Saída estratégica

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Bolinha de papel de José Serra
A bolinha de papel do Serra
26 de fevereiro de 2017
serra na propina da Odebrecht

Arnaldo César (*)

Mosaico Serra na UNE

Desde o tempo em que presidiu a UNE, Serra “sempre foi uma pessoa ardilosa. Costuma se posicionar dois ou três lances na frente dos adversários”.

Quem conhece o ex-ministro José Serra desde os tempos da militância estudantil na UNE ou do exílio no Chile, nos anos 70, sabe que ele sempre foi uma pessoa ardilosa. Costuma se posicionar dois ou três lances na frente dos adversários. Seu pedido de demissão do governo golpista de Michel Temer tem a ver com o cenário político que ele está vislumbrando para 2018.

O ex-chanceler que disse padecer de dores terríveis na coluna já percebeu que a canoa furada do golpe está indo a pique. Se alguém conseguir permanecer dentro dela nos próximos 22 meses será inapelavelmente triturado no embate eleitoral esperado para 2018.

Nada do que os golpistas prometeram conseguiram entregar. O desemprego atinge patamares perigosos. Apesar de todo o esforço retórico do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, os empresários não estão acreditando nos seus números e previsões. Ninguém se sente animado a meter a mão do bolso para fazer qualquer investimento, enquanto não se resolver o intrincado imbróglio político institucional em que a País está metido.

Independente do caos que tomou conta do Brasil, Serra debate-se com suas crises particulares. E, que não são poucas. Constantemente, é espezinhado pelos seus pares do PSDB. Seu estilo “rolo compressor” não funcionou no Itamaraty, onde a palavra de ordem costuma ser: “entendimento”.

Serra nomeado ministro de Temer

“Ministro das Relações Exteriores, Serra já não era consultado pelo usurpador Temer para dar pitacos na economia como gostava de fazer”.

Consumado o golpe e indicado para Ministério das Relações Exteriores já não era consultado pelo usurpador Temer para dar pitacos na economia como gostava de fazer desde o governo FHC. Como a efervescente questão interna toma todo o tempo possível dos governantes de plantão, ninguém estava muito interessado nas articulações do tucano paulista para a política externa.

Ministro de segunda linha num governo capenga, Serra foi para vala comum dos políticos brasileiros enlameados pela propinagem da Lava Jato.  Especialmente, nesta fase, em que se fala em “delações do fim do mundo”.

As denúncias premiadas da Odebrecht nem bem vieram a público e já começam a deixar “vítimas” pelo meio do caminho. Serra já é uma delas. No final do ano passado, ele tentou se livrar das acusações de que teria embolsado R$ 23 milhões na sua campanha eleitoral de 2010.

Pediu ajuda ao seu operador financeiro, o banqueiro Ronaldo Cezar Coelho que foi para as páginas dos jornais explicar a delação dos R$ 23 milhões. Tentou justificar, dizendo que tudo não passou de uma “troca de chumbo”. Ou seja, Coelho teria emprestado do seu próprio bolso tal quantia à campanha de Serra. A empreiteira baiana, por sua vez, devolveu o montante depositando-o numa conta na Suíça mantida pelo banqueiro.

A dinheirama, de acordo com Coelho, já teria inclusive retornado ao Brasil e pago todos os impostos direitinho. Tudo graças à recém-concedida anistia a políticos que guardavam dinheiro em paraísos fiscais. A história da “troca de chumbo” não convenceu. Volta e meia esse espinho da propina paga pela Odebrecht insiste em apoquentar o ex-governador de São Paulo, José Serra.

serra na propina da OdebrechtRegressando para o Senado Federal, ele se sente mais seguro para se defender dessas delações. Afinal de contas, na camarilha de Temer há uma multidão de políticos para serem protegido. A começar pelo próprio Temer. Não há como fazer tanta prestidigitação para tanta gente. Por isso, se não conseguirem mandar a Lava Jato pelos ares, provavelmente, não ficará nenhum deles de pé para contar a história dos outros.

