Lula e o risco de dano irreparável à democracia
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Fatos novos do HC de Lula: negam, mas existem
11 de julho de 2018

Marcelo Auler

Lula: “Moro e o TRF-4 deram um pote de ouro ao PT”. Foto: Ricardo Stuckert

Apesar de não ter expectativas de que ganhará a liberdade – na manhã de domingo (08/07), ao ser informado da liminar do Habeas Corpus dada pelo desembargador Rogério Favreto, do TRF-4, foi cético e previu que “não vai rolar, esqueçam!” – o ex-presidente Luiz Inácio da Silva avalia que toda a movimentação criada a partir do HC impetrado pelos petistas Paulo Pimenta (RS), Paulo Teixeira (SP) e Wadih Damous (RJ) gerou um saldo positivo.

Para ele, segundo admitiu a interlocutores que o visitaram, o resultado é “um pote de ouro para o PT na campanha presidencial” dado pelo juiz Sérgio Moro e o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

Nesta segunda-feira (09/07), após a mobilização de domingo que lotou a vigília Lula Livre em Curitiba e levou militantes às ruas em diversas cidades, o ex-presidente voltou a prever que “não será tão fácil eu sair daqui”. Mas considerou que a rejeição do juiz Sérgio Moro estará maior que a dele, com a diferença de que a sua aprovação já é imensamente maior.

O juiz curitibano, no entendimento do ex-presidente, cada vez mais está “se isolando e ficando só com os seus, parte da corporação e as organizações Globo”.

Lula defende uma vigília em frente ao TRF-4 como a que está na PF em Curitiba,. Foto: Eduardo Matysiak

 

Entende ainda que o magistrado, ao tomar a frente para impedir sua libertação, demonstrou de forma definitiva e inequivocamente clara que está fazendo política. Junto, arrasta a Justiça, que ele representa.

Para o ex-presidente, o juiz que o condenou entrou no jogo político quando veio a público para declarar que a operação Lava Jato dependia do apoio da opinião pública.

Aos poucos, porém, no entendimento de Lula, o juiz de primeira instância está sendo abandonado e se transformando em refém da opinião pública. Com isso, produz um “brutal desgaste para todos eles” (Judiciário).

Na análise fria que fez, acha que será cada vez mais perceptível que está sendo vítima. Considerou ainda que o juiz e o Tribunal de Porto Alegre “rolaram a bola para uma bela vigília permanente na frente do Tribunal em Porto Alegre”.
Missão que ele considera urgente. Quer que o PT organize em Porto Alegre uma manifestação como a que ocorre em frente à Polícia Federal, em Curitiba, desde o dia seguinte em que se apresentou para ser preso (07 de abril).

Ao se referir ao “pote de ouro”, explicou que se o partido e a militância petista souberem “usá-lo, acreditar na candidatura de Lula, juntar gente – ainda quem em manifestações pequenas – em todas cidades e rincões do país para gritar por ela, o PT voltará à presidência da República”.

Na interpretação do momento em que o país vive, conclui que o PT tem chances de retornar ao Palácio do Planalto e avalia que, contraditoriamente, poderá chegar lá “colocado por Moro, pelo desmonte vergonhoso do Estado que está em curso (sem qualquer preocupação com a opinião pública) e pelo fracasso rocambolesco da Ponte para o Futuro”, projeto político falido do governo golpista de Michel Temer.

 

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15 Comentários

  1. Isac disse:

    Este blogsta petista fala que o filho de Bolsonaro está acima da lei e o que o PR fez com o não só estiveram acima da lei, do caráter das pessoas, até achando que eram Deuses .

  2. Paulo Ribeiro disse:

    A popularidade e nome de Sergio Moro continuam do mesmo modo. A única coisa que mudou é que escancarou o Aparelhamento do judiciário pelos governos Ptistas. A única diferença entre um Ptista e um Jumento, é que um deles fala, Merda, mas fala.

  3. Michelle Guimaraes disse:

    Como pode o meu comentário ser repetido se nunca o postei antes??? Vão lamber o rabo do duende …..ah, não se esqueçam de levar o pote de ouro para subornos na cadeia.

  4. Michelle Guimaraes disse:

    Um pote de ouro cai realmente bem para o duende do pt. O excremento já tomou conta da Caixa craniana dos petistas.

