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Marcelo Auler

Jair Bolsonaro perdeu todas as condições para o exercício legítimo da Presidência da República, por sua incapacidade, vocação autoritária e pela ameaça que representa à democracia. Ao semear a intranquilidade, a insegurança, a desinformação e, sobretudo, ao colocar em risco a vida dos brasileiros, seu afastamento do cargo se impõe.

Seis ex-ministros de Estado, membros da Comissão Arns de Defesa dos Direitos Humanos defendem a imediata saída de Bolsonaro, respeitando-se a Constituição.

Em uma duríssima nota divulgada na manhã desta segunda-feira (18/05), assinada pelos seus seis membros, todos ex-ministros dos governos José Sarney, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, a Comissão Arns de Defesa dos Direitos Humanos defende o imediato afastamento do presidente Jair Bolsonaro. Para tal, conclama “as forças democráticas” a buscarem “com urgência, caminhos para que isso se faça dentro do Estado de Direito e em obediência à Constituição”.

A nota é endossada pelo presidente da comissão, José Carlos Dias (ex-ministro da Justiça de FHC), e ainda Cláudia Costin (ex-ministra de Administração e Reforma de FHC), José Gregori (ex-ministro da Justiça de FHC), Luiz Carlos Bresser-Pereira, (ex-ministro da Fazenda de José Sarney e ex-ministro da Administração e Reforma do Estado e ex-ministro da Ciência e Tecnologia de FHC), Paulo Sérgio Pinheiro (ex-ministro da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos de FHC) e Paulo Vannuchi (ex-ministro de Direitos Humanos de Lula).

No texto, de não mais do que oito parágrafos, a Comissão Arns ataca Bolsonaro lembrando que o presidente, ainda que imune ao coronavírus, mostra-se muito mais “imune ao sofrimento humano”.

Acusa-o ainda de manifestar “notória falta de preocupação com os brasileiros, com o risco das aglomerações que estimula, com a volta prematura ao trabalho, com um sistema de saúde que colapsa aos olhos de todos e até com o número de óbitos pela Covid-19”. Protesta ainda por suas “ironias grosseiras e cruéis”.

Aponta o apoio do presidente a posições e bandeiras antidemocráticas, especificando: “Enquanto o país vive um calvário, Jair Bolsonaro insufla crises entre os Poderes. Baixa atos administrativos para inibir investigações envolvendo a sua família. Participa de manifestações pelo fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal. Manipula a opinião pública, e até as Forças Armadas, propagando a ideia de um apoio incondicional dos militares como blindagem para os seus desatinos. Enfim, o presidente deixa de governar para se dedicar à exibição diária de sua triste figura, em pantomimas familiares e ensaios golpistas”.

Defende um governo mais democrático que ouça à maioria e não apenas as vozes mais radicais, especificando que “preocupado com o amanhã e sob o peso do luto, o Brasil precisa contar com um governo que coordene esforços para a superação da crise, começando por ouvir a voz que vem das casas, das pessoas que sofrem, em todas as partes. Não há como aceitar um governante que ouve apenas radicais fanáticos, ressentidos e manipuladores, obcecado que está em exercer o poder de forma ilimitada, em regime miliciano-militar que viola as regras democráticas e até mesmo o sentido básico da decência.”

Na sua conclusão, os membros da Comissão Arns dizem:

Só resta sublinhar o que já ficou evidente: Jair Bolsonaro perdeu todas as condições para o exercício legítimo da Presidência da República, por sua incapacidade, vocação autoritária e pela ameaça que representa à democracia. Ao semear a intranquilidade, a insegurança, a desinformação e, sobretudo, ao colocar em risco a vida dos brasileiros, seu afastamento do cargo se impõe. A Comissão Arns de Defesa dos Direitos Humanos entende que as forças democráticas devem buscar, com urgência, caminhos para que isso se faça dentro do Estado de Direito e em obediência à Constituição.”

Leia abaixo a íntegra da Nota:

O imediato afastamento de Jair Bolsonaro se impõe!

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