A imprensa amestrada, na ânsia de prestar serviços ao chanceler demissionário, informou que Serra sentia-se desconfortável no comando do Itamaraty. Balela! Serra perdeu a queda de braço para a corporação benigna que ainda persiste dentro do Ministério das Relações Exteriores.

Foi fragorosamente derrotado pelos profissionais da Casa de Rio Branco. Por dever de ofício, boa parte de quem trabalha naquela Casa conhece a obra do florentino Nicolau Maquiavel e sabe olhar o jogo vários lances a frente. O pessoal do Itamaraty já percebeu que uma aliança com os Estados Unidos, governado pelo apatetado Donald Trump, é uma tremenda fria.  Sutilmente, passaram a detonar a intenção do então ministro de promover uma aliança cega do Brasil com o império norte-americano.

O ex-chanceler é visto pelos que lhes são mais próximos como “um animal político ávido pelo poder”. Agora em março irá completar 75 anos. Não se considera fora do jogo. A obsessão de ocupar a cadeira de presidente da República nunca saiu da cabeça dele.

Nas circunstâncias atuais, contudo, ele sabe que o futuro é sombrio. Mas, ele também verifica que dentro do seu partido, o PSDB, a situação não é das melhores para Aécio Neves e Geraldo Alckmin, os dois tucanos que postulam a chance de disputar a presidência da República, em 2018. Ambos estão encalacrados até a medula com denúncias de terem embolsado dinheiro de empreiteiras. Aécio, diga de passagem, é o campeão deles com mais de 40 menções no âmbito da Lava Jato.

Vai que eles capotem antes! Acoitado no Senado, Serra poderá procrastinar à vontade na sua defesa contra as denúncias de que foi mimoseado com R$ 23 milhões da Odebrecht. Assim como, também deverá se defender de todo e qualquer outro escândalo que venha ser descoberto dos tempos em que foi governador de São Paulo. Especialmente, os relacionados com a expansão das obras do metrô.

Ao lado de pessoas polidas, como o seu amigo Romero Jucá (PMDB-RR), Serra terá agora unicamente que se acostumar a um novo linguajar. Não deverá ficar enrubescido, caso venha a ser convidado a apoiar um projeto de lei que torne ampla, geral e irrestrita a “suruba do foro privilegiado”.

(*) Arnaldo César é jornalista e colaborador do Blog. 

 

EM TEMPO: Sugiro a leitura do belíssimo artigo de Malu Gaspar, na Revista Piauí, A tempestade perfeita do PMDB    

5 Comentários

  1. João de Paiva disse:

    Este artigo mostra o quanto estão enganados aqueles que pensam estar JS-tarja-preta decrépito ou morto polìticamente. O cara é ardiloso, mau, como mostrado no artigo. Mas JS-tarja-preta sempre teve e ainda têm o PIG/PPV a seu favor. Esses ‘arranhões’ que gata prostituta FSP lhe dá de vez em quando não passam de uma chantagem, de modo que se o ‘vampiro’ algum dia ascender à cadeira presidencial, garantirá ao jornaleco dos Frias uma parcela maior das verbas publicitárias.

    Apenas os tolos, ingênuos e incautos acreditam que a FSP alguma vez quis detonar o JS-tarja-preta. Se esse jornal ou qualquer outro do PIG/PPV quisessem realmente abater o ‘vampiro’, em menos de uma semana de ação coordenada conseguiriam publicar matérias demolidoras sobre esse senador entreguista.

  2. C.Poivre disse:

    É incrível que este Serra tenha sobrevivido politicamente depois de tanta coisa errada que fez na sua carreira de enganações, a começar pela dúvida sobre se é graduado em algum curso superior. Mas ele era apenas mais um da gangue de criminosos que “governa”, e pior, o povão parece não se importar com os escândalos diários saídos dos esgotos golpistas.

  3. […] Fonte: Saída estratégica | Marcelo Auler […]

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