistano supere calado os ataques que receberá, especialmente, de Ciro Gomes e Marina Silva.

Na terça-feira (18/09), no mesmo programa da CBN, o petista foi gentil e obsequioso com o oponente. Recusou-se a responder aos ataques pretéritos proferidos pelo pedetista. Preferiu revelar o respeito que tem por ele e o considerou um dos grandes quadros da política nacional. Agiu dentro do figurino.

Ser elegante com os adversários é pouco. Se as eleições tomarem o caráter plebiscitário, como vêm insistindo os colunistas das Organizações Globo, é muito provável que, se Haddad ganhar por uma margem pequena de votos, irão contestar a sua legitimidade.

Não há dúvida que a polarização Haddad/Bolsonaro vai criar no processo eleitoral um clima futebolístico do tipo: Fla-Flu ou Corinthians/Palmeiras. Isso é muito ruim. O País vive a sua mais grave crise institucional deste século. Não comporta brincadeiras e tampouco novas aventuras e golpes. O ideal é que o voto fosse consciente.

Quer queira, quer não queira, o candidato petista se transformou no alvo a ser abatido. As classes dominantes e o invisível “mercado” ainda não jogaram a toalha.  FHC, Jereissati e Alckmin fazem um jogo político. Os banqueiros, empresários de peso e as grandes fortunas deste país atendem por outros sobrenomes.

Lula: “os esforços da Rede Globo já não são suficientes para conter a vontade do povo”.

Haddad não esconde de ninguém que irá punir banqueiros gananciosos que cobram juros exorbitantes. Da mesma maneira, que não esconde de ninguém que estabelecerá um controle sobre os grupos monopolistas da mídia brasileira (trata-se da chamada “Lei de Meios”).

Colocou um monte de pulgas atrás das orelhas destes poderosos, especialmente, das Organizações Globo.

Esta, como recordou o ex-presidente Lula em bilhete enviado de sua cela na Polícia Federal do Paraná, já não consegue influenciar no resultado dos pleitos, “conter a vontade do povo”. Sem voto e sem candidatos para enfrentar Haddad/Lula nas urnas, começam a tramar, na surdina, meios de impedi-los de chegar ao Planalto.

Das classes dominantes pode-se esperar qualquer tipo de vilania. Dinheiro para isso, eles têm de sobra.  É bom não esquecer também que os homens de toga continuam mandando e desmandando neste País, sempre em sintonia fina com os desejos e interesses do establishment local.

Aliás, Bolsonaro, através de mensagens tuítadas de dentro do Hospital Albert Einstein e o seu vice, o imponderável general Hamilton Mourão (PRTB) já se encarregou de criar as condições para melar o pleito de outubro.  Passaram a duvidar da lisura das urnas. Seria o terceiro golpe dentro do golpe.

O bom senso terá que prevalecer sobre o ódio e o desencanto. Os que se bandearam para a candidatura de Bolsonaro acham que agindo assim estarão dando um basta na corrupção e nas demais bandalheiras da política brasileira. Podem estar enganados.

Superar a violência, a fome e a miséria é determinante para recolocar o Brasil nos eixos. Tão ou mais importantes que o combate à corrupção.

Vencer o ódio que tomou conta do Brasil é o grande desafio não só dos candidatos que estão bem nas pesquisas, mas também de todos que ainda gostam desta Nação.

(*) Arnaldo César é jornalista e colaborador deste blog.

 

 

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3 Comentários

  1. C.Poivre disse:

    Não entendi até agora, no debate da CNBB, porquê Haddad não rebateu a tese do candidato golpista (Meireles) sobre a mentira da “herança maldita” tão difundida pelos apoiadores do golpe.
    Desemprego: as estatísticas do IBGE mostram que o desemprego foi diminuindo durante os governos petistas até atingir um mínimo histórico de 4,8% em 2014 em pleno governo Dilma!
    Economia: gráficos do Banco Central demonstram que quando os golpistas tomaram de assalto o poder, a economia brasileira estava com índices econômicos equilibrados. Haddad não sabe disto?

    http://jornalggn.com.br/blog/jose-carlos-lima/dados-do-banco-central-confirmam-que-temer-recebe-pais-equilibrado-economicamente#comment-935908

    • João de Paiva disse:

      Essa e outras dúvidas que grande parte da militância e dos simpatizantes e eleitores do Ex-Presidente Lula não foram e, provavelmente, não serão esclarecidas.

      Na improvável hipótese se ser eleito presidente da república, Fernando Haddad será ainda mais fraco e cooptável do que foi Dilma Rousseff, que mesmo reeleita e aplicando o programa do adversário derrotado, não conseguiu governar a partir de 2015.

      Ademais, para governar Fernando Haddad terá de fazer novas traições públicas ao Ex-Presidente Lula, além daquelas que temos visto ao longo deste ano. O chamado “PT jurídico-judicial” representa o epitáfio não só desse que outrora foi o Partido dos Trabalhadores, mas de toda a Esquerda brasileira. Basta ver os exemplos da França, do Equador e mesmo do Brasil atual, em que o fantoche traidor foi levado à presidência da república por meio de um golpe midiático-policial-judicial-parlamentar-militar.

      Aliás, é bom deixarmos claro que o generalato golpista já chefia TODOS os poderes da república bananeira do brazil.

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