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N segunda reportagem da série que o blog e o Diário do Centro do Mundo estão fazendo, mostramos as incoerências entre o discurso de Michel temer e a realidade da sua interferência no Porto de Santos. Reprodução.

Marcelo Auler

N segunda reportagem da série que o blog e o Diário do Centro do Mundo estão fazendo, mostramos as incoerências entre o discurso de Michel temer e a realidade da sua interferência no Porto de Santos. Reprodução.

Na segunda reportagem da série que o blog e o Diário do Centro do Mundo estão fazendo, mostramos as incoerências entre o discurso de Michel temer e a realidade da sua interferência no Porto de Santos. Reprodução.

Na segunda matéria que escrevi pelo acordo feito com o Diário do Centro do Mundo, mostramos como o discurso de Michel Temer, o  vice-presidente que exercita a Presidência após o golpe do impeachment, não condiz com a realidade. Ele tenta passar a imagem de que jamais interferiu nas nomeações políticas para a diretoria da Companhia Docas do Porto do Estado de São Paulo – CODESP. Mas não é o que registros históricos, noticiário da imprensa e testemunho de santistas mostram.

A contradição entre o que ele diz e o que realmente aconteceu surge até mesmo nas entrelinhas de um discurso que fez na Câmara dos Deputados, após o jornalista Rudolfo Lago noticiar as denúncias feitas pela então estudante de psicologia Erika Santos, ex-companheira de Marcelo de Azevedo, que presidiu a CODESP por indicação do então presidente da Câmara, Temer.

A reportagem relembra ainda a briga de Antônio Carlos Magalhães (DEM-BA), que presidia o Senado, com o presidente da Câmara. Foi ACM quem cunhou para Temer o apelido de “mordomo de filme de terror”, como noticiaram à época Andrei Meireles e Guilherme Evelin. O senador baiano, depois de almoçar com Mario Covas, então governador de São Paulo, denunciou as irregularidades cometidas no Porto de Santos na gestão de presidentes indicados por Temer e concluiu: “As coisas morais nunca foram o forte do senhor Temer”.

Esta é a uma nova reportagem da série que nos dispomos a fazer com a ajuda dos leitores que podem contribuir para os gastos que estamos tendo através da nova campanha de crowdfunding do DCM.  Outras matérias estão sendo preparadas. 

Como na matéria postada anteriormente, A PGR omitiu-se na denúncia da caixinha do Porto de Santos para Michel Temer, não reproduzirei aqui a integra da reportagem postada na manhã desta terça-feira no DCM. Publico a abertura e o link para os leitores acessarem a página do blog.

Vale, porém destacar uma parte da fala do presidente do Sindicato dos Empregados na Administração do Porto de Santos, Everandy Cirino dos Santos, 64 anos, no porto desde 73:

Da Libra,, segundo Érika, Michel Temer teria recebido  R$ 640 mil, Foto. Marcelo Auler

Da Libra, segundo Érika, Michel Temer teria recebido R$ 640 mil, Foto. Marcelo Auler

“A Libra é o cartão de visita da gestão Temer no porto. Ganhou o terminal 35, posteriormente ganhou o 37 e hoje, ainda está em pendência jurídica com a CODESP . Está sem pagar quase R$ 2 bilhões de dívidas. A Libra continua operando no 35 e 37, com pendência judicial com a empresa. Ela (CODESP)  não deveria nem manter ela operando, porque está em inadimplência pesada. A ‘rádio peão’ do porto, as más línguas. dizem que elas (empresas beneficiadas) são contribuintes, agora eu acho que no cadastro de doação (às campanhas políticas) deve ter isso aí. Temer sempre teve uma gestão de interesse político partidário com atuação no porto”.

Acrescento uma nova informação que não consta na edição do DCM:

Sidney Verde (esq.) e Everandy Cirino dos Santos, dois sindicalistas que testemunham as indicações políticas de Temer. Foto Marcelo Auler

Sidney Verde (esq.) e Everandy Cirino dos Santos, dois sindicalistas que testemunham as indicações políticas de Temer. Foto Marcelo Auler

Na verdade, não é apenas a “rádio peão”, nem tampouco são más línguas, como falou Cirino, que denunciam que a Libra ajudou eleitoralmente Michel Temer.

