O dilema mineiro: mineração ou preservação?
19 de março de 2017
Escracho geral
20 de março de 2017

Médicos fluminenses reagirão?

Marcelo Auler

As chapas que disputarão o SindMedO governo ilegítimo de Michel Temer e sua corriola tem provocado, de forma indesejada, a reativação dos movimentos sociais e sindicais. Trata-se, no fundo, de um movimento de autodefesa, no momento em que direitos trabalhistas e previdenciários estão sendo ameaçados.

Esta semana (20 a 24 de março), os médicos do município do Rio de Janeiro – categoria composta por 80 mil profissionais no Estado, dos quais pelo menos, 17 mil profissionais da capital estão aptos a decidirem futuro do Sindicado dos Médicos do Município do Rio SindMed-RJ.

Há nada menos do que 18 anos, este sindicato, está sob a administração de Jorge Darze. Por falta de sindicatos na maioria das cidades do interior, a entidade acaba representando a categoria também em outros municípios, com exceção de quatro que têm sindicato próprio. São seis mandatos consecutivos e Darze ainda tenta se reeleger para um sétimo.

Na última disputa, sua reeleição foi conquistada com a participação de apenas 200 sindicalistas que compareceram às urnas. Um número bastante nada significativo para uma carreira que sofre ameaça de todos os lados, principalmente dos poderes públicos – municípios, estado e União.

São duas, as chapas de oposição. O Blog torce pela de número 2, Médicos Unidos, presidida por Jorge Luís do Amaral, o Bigú, que tem como vice-presidente Leôncio Feitosa, a quem conhecemos de longa data e aprendemos a respeitar como profissional e pelos seus posicionamentos políticos em defesa de uma medicina pública para todos, notadamente os mais necessitados. Movimento que surgiu em oposição à gestão de Darze.

Independentemente de posições políticas, não é possível entender como uma categoria – teoricamente esclarecida – convive com um mesmo presidente no sindicato por 18 anos (1999 a 2016). Ao longo deste tempo, uma geração nova se criou. As faculdades de Medicina formaram milhares de profissionais. No setor público foram, pelo menos, três governantes distintos: prefeitura (Eduardo Paes -2009/16; César Maia – 2001/2008; Luiz Paulo Conde – 1997/2000); Estado (Luiz Fernando Pezão/Francisco Dornelles – desde 04/2014; Sérgio Cabral – 2007/14; Rosinha Garotinho – 2003/07; Benedita da Silva – o4/2002/2003; Anthony Garotinho – 1999 a 04/2002;  Marcello Alencar – 1995/99); e União (o ilegítimo Michel Temer – 08/2016; Dilma Rousseff – 2011 a 08/2016; Luiz Inácio Lula da Silva – 2003/2015; Fernando Henrique Cardoso – 1995/2002). E Darze sobreviveu a todas essas mudanças político-partidárias.

Leôncio Feitosa explica porque o voto na Chapa 2 – Médicos Unidos

Desde dezembro o SindMed-RJ está sendo governado por uma Junta eleita em assembleia. Ela é resultado daquilo que opositores acham que seria uma manobra de Darze cujo mandato venceu em outubro. Ele chegou a convocar duas eleições, mas elas foram suspensas pela Justiça do Trabalho. Darze acabou afastado por liminares em ações impetradas pelo Movimento Médicos Unidos que entendeu que a demora na convocação do pleito era manobra para a sua permanência no cargo. Coube à juíza auxiliar da 74ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, Elisabeth Manhães Borges, em novembro passado, anular os editais para as eleições e determinar a convocação de assembleia para eleger uma Junta Governativa. Ela ocorreu no início de dezembro quando, cerca de 100 médicos elegeram a Junta de cinco médicos – Marlene Santiago, Adailton Batista, Mário Bianco, José Carlos Diniz e Mauro Brandão, que já presidiu o sindicato – encarregada de organizar a eleição desta semana. Darze não conseguiu prorrogar o mandato, mas pode conseguir se reeleger agora, dependendo do posicionamento da categoria.

Na verdade, o que está em jogo é a mobilização da categoria, bastante mal vista pelo público – principalmente aqueles que atendem em hospitais públicos – ainda que se registrem honrosas exceções -, em um momento que o próprio atendimento público na saúde corre sérios riscos, com este governo ilegítimo e pró-privatizações. Não se trata apenas de lutar por melhorias de uma categoria, reconhecidamente mal paga pelos órgãos públicos, embora em situação melhor que a de outros segmentos, como o magistério. Mas de uma luta pela ampliação do atendimento público na saúde, dando-lhe a qualidade que precisa.

