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O jogo não é pelo impeachment, mas para tentar a renúncia de Dilma. Foto Luiz Macedo/Agência Câmara

 Arnaldo César

O jogo não é pelo impeachment, mas para tentar a renúncia de Dilma. Foto Luiz Macedo/Agência Câmara

O jogo não é pelo impeachment, mas para tentar a renúncia de Dilma. Foto Luís Macedo/Agência Câmara

O clima de Fla-Flu (ou de Flamengo e Vasco) que tomou conta da política brasileira tem embotado corações e mentes daqueles que torcem pela democracia e pelo futuro do Brasil.

Uma parte significativa dos analistas vende para a opinião pública que esta enorme confusão que tomou conta do País é para colocar Dilma para fora do Palácio do Planalto através de um processo de impeachment. Nada mais enganoso.

O que os golpistas querem de verdade é a renúncia da presidente. O enredo escrito pelas elites e entregue nas mãos de Michel Temer para ser executado tem por objetivo levar Dilma, Lula e o PT à loucura. Desgastados politicamente eles jogariam a toalha e pediriam para ir embora. Neste caso apostam no “quanto pior, melhor”.

Qualquer estagiário de direito – que não tenha sido aluno de Hélio Bicudo ou de Miguel Reale – sabe que não há como destituir a presidente legalmente, por conta de pedaladas fiscais. Basta ver que isso não é crime de responsabilidade como determina a Constituição de 88.

São necessários 342 votos na Câmara para aprovar o encaminhamento do pedido de impeachment ao Senado - Foto Luís Macedo/Agencia Câmara

São necessários 342 votos na Câmara para aprovar o encaminhamento do pedido de impeachment ao Senado – Foto Luís Macedo/Agencia Câmara

O rito estabelecido para o impeachment prevê três etapas. A primeira – a que está em curso – é para saber se a Câmara dos Deputados irá autorizar a abertura do processo. Se a oposição conseguir aglutinar 342 parlamentares, a coisa terá que ser aprovada pelo Senado Federal.

Vencida esta segunda etapa, abre-se um processo presidido pelo presidente do STF, Ricardo Lewandowski, para saber se as acusações são procedentes. Nesta fase, a presidente é afastada por 180 dias e o País passa a ser administrado pelo vice. Há, portanto, um longo e tormentoso caminho pela frente.

Se tudo correr dentro da celeridade com que o “impoluto” Eduardo Cunha, presidente da Câmara, sonha, esta história só poderá ter um desfecho em novembro deste ano.

A debandada do fisiológico PMDB do governo, na última terça-feira (29/03), é o primeiro ato desta trágica encenação. Como diz a imprensa adestrada: “Dilma está solitária, sem mais nenhuma condição de governar”.  Assim como eles têm feito desde quando ela venceu as eleições de outubro de 2014, todo o esforço é no sentido de impedir que ela administre a Nação e renuncie.

Neste aspecto o painel luminoso projetado na fachada da catedral da elite brasileira, a sede da FIESP, na Avenida Paulista, em São Paulo, é explícita: ”Renúncia Já”. O senador tucano Aloysio Nunes também não esconde o jogo. “Não quero o impeachment. Quero vê-la sangrar até 2018”, disse o nobre representante dos paulistas, que nas priscas eras chegou a flertar com o maoísmo, no exílio em Paris.

O problema é que Dilma já disse várias vezes que não é mulher de renunciar e muito menos atirar contra o próprio peito. Apesar de todas as trapalhadas que vem cometendo nesta “partida de xadrez” ninguém do PT deu mostras, até agora, de que irá atirar a toalha.

Despudoramente as oposições capitaneadas pelo PSDB, DEM e agora PMDB estão detonando o País. Ou para não ser tão deselegante, estão nos empurrando para uma confusão social.

Temer, joga pela renúncia para assumir o cargo. Será que ele fez todas as previsões certas? Foto Pública

Temer, joga pela renúncia para assumir o cargo. Será que ele fez todas as previsões certas? Foto Pública

Não citar a Operação Lava Jato até este ponto da análise foi proposital. Para ela foram reservados papéis de destaque nos próximos atos desta pantomina.

Provavelmente,se Dilma e Lula resistirem toda a sorte de pressões, ameaças e chantagens o pessoal de Curitiba, capitaneados pelo juiz Sérgio Moro, irá se encarregar de “engendrar” uma ilação qualquer para apeá-los do Planalto.  Nada que uma escuta autorizada não resolva.

O que o constitucionalista Michel Temer e seus fiéis escudeiros nesta aventura não souberam prever é se o País resistirá a tanta esperteza. Talvez, no meio desta representação a plateia resolva enxotá-los para sempre da política nacional e do mundo artístico.

8 Comentários

  1. Esmael Leite da Silva disse:

    O jogo do PMDB não vai dar certo esta vez, perdido o impeachent ele vai murchar, o resultados da Investigação do Fim do Mundo cedo ou tarde aparecerão e serão expostas e toda a nudez será castigada, não haverá perdão, o PMDB sucumbirá como ultimo resquício da Ditadura Militar.

  2. Nana disse:

    Parabéns pelos textos Marcelo,não sabia que vc tinha Face, muita gente não sabe.Vou compartilhar.Obrigada.

  3. Rogerio disse:

    Não encontro opção de compartilhamento de teus posts nas redes sociais.

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