  5. Valmir disse:

    Esse povo petista comedores de capim vijam na maiosese de mortadela

  6. Reinaldo disse:

    O autor esquerdista desta matéria reproduz algumas palavras do CRIMINOSO PRESO: “…no entendimento do ex-presidente, cada vez mais está “se isolando e ficando só…”
    Não se sabe, ainda, se o autor sonhou que o presidiário tenha gritado isso pela janela pra alguém ou se ele simplesmente escreveu momentos antes de alguém dar a descarga e ele descer bueiro abaixo.
    O que se sabe é que Moro tem ao seu lado quase 200 milhões de brasileiros honestos ao seu lado, ou seja, “quase ninguém”…

  7. Ademir disse:

    Um comunista tem que estar na cadeia antes de todos os corruptos, pois não amam a liberdade, nada mais justo!

  8. Evandro da Silva Campos disse:

    Depois de ler um texto enorme deste, só ficou um entendimento: Lula preso pra sempre.
    O Brasil não pode retroceder, pois está atolado até o pescoço na corrupção e soltar sua quadrilha e este saqueador de cofres públicos séria uma afronta à nação.
    O povo brasileiro não só apoia o juiz Sérgio Moro, como apoia qualquer um outro que combate a corrupção.
    É melhor essa ptrelhada Jair se acostumando pois em outubro o Bolsonaro será eleito presidente do Brasil.

  9. Gustavo Figueiredo disse:

    Entre tantos fatos ,uma verdade: Lula ladrao.

  10. Chris disse:

    Eu não sei em que mundo essa gente vive…
    Esse verme repulsivo chamado Lula só pode ser doente mesmo se acha que algum dia voltará a ser presidente.
    Eu tenho nojo de vocês petistas imundos, vocês são a escória da humanidade.

  11. Schneider disse:

    Texto sem produtividade , eh um retrocesso esse artigo , dando ênfase a um presidiário , e fazendo comparação com magistrado a justo e soberano …

  12. GOPI disse:

    LUGAR DE LADRAO É NA CADEIA #LULAPRESO

  13. João de Paiva disse:

    Se se usar o jargão futebolístico, ao qual o Ex-Presidente Lula sempre recorre para explicar temas complexos, mas com linguagem simples e coloquial, podemos dizer que:

    1ª) – Os deputados petistas (dois deles advogados, outro jornalista de formação) marcaram um “gol político” importante;
    2ª) – Como as sábias e experientes palavras do Ex-Presidente Lula deixam transparecer, a eficácia jurídica ou para livrar o Ex-Presidente Lula do cárcere na solitária curitibana é NENHUMA;
    3ª) – Mais importante que o dito é o subentendido nessas palavras de Lula, que sabe que os tais “deputados guerreiros” impetraram esse pedido de HC no TRF-4 exatamente quando o legalista/garantista, desembargador Rogério Favreto, era o juiz de plantão – nessa mamata de férias forenses que chegam a três meses, o triplo e de um trabalhador comum, sem os privilégios da casta jurídica ou parlamentar – muito mais de olho na reeleição deles, deputados, para mais uma legislatura, do que realmente interessados que estariam na libertação do Ex-Presidente da República.

    Quem acompanha atenta e criticamente a atuação desses “guerreiros” e do jogo de “telecatch” (apud Romulus Maya, do Duplo Expresso) que eles encenam juntamente com a quadrilha lavajateira, não se engana com esse teatro e falsa indignação. Se estivessem mesmo interessados em defender o Ex-Presidente Lula, esses deputados “guerreiros” não teriam desprezado a prova documental de crimes cometidos por Sérgio Moro, divulgada pelo Duplo Expresso, em janeiro deste ano, antes da 8ª gangue do TRF-4 prolatar essa absurda e abjeta condenação do Ex-Presidente Lula. O advogado Rodrigo Tacla Durán, em depoimento a CPI da JBS e em depoimento aso advogados de defesa do Ex-Presidente Lula, registrado por um notário público, deixou claro que os procuradores lavajateiros haviam marcado uma oitiva clandestina com ele, Tacla Durán, em 4 de dezembro do ano passado. Tacla Durán mostrou provas de que recebeu a convocação para depor e compareceu no dia, horário e local marcados para a audiência; mas os procuradores criminosos da Fraude a Jato não compareceram, pois se o fizessem deixariam mais uma prova material do crime, além daquele documento do MJ brasileiro ao sistema judiciário da Espanha. Mais ainda: Tacla Durán apresentou provas do pedido de suborno que lhe fizeram o advogado Carlos Zucolloto Júnior, amigo e compadre do casal Sérgio e Rosângela Moro, e procuradores lavajateiros do núcleo curitibano. Em vez de denunciar esses crimes dos lavajateiros, os tais “deputados guerreiros”, juntamente com certa “blogosfera”, partiram para o ataque e assassinato de reputação dos jornalistas responsáveis pelo Duplo Expresso (Romulus Maya e Wellington Calasans).