Em recente reportagem no Estadão, Daniel Bramatti, José Roberto de Toledo e Rodrigo Burgarelli escreveram, em 3 de janeiro último, na reportagem “Grupo doador de campanha de Temer recebe benefício de aliado em porto”.

“Mesmo sendo candidato a vice, Temer criou em 2014 uma pessoa jurídica para receber doações eleitorais e repassá-las a candidatos a outros cargos públicos, como deputados estaduais e federais. Sua conta recebeu R$ 1 milhão de dois dos sócios do Grupo Libra, arrendatário de uma área de 100 mil m² no Porto de Santos há mais de 20 anos.

O valor doado foi dividido igualmente em nome de Ana Carolina Borges Torrealba e Rodrigo Borges Torrealba, ambos herdeiros da companhia. (…) O contrato foi assinado em 1998, quando o grupo ganhou uma concorrência aberta pela empresa federal Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) para operar uma das áreas de mais fácil acesso rodoviário do terminal”.

Portanto, por mais que Temer tente vender a ideia de que não interferiu no Porto de Santos, fatos, documentos e testemunhos o desmentem e tornam esta sua “defesa”, indefensável. Aliás, voltando a repetir o que publicamos no DCM em Por que Temer negou-se a dar explicações à PF sobre caso de propina em Santos e aqui no blog –  A PGR omitiu-se na denúncia da caixinha do Porto de Santos para Michel Temer – o hoje vice-presidente, que se aproveitando do golpe do impeachment  está no exercício da Presidência da República, perdeu uma grande oportunidade de esclarecer de uma vez por todas esta questão. Abaixo a abertura da matéria no Diário do Centro do Mundo:

Como Temer operou no Porto de Santos, segundo ele mesmo e sindicalistas que falaram ao DCM.

Por Marcelo Auler

Desde que seu nome apareceu como beneficiário de propinas que empresas que operavam no Porto de Santos teriam desembolsado em troca de favores, Michel Temer, o vice-presidente que após o golpe do impeachment exerce interinamente a Presidência da República, tenta defender o indefensável.

Ele repete, com insistência, a tese de que jamais influenciou nas indicações políticas da Companhia Docas do Estado de São Paulo (CODESP), a estatal encarregada da administração do maior porto brasileiro. Mas seu próprio discurso coloca isto em xeque.

Temer insiste que as indicações para a diretoria do porto de Santos não tinham suas digitais. Quando muito, admitiu que encaminhava nomes sugeridos e aprovados pela bancada do PMDB paulista, sobre a qual ele sempre exerceu influência.

Mas, em março de 2001, ao defender-se na tribuna da Câmara dos Deputados das acusações de receber 50% das propinas pagas por empresas que atuavam – algumas continuam atuando – no porto de Santos, ele acabou por mostrar seu poder e sua influência no porto.

A acusação foi feita por Érika Santos, estudante de psicologia e ex-companheira de Marcelo de Azeredo, indicado por Temer para presidir a CODESP entre junho de 1995 e maio de 1998. Como mostrou o DCM na reportagem Por que Temer negou-se a dar explicações à PF sobre caso de propina em Santos, os problemas de alcova do casal acabaram por revelar as tenebrosas transações que aconteciam na administração portuária em Santos, como as propinas que se destinariam a Temer.

Embora ajuizada, provavelmente, em 2000, a ação e as denúncias só se tornaram públicas em março de 2001, na reportagem “Um rolo no porto”, de Rudolfo Lago, na revista Veja.

trecho do discurso que Temer fez na Câmara dos Deputados em março de 2001. Reprodução

trecho do discurso que Temer fez na Câmara dos Deputados em março de 2001. Reprodução

Na tribuna, ao tentar defender-se, Temer demonstrou que sempre teve interesses na CODESP.

