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A despedida a Bartolomeu Brito de Souza, o Bartô

Marcelo Auler

Não faltou a bandeira do Flamengo, seu time de coração e paixão. Também não faltaram amigos antigos, como o botafoguense Jorge Mello, com quem Bartolomeu Brito de Souza, O Bartô, de 73 anos, durante os muitos anos em que trabalhou no jornal O Dia, travou eternas discussões por conta do futebol. Quando, provocado a colocar a bandeira sobre o caixão, Jorge recuou: “se eu fizer isso, ele levanta daí e me dá uma bronca”.

Josefa, a viúva, estende a bandeira do Flamengo sobre o caixão. Foto: Marcelo Auler

Josefa, a viúva, estende a bandeira do Flamengo sobre o caixão. Foto: Marcelo Auler

A bandeira do clube preferido sobre o caixão foi uma exigência da mulher Josefa Félix Souza, que dos seus 76 anos, viveu 50 ao lado do jornalista.

É uma testemunha perfeita de como o ex-auxiliar de contabilidade do extinto jornal A Notícia transformou-se em um dos principais repórteres policiais do Rio de Janeiro. Com ele. viveu momentos de glória que ele desfrutou na profissão, mas também passou por grandes sustos.

Os dois, em 1975 ganharam Andréa, a única filha do casal que não conseguiu despedir-se do pai pessoalmente. Ela, o Marido Gilvan e os filhos  Lucas (11 anos) e Bárbara (5 anos) vivem em Orlando, nos Estados Unidos, há 20 anos.

Na despedida ao Bartô, um dos ícones do jornalismo policial carioca, não podia faltar outro companheiro de batalha: o motorista Norberto Camilo, que há 45 anos conduz equipes de reportagens  e, não raras vezes, ajuda-as a cumprirem sua tarefa,

Com Bartô não foi diferente: “fizemos muitas matérias juntos”, dizia, cabisbaixo, próximo à capela L do Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, onde o corpo do jornalista aguardava as últimas despedidas.

Mais novo na função, Naum, outro motorista da equipe do Jornal O Dia, ontem ficou encarregado de transportar a viúva, Josefa, de São João de Meriti, residência do casal, ao cemitério.

 

Na capela, familiares e colegas de profissão despedem-se do jornalista. Foto: Marcelo Auler

Na capela, familiares e colegas de profissão despedem-se do jornalista. Foto: Marcelo Auler

Não foi das despedidas mais concorridas se contabilizarmos as centenas de profissionais da imprensa com quem Bartô conviveu nas redações ou esbarrou pelas ruas durante suas reportagens.

Mas, a categoria se fez representar. Estiveram no cemitério despedindo-se dele João Antonio Barros, de O Dia, Celina Cortês, com quem ele trabalhou no Jornal do Brasil, João Pequeno, que o conheceu quando começou a estagiar na Baixada Fluminense, e Ari Peixoto, hoje na TV Globo.

Marita Boss, Denise Assis e Christine Ajuz , outras três antigas colegas nas redações do Rio, presenciaram quando o caixão desceu no túmulo 83945 da quadra 79. Dos três irmãos do jornalista, apenas Jorge pode estar presente. Roberto foi impedido de comparecer para poder cuidar do irmão mais novo, José, que, tal  como aconteceu com Bartô em 2010, foi vítima de um Acidente Vascular Cerebral e está imobilizado sobre um leito.

Foram cinco anos em que Bartolomeu ficou sobre a cama, com uma paralisia parcial nos membros esquerdos. Mas a doença agravou-se até que, em abril passado, sofreu um Acidente Vascular Encefálico, agravado por uma pneumonia, uma das causas de sua morte, na terça-feira, dia 7.

1 Comentário

  1. RicardoLeoni disse:

    Soube que a maioria dos fotógrafos com quem ele trabalhou não compareceu. Pena

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