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O golpe que derrubou Dilma Rousseff pode ter síido pela culatra para os tucanos que estão de olho no poder. Reasce a campanha pelas Diretas Já

Arnaldo César (*)

O golpe que derrubou Dilma Rousseff pode ter síido pela culatra para os tucanos que estão de olho no poder. Reasce a campanha pelas Diretas Já

O golpe que derrubou Dilma Rousseff pode ter saído pela culatra para os tucanos que estão de olho no poder. Renasce a campanha pelas Diretas Já na qual eles terão poucas chances. Foto reprodução O Cafezinho

Quem se deu ao trabalho de ler o artigo “Triste Fim”, do ex-presidente Fernando Henrique, publicado na edição deste último domingo (dia 04), de O Globo, ficou com travo amargo na boca. Como é de seu estilo, o “Príncipe dos Sociólogos” bateu e assoprou à vontade. Como sempre fez quando governou o País, também tratou do seu partido, o PSDB, com distanciamento obsequioso, como se nada tivesse a ver com ele.

O travo deve-se às entrelinhas embutidas no sermão dominical. Pendular como um trapezista mambembe, deixou transparecer que não está satisfeito com os rumos que o governo golpista vem tomando, nas últimas semanas. Aliás, o seu “enfant gâté”, Aécio Neves, no mesmo veículo e na mesma edição, também vocalizou o desentendimento com os parceirinhos do PMDB, adotando mais contundência e menos platitude.

Com medo das reações que poderão vir das ruas, nas próximas semanas, FHC propõe o que apelidou de: “verdadeira reconstrução e diálogo não hegemônico”. De certa maneira, desafiou o PT a este entendimento. Ou seja, o golpe saiu pela culatra.

artigo FHC pós impeachmentyO descontentamento da cúpula do PSDB com os milicianos comandados por Eduardo Cunha não passa – para usar uma expressão tipicamente tucana – de nhenhenhém.  Desde a década de 90, quando chegou ao poder, FHC sabe do oportunismo, truculência, fisiologismo e voracidade do dinheiro público com que o PMDB atua na política nacional.

Com eles esse papo de “verdadeira reconstrução” não cola. A federação de partidos em que o PMDB sempre foi – depois da morte de Ulysses Guimarães – só pensa nos interesses paroquiais de seus integrantes. Está aí, o “ínclito” Eduardo Cunha que não nos deixa mentir.

Quando capitanearam o golpe contra Dilma, os tucanos imaginaram que iriam tutelar Temer e o seu patrono Eduardo Cunha. Deram com os burros n’água. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, um tucanão anfíbio acostumado a servir quem está no poder, tem dado mostras de que mais dia menos dia abandonará o barco conduzido pelos gondoleiros Cunha/Temer.

Os ideólogos do PSDB também engendram que catapultando Dilma, agora, meteriam a mão na máquina do governo, em tempo, para alavancar o retorno deles ao poder em 2018. Sabem que num novo embate nas urnas com o PT serão fragorosamente derrotados. Sem fisiologismo as urnas tendem a ser adversas.  A coisa está difícil para todo mundo.

O próprio “Príncipe” admitiu isso no seu texto. Já no último parágrafo alertou que se o tal diálogo não hegemônico não ocorrer: “novamente a insatisfação popular se manifestará nas ruas”.

Enquanto não passar por uma ampla e profunda reforma, a política brasileira continuará se norteando pela lógica de que o eleitorado sempre apostou nos candidatos majoritários para exercer o poder executivo e mandou-os buscar a governabilidade, negociando com as trinta e tantas outras agremiações. Está aí a razão das famigeradas  alianças espúrias e oportunistas no País afora. Embora tenha feito tratativas com o que há de mais esdrúxulo na política nacional, FHC, hoje, condena tal prática. Considera isso: “atraso”.

O impeachment meia bomba de Dilma, fruto da irresponsabilidade e do oportunismo da Câmara Federal, empurrou o País para uma situação de conflagração. Não serão acordos de cavalheiros entre o PT, PDSB e demais partidos de centro que irão nos tirar desta encruzilhada. Os brasileiros estão enfarados de tanto nhenhenhém.

Só uma eleição direta, agora, vai nos salvar desta temida convulsão social.

(*) Arnaldo César é jornalista

6 Comentários

  1. Raul Antonio varassin disse:

    AS PESQUISAS MOSTRAM QUE OS ÍNDICES DE APROVAÇÃO DO MICHEL TEMER CONTINUAM CAINDO,NÃO CHEGANDO NEM A 10%.E QUE O”PRINCIPE DOS SOCIOLOGOS-FHC” NÃO SE ELEGERIA NEM VEREADOR EM SÃO PAULO.

  2. C.Poivre disse:

    Depois de perpetrado o Golpe de Estado, um de seus líderes considerou “bizarra” a votação do senado:

    http://www.justificando.com/2016/09/06/dificil-e-dizer-o-que-nao-foi-bizarro-no-processo-de-impeachment-de-dilma-rousseff/

  3. Fatima Paiva disse:

    Esse fhcpodre enquanto viver será assimmmmmm. Achando’se. Ele se acha. Nem a.mher dele o aguentou, dizem que era uma mulher séria. Viver ao lado desse energumeno deve ser um sofrimento e tanto. Ele não cabe em si de tanta vaidade e maldade. Ele quer que o PT dialogue com esses abutres. .. Como? Ah não vamos permitir. E Lula inteligente que é certamente não o fará. A Dilma precisou de apoio, viraram as costas e incendiaram o país patrocinando tudo o que foi de baderna, criando instabilizacao social e econômica. Se eles mesmo ingressaram ano passado com acao para cassar a inscrição do partido do PT, não é um contra senso admitir que o diálogo entre a Estrela.lula e a noite, o mordomo golpista, sera importante para o Brasil? VAI SE CATAR FHC DUMA FIGA. FORA FHC, FORATEMERGOLPISTA. Morram….. vão pro inferno.

  4. Ana disse:

    Qdo somarem, mais do que a última passeata ” Fora Dilma” que foi maior do que a das Diretas Já…você pode dizer que saiu pela culatra. Menos,ta. Era esperar esse revolta por medo de perder seus direitos e mamatas .

    • C.Poivre disse:

      Segundo a enquete promovida pelo senado sobre a PEC que prevê eleições diretas para presidente junto com as de prefeito, recebeu a aprovação de 93% dos que a acessaram. Portanto vc está em franca minoria e o golpe saíu sim pela culatra para os golpistas tucanos que ao não se conformarem com a 4ª derrota consecutiva nas urnas resolveu apoiar um golpe onde não foram eles os beneficiários diretos como pretendiam.

  5. samuel haddad carvalho disse:

    Conforme sempre afirmei, como é possível para qualquer legenda partidária que vier a vencer eleições, governar sem se aliar com o que mais há de podre na política nacional: os herdeiros das capitanias hereditárias!

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