O que fiz eu? Assim que saiu a matéria, fui indagado, Srs. Parlamentares, pelo repórter — portanto, a revista, neste ponto, agiu com lealdade, porque antes me ouviu —, e esclareci todos os pontos. Esclareci os pontos dos desacertos do passado e esses desacertos, geradores de queixas minhas junto ao Governo, de maneira que houvesse modificações radicais, sendo que uma dessas modificações levou à Presidência da CODESP o nosso ilustre companheiro Deputado Wagner Rossi. E esta empresa, em face das minhas queixas, ao invés de ser ocupada partidariamente por vários partidos, passou a ser ocupada apenas por técnicos”. (grifo nosso)

Continua: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/como-temer-operou-no-porto-de-santos-segundo-ele-mesmo-e-sindicalistas-que-falaram-ao-dcm-por-marcelo-auler/

8 Comentários

  1. […] de nome Rodrimar, no Porto de Santos, onde o atual presidente sempre teve interesses e foi, até, acusado de receber propinas, muito antes de dar o […]

  2. […] no blog – A PGR omitiu-se na denúncia da caixinha do Porto de Santos para Michel Temer e Temer e o porto de Santos: defendendo o indefensável, assim como nas três matérias no DCM – A PGR omitiu-se na denúncia da caixinha do Porto de […]

  3. João de Paiva disse:

    Prezado Marcelo Auler e leitores,

    Parabéns ao repórter e à equipe do DCM pela iniciativa. Como sempre, Marcelo Auler produz reportagens de primeira, realizando o verdadeiro jornalismo, que o PIG/PPV deixou de realizar há muitos anos.

    Tendo em vista o conteúdo revelador das reportagens, desmascarando o corrupto profissional e anão político e moral que michel temer sempre foi e continua a ser, sugiro que seja feita uma revisão no texto, sobretudo em relação às datas. A seguir cito um parágrafo em que parece ter havido uma confusão.
    “Aliás, Azeredo já não era o presidente da estatal. Ele foi substituído, em maio de 1988, por Paulo Fernandes do Carmo. Ambos, como também ACM fez questão de frisar, eram indicações que Temer insiste dizer que não fez. Contra Carmo também circularam muitas denúncias. Uma delas partiu justamente do Capitão dos Portos de Santos, Francisco Luiz Gallo, que Eliseu Padilha quis retirar do comando do Conselho de Autoridade Portuária de Santos.”
    Pelo conteúdo da reportagem o ano seria 1998 e não 1988. É claro que o engano pode ter sido meu, mas os fatos narrados na reportagem parecem ter ocorrido, todos eles, da segunda metade da década de 1990 em diante. Faço essas observações porque essa série de reportagens vai incomodar muitos da quadrilha que tomou de assalto o poder Executivo Federal, a começar pleo traidor-golpista-usurpador-corrupto-anão moral e político, michel temer. Como o traíra é formado em Direito, recomenda-se ao repórter uma edição cuidadosa e esmerada, antes da publicação. A série que desmascarou a PF, o MP e o sérgio moro, revelando as ilegalidades criminosas da ORCRIM da Farsa a Jato estão rendendo perseguição, censura e processos contra jornalistas. Não se pode dar colher de chá às ORCRIMs que se apossaram da burocracia estatal, assim como à quadrilha política que destituiu a presidenta legítima e hoje ocupa o Palácio do Planalto.

  4. Clécio Fitch disse:

    Excelente matéria. Jornalismo investigativo de primeira.

    Mas Marcelo, o impeachment é favas contadas. Mesmo o maior dos esquerdistas, o cara mais avesso ao estilo Temer, já percebeu que a covardia da dIUMA no trato com os golpistas e com a pf, a impede de voltar.
    É muito sofrimento pro país.

    • Marcos Souza disse:

      É curiosa a lógica dos remelentos blogueiros petistas. Como vice de Dilma, Temer era o homem mais honesto do mundo, mas bastou que ele assumisse a presidência no lugar da incompetente gerentona para que os remelentos blogueiros, repentinamente, descobrissem que Temer não seria tão honesto, não sendo digno o suficiente para assumir a presidência , mas digno o suficiente para ser o vice decorativo subordinado ao PT!

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