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Notícias presunçosas

Dilma Roussef e Luis Inácio Lula da Silva -(Fotos Marcelo Camargo/Agência Brasil e Ricardo Stuckertr/Instituto Lula

Dilma Roussef e Luis Inácio Lula da Silva -(Fotos Marcelo Camargo/Agência Brasil e Ricardo Stuckertr/Instituto Lula

Dilma Roussef e Luis Inácio Lula da Silva -(Fotos Marcelo Camargo/Agência Brasil e Ricardo Stuckertr/Instituto Lula

Dilma Roussef e Luis Inácio Lula da Silva -(Fotos Marcelo Camargo/Agência Brasil e Ricardo Stuckertr/Instituto Lula

Por Arnaldo César

O fato da moda, nestes tempos de Lava Jato, é que o ex-presidente Lula e a atual presidente Dilma Rousseff poderão ser conduzidos para uma daquelas celas geladas da Polícia Federal, em Curitiba, no Paraná. O implacável juiz federal, Sérgio Moro, já estaria tomando todas as providências necessárias para mandar encarcerar os dois líderes do PT.

Tudo que se leu no parágrafo acima está eivado de ilações e suposições. Não há nenhum fato comprovado. Mas, é assim que se faz notícia hoje em dia. Atira-se primeiro e pergunta-se depois. Um dos principais fundamentos do jornalismo, a apuração/checagem da informação, está em total e absoluto desuso. O bacana agora é fazer militância escancarada no noticiário.

Lula e Dilma podem até estar encalacrados com as traficâncias na Petrobras. O bom jornalismo, contudo, exige que se apresente uma prova concreta dos malfeitos ou omissões praticadas por eles, neste caso. O que tem se visto até agora, tanto nos meios impressos quanto eletrônicos, é um amontoado de conjecturas. Nenhuma prova contundente foi apresentada.

Nos anos 90 era lugar comum nas principais redações do País as expressões “rolar no espinho” ou “ralar no espinho”. Ambas expressavam o esforço – ou sacrifício – com que um profissional da mídia teria dedicar na apuração de uma matéria. Bons tempos aqueles!

Talvez, isso sirva para explicar uma das razões pelas quais os veículos tinham mais credibilidade e consequentemente maiores tiragens e audiências. “Rolar – ou ralar – no espinho” trazia embutidos vários significados. Um deles é o de que repórter e o editor não podiam comer na mão das fontes. O que invariavelmente obrigava a ser ouvir duas ou mais fontes sobre o mesmo assunto.

 

Juiz Sérgio Moro - Foto: Augusto Dauster-Ajufe

Juiz Sérgio Moro – Foto: Augusto Dauster-Ajufe

Na cobertura da operação “Lava Jato” percebe-se, claramente, que o juiz Moro,  os federais e os procuradores comandam o espetáculo. Eles, só eles, dão de comer aos jornalistas. Apurações paralelas, nem pensar. Até mesmo quanto Moro e sua turma cometem erros grosseiros em suas investigações, como, por exemplo, a prisão indevida da cunhada do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

               A contribuição da mídia nas investigações de mais este escândalo é próxima de zero. O jornalismo brasileiro nunca foi um primor de imparcialidade. As traquinagens praticadas por Assis Chateaubriand nunca foram esquecidas. A diferença entre o que se fazia lá atrás e os tempos atuais é que estamos perdendo o pudor. Ninguém mais rola no espinho. E, a reputação alheia que se dane!

O “off”, antes utilizado com extrema parcimônia, nos dias de hoje virou lugar comum. O entrevistado anônimo, agora, fala pelos cotovelos. Invariavelmente, é mimoseado com aspas, através das quais ele denuncia, acusa, sentencia, denigre e achincalha com seus opositores. Estes por sua vez, quando desejam se defender são obrigados a declarar o nome, sobrenome e a idade.

Outra belezura do momento é o jornalismo declaratório. Todo mundo fala, declara opina e relata nas páginas e nas telas da TV. O repórter transformou-se num verdadeiro cambono encarregado única e tão somente de materializar o que os entrevistados falam. A abominável “correia de transmissão”, antes execrada, agora é exercida com fervor.  Não se discute. Dar voz aos entrevistados dá vida às reportagens. Mas, tem que ser feito com equilíbrio. O olhar astuto do repórter não pode ser substituído pela enxurrada de frases ocas ou por redundâncias.

Se a Justiça brasileira adota a três por dois a preguiçosa tese da “presunção da culpa” para julgar e punir malfeitores, é um problema dela. Para o jornalismo isso pode significar a morte. Aliás, já é o que assistimos com os frequentes “passaralhos” e as demolidoras crises das empresas de comunicação.

De maneira geral, jornalistas costumam andar de salto alto. É chegada a hora de rever as práticas ortodoxas dos tempos atuais. Caso contrário, ficará muito tarde para vestir as sandalinhas da humildade.

Apoio:

Advocacia Eny Moreira

3 Comentários

  1. Sebastião Silverio da Silva disse:

    O ilustre articulista já procurou verificar como Lula conseguiu em tão pouco tempo (do sindicalismo a presidência) se tornar um “milionário” brasileiro. Basta que as autoridades busquem pela comprovação “efetiva” da evolução patrimonial do ex-presidente para se ter ideia a respeito de uma série de outras situações. Uma coisa é certa, há necessidade de se esclarecer esses fatos. À consideração desse ilustre articulista.

  2. iza disse:

    Toma vergonha na sua cara e veja se consegue fazer JORNALISMO!

  3. […] toda razão o Arnaldo Cesar, em seu artigo no blog do Marcelo Auler, (aqui, na íntegra)em dizer:“O fato da moda, nestes tempos de Lava Jato, é que o ex-presidente Lula e a atual […]

Deixe uma resposta para O MP da Lava Jato, sem vergonha do propósito de atingir Lula e de chantagear com delações | TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.” Cancelar resposta

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