Jorge Luís do Amaral, o Bigú, promete acabar com o marasmo do SidMed-RJ

A chapa 2, reúne médicos que se posicionam, há algum tempo, contra a eternidade de Darze à frente da entidade sindical. Seus membros estão comprometidos com a defesa intransigente do Sistema Único de Saúde – SUS, ameaçado por este ministro do governo ilegítimo, o engenheiro civil Ricardo Barros, que se tornou político profissional pelo PP do Paraná. Na eleição de 2014, quando reconquistou a cadeira de deputado federal, contou com ajuda financeira de, pelo menos, um dono de empresa de planos de saúde.

Ao apoiar a Chapa 2, o Blog leva em conta que ela conseguiu agregar militantes que estavam afastados do movimento sindical, travando outras lutas em outros palcos, mas sempre compromissados com a Democracia e contra o golpe que destituiu um governo legitimamente eleito e a favor do atendimento médico público de qualidade. Sem falar na dificuldade em aceitar a perpetuação de um dirigente sindical.

Agora, os próximos três anos do SindMed-RJ estão nas mãos dos 16.800 médicos do Rio com condições de voto. Espera-se que eles ajudem a categoria a decidir o que for melhor. Mas, o Blog torce pela Chapa 2, até porque, a outra chapa de oposição é apoiada pela direitista UGT – União Geral dos Trabalhadores.

4 Comentários

  1. bety disse:

    ATENÇÃO # URGENTE
    Candidato à presidência pela Chapa 2 é expulso do SINMED/RJ e das eleições!
    Operação Lava Jaleco: Bigu é condenado!

    http://chapadosmedicos.com.br/2017/03/21/operacao-lava-jaleco-bigu-e-condenado/

  2. Regina da S Barbosa disse:

    Pois eu posso infelizmente opinar pois conheço esse SR Jorge Darzi desde a época que ele era plantonista do Hospital Salgado filho no Méier e chefe de plantão, e desde essa época já nada fazia nem pra ajudar os colegas , que trabalhavam com ele , o que veio a se multiplicar quando resolveu nao sei porque,ser líder Sindical do sindicato dos médicos do Rio de janeiro.Continuou a nada fazer pela classe, como nunca fez pela medicina.
    Esse SR continua sendo eleito desde essa época pois a classe medica é apolitizada em geral, nao se preocupava nunca com o que veio progressivamente degradando o exercício da profissão no Rio de Janeiro e no Brasil. Eu tenho 39 anos de formada , estou aposentada, nao moro no BRASIL, mas durante todo o tempo que exerci a medicina em hospitais públicos e em clinica privada+ de 30 anos.Só vi esse SR aparecer em vésperas de eleições para pedir votos .O meu ele nunca levou , mas infelizmente a minoria que ele conseguia ,o elegeu. Ele nunca representou a classe mas se elegia por falta tb de concorrência e porque agrande maioria preferia pagar multa a ter que votar.O descaso da classe merece esse SR que nunca apoiou ninguém nem em épocas de RARAS greves contra os nefastos planos de Saude no Brasil .Ou ele nao ia as reuniões ou se ia, era para dizer bobagens. Enfim a classe merece ser representada por esse SR pois , nao é unida, nao é politizada e nao se preocupa ,com raras exceções ,com o destino desse país.Espero que os mais novos mudem e derrubem de vez essa”oligarquia”.

  3. Romildo Bomfim disse:

    Não sou médico. Mas, conheço boa parte dos que compõem a Chapa 2. Não hesitaria em dar o meu voto. Sindicatos e Conselhos de Profissionais da área da saúde devem se unir em prol do fortalecimento do SUS, contra as famigeradas OSs e quaisquer outras parcerias entre o público e privado no tocante à saúde pública. Não tenho dúvida que a Chapa 2 reúne condições de protagonizar um Movimento, unindo forças, contra essas promiscuiddades. Colegas e amigos médicos, votem 2.
    Romildo Bomfim/FM/Docente/UFRJ.

  4. João de Paiva disse:

    Sobre o teor desta reportagem não tenho condições de opinar. Mas o fato do repórter não esconder atrás e uma falsa neutralidade e assumir uma posição clara sobre qual dos candidatos ao SinMed-RJ ele apóia mostra a integridade do seu caráter. A renovação é necessária, para oxigenar as entidades, as instituições.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *