Encruzilhada perigosa

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mosaico crise.

 Arnaldo César (*)

plenario da camara libera temer

O plenário da Câmara garantiu a sobrevida de Michel Temer no governo em uma sessão em que o balcão de negócios funcionou no próprio plenário levando os parlamentares do PSOL denunciarem seus colegas pela venda do apoio seus colegas de venderem o apoio ao presidente acusado de corrupção. Fotos Agência Câmara e Psol

Antes mesmo da vergonhosa sessão da Câmara Federal, na quarta-feira (02/08), o País já havia sido tomado por uma lufada de desânimo e desesperança. Todos sabiam que Temer e sua camarilha sairiam vencedores daquele medonho embate político. Afinal, R$ 13,2 bilhões em dinheiro público foram torrados para que os golpistas continuassem encastelados no Palácio do Planalto. Nada poderia fugir ao script previamente traçado.

Novamente, a classe política brasileira conseguiu empurra o País para uma perigosa encruzilhada. Senão, vejamos:

  • A descrença generalizada tirou a disposição das pessoas de protestar contra um cinismo jamais visto na história recente do Brasil. A começar pela classe trabalhadora. Às voltas com um desemprego galopante que chega à casa dos 13,5 milhões de pessoas demitidas, o contingente de quase 90 milhões de assalariados e suas respectivas centrais sindicais e sindicatos preferiam silenciar-se diante da patifaria.
  • Dividida ao meio, a classe média – antes buliçosa – agora se mantém cabisbaixa tamanha a vergonha. E, neste caso, podem ser incluídas “coxinhas” e “mortadelas”. Degustar champanhe francês, ao lado de um ridículo pato inflável, na Avenida Paulista, nem pensar!
  • O chamado “povão”, aquele que depende do programa “Bolsa Família” para poder sobreviver ainda não entendeu direito tamanha balbúrdia. Afinal, os projetos sociais que se ocuparam da inclusão deles, os trataram como consumidores e jamais como cidadãos com consciência política.
  • Para este pessoal, saber que ministros/deputados como: o da Secretaria do Governo, Antônio Imbassahy (PSDB-BA), ou o da Educação Mendonça Filho (PMDB-PE) transacionaram favores, dentro do plenário da Câmara Federal, minutos antes da votação que abençoou as roubalheiras do presidente intruso, não provoca indignação. São tantas as tramoias, que uma aqui, outra acolá, pouco importa!

Por um aumento nas passagens de ônibus de 0,20 centavos, brasileiros de todas as classes sociais sacudiram o Brasil de Norte a Sul, em meados de 2013. Lembram-se? O que está acontecendo nos dias de hoje tem intrigado os analistas políticos de todos os costados.

Por que tanta apatia, diante de tanta patifaria?” é uma pergunta que ronda a cabeça daqueles que se ocupam de interpretar os fatos.

Não é de hoje que o teólogo Leonardo Boff vem alertando o País para os perigos dessa aparente “apatia”.  Sintonizado com os estamentos de menor poder aquisitivo, o ex-frei tem identificado sinais de um descontentamento profundo que poderá se transformar numa explosiva convulsão social.

mosaico crise.

O filósofo e coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto – MTST -, Guilherme Boulos sente “cheiro de pólvora” nas ruas.

O filósofo e um dos coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto – MTST -, Guilherme Boulos é outro que sente “cheiro de pólvora” nas ruas.  Todas às vezes que concede uma entrevista, faz questão de alertar para uma insatisfação silenciosa que tem contaminado não só o operariado como também áreas significativas das classes C e D.

A violência desenfreada em estados da federação carcomidos por crises gravíssimas, como são os casos do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e muitos outros é um dos primeiros sintomas do que poderá vir pela frente.

Tudo o que o Brasil não precisa, neste momento, é de um conflito político social nos moldes daquele que está calcinando a Venezuela. Por aqui, as coisas tendem a fica mais caóticas. Faltam-nos elementos preciosos como: estabilidade institucional, projeto de Nação e lideranças políticas.

A maioria dos 72 mil brasileiros apontados pela Receita Federal como detentores de patrimônios pessoais superiores a R$ 20 milhões e donos de 30% da riqueza nacional deseja única e exclusivamente impedir que governos populares se consolidem no Brasil. Odeiam o PT e o Lula e farão tudo para enterrá-los pelas mãos do juiz missioneiro, Sérgio Moro.

Sempre foram predadores. Jamais tiveram qualquer preocupação social. Foram e continuam sendo escravagistas, muito embora a escravidão tenha sido abolida em 1888.  Os brasileiros mais ricos (aqueles que financiam os 263 parlamentares que impediram Temer de vir a ser investigado por corrupção passiva) continuam achando que o Exército dará conta de manter a ordem, na eventualidade de um distúrbio qualquer.

As esquerdas acreditam passar uma borracha nisso tudo com a convocação de eleições diretas já ou em 2018. É uma das poucas alternativas. Mas, roga-se aos céus para que nenhuma surpresa aconteça antes disso!

(*) Arnaldo César é jornalista e colaborador do Blog

Apoio:

Advocacia Eny Moreira

5 Comentários

  1. José Rocha disse:

    O brasileiro médio só entende de futebol e de novela da globo.

  2. Luiz Carlos P. Oliveira disse:

    Mais palmas!!!

  3. Luiz Carlos P. Oliveira disse:

    AULER: a surpresa já está sendo costurada como única saida para os golpistas se perpetuarem no poder. Ontem Temer já acenou com um “possível” parlamentarismo, que já foi rejeitado num referendo popular. Eles não largarão o osso tão facilmente. Imagine esse Congresso corrupto elegendo nosso presidente e primeiro ministro. É o fim.

  4. João de Paiva disse:

    O jornalista escreveu esse texto após a 3ª noite da infâmia, em que mais da metade dos deputados comprados por propinas ‘temerárias’, investigados ou denunciados por crimes diversos, votaram pela não investigação dos crimes cometidos pelo chefe maior da quadrilha, michel temer.

    Hoje, sexta-feira, 4 de agosto de 2017, uma revista do grupo Globo publica “reportagem’ fartamente ilustradacom fotos mostrando os milhões de reais em dinheiro vivo, pagos pela JBS como propina pura ao senador Aécio Cunha, ao usurpador da presidência da república por meio do golpe de Estado, michel temer, assim como ao presidiário Eduardo Cunha e seu operador, Lúcio Funaro, pra ficarem calados.

    Todo o séquito lavajateiro (curitibano, brasiliense e fluminense), com destaque para carlos lima, deltan dallagnol, rodrigo janot, delegados aecistas da SR-DPF/PR, sérgio moro, ricardo leite, vallisnei oliveira, marcelo bretas e, todo o STF têm enorme culpa e responsabilidade pelo desmonte do Brasil e pela colocação no governo federal dessas oligarquias corruptas, assassinas, escravocratas, plutocratas, cleptocratas, privatistas e entreguistas. A banca nacional e internacional, setores do empresariado e do agronegócio, o PIG/PPV, todos a serviço do alto comando internacional do golpe – que fica nos EUA – são também responsáveis pela depressão e desmanche moral-institucional-econômico-social-políticos que estamos vivendo.

    Colocar a culpa nas vítimas, como muitos analistas têm feito, é mais um grave erro. Esses analistas devem apontar as razões objetivas pelas quais as massas que estão sendo espoliadas e excluídas não estão se mobilizando em protestos de rua. Os esses analistas pensam que as manifestações ocorrerão por geração espontânea, sem lideranças que as conduzam? E onde estão as lideranças capazes de mobilizar essas massas? a maior dela, Lula, está sendo implacavelmente perseguida e caçada pelas quadrilhas do “sistema de justiça”. Outra que poderia liderar movimentos e manifestações políticas, Guilherme Boulos, do MTST, ainda não se apresentou com a cara e coma coragem, para ocupar espaços e terrenos na política partidária. Sem lideranças o máximo que o povão consegue provocar é convulsão social, violência, quebradeira, saques ao comércio, depredação, queima de ônibus e outros veículos de transporte.

    Uma liderança inteligente deve mobilizar as massas para combater os mais perigosos inimigos do momento, que são as quadrilhas encasteladas e enquistadas na burocracia do Estado (polícias, MP, PJ), as quadrilhas midiáticas (PIG/PPV), assim como as da política, nessa ordem.

  5. José Rocha disse:

    Perfeito seu comentário. Agora pergunto: o que fazer? a quem recorrer?
    As instituições estão corrompidas e a sede de poder parece insaciável.
    Estamos entregues à própria sorte, ou pior, ao próprio azar!

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