    Quem matou essa xarada foi o cientista João Feres Júnior, d e que reproduzo a arguta análise.

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    A batalha (que não houve) sobre o HC de Lula

    por João Feres Júnior

    Eventos críticos como os ocorridos nesse domingo, dia 8 de julho de 2018, são cruciais para revelar o nível de politização a que a grande mídia brasileira chegou. Em períodos de polarização política, como este que atravessamos desde 2013, eventos críticos tendem a gerar controvérsia, palavra que significa literalmente oposição de versões, isto é, diferentes pontos de vista. O evento de ontem foi um caso exemplar. Perante a dissonância interpretativa, como se comportou a grande mídia? Vejamos aqui dois exemplos bastante significativos que não pertencem ao rol de meios examinados pelas análises do Manchetômetro.

    Matéria na Band News no dia 9 de manhã comentando a batalha jurídica em torno da liberação de Lula que se travou no dia anterior. O âncora descreve o ocorrido, de maneira a dar entender que o presidente do TRF-4, Flores, terminou com a “confusão”. Daí ele parte para ouvir opiniões de especialistas. Primeiro fala um jurista que diz que o desembargador plantonista Rogério Favretto não pode reverter decisão da própria corte e que somente o STJ poderia decidir sobre um habeas corpus para Lula. Em seguida, outro jurista declara o contrário – que o plantonista pode sim decidir dessa maneira, mas que ele não pode estar movido por motivo ideológico, como estava Favretto. Aí a Band News abre seus microfones para ninguém menos que Janaína Paschoal, que com seu estilo já bem conhecido, desanca a decisão de Favretto. Por fim, volta o âncora dizendo que a defesa de Lula não aceitou a decisão do presidente do TRF-4, que cancela o ato de Favretto.

    É difícil conceber cobertura mais enviesada. Nenhum dos agentes que defendeu a soltura do petista foi ouvido pela reportagem da Band News, juristas com posição favorável ao habeas corpus tampouco. Um dos juristas entrevistados, o que desqualifica o procedimento de aprovação do habeas corpus por Favretto, atuou como promotor da Lava Jato. O outro desqualifica Favretto, acusando-o de ideológico, um argumento bastante estranho pois se generalizado, desqualificaria boa parte dos juízes brasileiros, inclusive vários ministros do STF. Não bastasse essas duas fontes bastante desequilibradas para um lado da controvérsia, a Band News conclama o auxílio luxuoso de Janaína Paschoal, cujas credenciais e modus operandi dispensam comentários, mas que vale anotar, tem posição extremamente parcial na controvérsia, como era de se esperar.

    Perante esse estado de coisas, cabe a pergunta: onde está o outro lado? A resposta é simples: ele aparece muito brevemente quando os advogados de Lula são nomeados, mas não ouvidos, e só. Advogados são parte; eles têm o dever profissional de defender seus clientes. Portanto, não contam como opiniões advindas da sociedade usadas para exemplificar as posições em torno de um evento. Vamos ao outro exemplo.

    Enquanto se desenrolavam os acontecimentos, no período da tarde, o UOL, portal noticioso de propriedade do grupo empresarial da Folha de S. Paulo, estampava no topo do site foto do ex-presidente Lula com chamadas para cinco matérias. A foto em si continha a legenda “Relator não solta Lula”. As outras três matérias cujas chamadas estão ali são impressionantes. A primeira tem o seguinte título: “Para Moro, juiz é incompetente”. O texto dá a palavra a Moro para desqualificar a decisão do desembargador Favretto. Em seguida, vem reportagem em que a palavra é dada a membros do MPF envolvidos na Lava Jato, que fazem o mesmo. A próxima matéria tem a seguinte chamada: “Marun: Lula não pode ser candidato”. O entrevistado agora é o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, que já havia dado declaração idêntica quando da decisão do TRF4 de rejeitar os embargos de declaração do ex-presidente, em março deste ano.

    Por fim, o UOL coloca a chamada para a matéria intitulada “Políticos comentam a decisão”. A estrutura do texto é bastante simples. Ela consiste em uma lista alternada de políticos, uns a favor e outros contrários ao habeas corpus de Lula. Há uma exceção, contudo, ao rol de políticos elencados na matéria: o líder do MBL Kim Kataguiri. Todos ali têm ou tiveram mandato, menos ele.

    Temos aqui mais um exemplo de viés pronunciado, acompanhado de silenciamento de vozes discordantes. É preciso entender a estratégia de apresentação da opinião adotada por essas mídias para ter uma real compreensão do grau de politização de sua cobertura.

    A Band News optou por uma estratégia mais simples. Separou opinião douta, de supostos especialistas, de opinião interessada, no caso a dos advogados de Lula. Para compor o primeiro time escalou um ex-integrante da Lava Jato, Janaína Paschoal, e outro jurista com opinião também contrária ao habeas corpus. Em suma, falta total de pluralidade no âmbito da opinião douta, apesar de haver uma multidão de juristas de opinião diversa. Os advogados de Lula são as únicas partes nomeadas. Assim, a cena dramática composta é de agentes partidários em contenda contra agentes técnicos, cuja opinião desinteressada é consensualmente contrária aos interesses partidários.

    No UOL a estratégia é um pouco mais complexa, mas nem por isso mais sofisticada. Assim como na matéria da Band News, temos uma narrativa dos fatos supostamente isenta que então é qualificada por opiniões. O UOL também utiliza o recurso da opinião douta. Para esse papel escalam Sergio Moro e os procuradores da Lava-Jato. Tal escolha é no mínimo temerária, dado que a suposta falta de isenção desses operadores do direito é matéria da própria contestação ora em trânsito no TRF4. Assim, no que toca os eventos de domingo, Moro e os promotores lavajateiros são também parte interessada e não operadores isentos do sistema de justiça. Não bastasse tal escolha enviesada, a editoria do Portal publica a opinião requentada de Carlos Marun, político envolvido na articulação que retirou a presidente do PT do poder. A matéria com o ping pong entre políticos contra e a favor pretende claramente dar um verniz de pluralidade à cobertura do UOL. Mas tal verniz mal esconde o viés, dada a maneira tendenciosa com que a opinião douta foi representada e o privilégio dado a Marun entre os políticos.

    Mostrando-se fiel a suas práticas jornalísticas, o UOL amanheceu na segunda-feira, dia 9 de julho, com um layout diferente para a cobertura do “caso Lula”. Ao lado de foto do ex-presidente há uma chamada em letras garrafais para entrevista com o advogado e ex-ministro do STF Carlos Velloso, na qual este qualifica a decisão de Favretto como estranha e teratológica. Em seguida, defende a posição de Sérgio Moro com as seguintes palavras: “O juiz é juiz 24 horas por dia. É assim mesmo que se portam os juízes vocacionados. É possível verificar que Sergio Moro é um juiz vocacionado. Ele procedeu muito bem”.

    Mais uma vez, selecionamos um evento crítico, controverso, e verificamos a prática da expressão da pluralidade de opiniões na cobertura jornalísticas de grandes mídias brasileiras. Dessa vez os casos foram a Band News e o portal UOL. Os resultados, ainda que não surpreendentes, são alarmantes para aqueles que testemunham o esfacelamento das instituições da democracia brasileira.

    E pensar que ainda há aqueles polemistas de plantão, sempre sequiosos para publicar suas opiniões isentas em veículos da grande imprensa, que se exasperam ao ouvirem essa mesma imprensa receber a alcunha de PIG por parte de seus críticos. Ora, difícil conceber caraterização mais sintética, bem-humorada e verdadeira. A única dúvida que me resta é se há ainda espaço para qualquer humor perante a calamidade que assistimos.

    João Feres Júnior – Professor de Ciência Política do IESP-UERJ, o antigo IUPERJ. Coordenador do Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e do Laboratório de Estudos da Mídia e Esfera Pública (LEMEP), que abriga o site Manchetômetro (http://www.manchetometro.com.br) e o boletim semanal Congresso em Notas (http://congressoemnotas.tumblr.com)

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