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Um registro. “Impeachment da Dilma: as lições que não aprendemos”

Marcelo Auler

Postagem do blog no dia 9 de dezembro. retratando a experiência do impeachment de Fernando Collor que serviu de base à decisão do Supremo no dia 17

Postagem do blog no dia 9 de dezembro. retratando a experiência do impeachment de Fernando Collor que serviu de base à decisão do Supremo no dia 17

Não tenho formação em Direito. O que sei a respeito aprendi fazendo coberturas nesta área desde o início dos anos 80, ainda em São Paulo. Na época, Luiz Antônio Fleury era promotor (ou procurador) de Justiça, presidente da Associação do Ministério Público de São Paulo. Nem sonhava ser político. Marcio Thomaz Bastos já brilhava como presidente da OAB-SP.

Tenho a satisfação de ter sido um dos primeiros jornalistas, principalmente no Rio de Janeiro, a olhar com atenção o novo papel do Ministério Público, em especial o Federal, pós Constituinte de 1988.

Costumo brincar com minhas fontes dizendo que sou da época em que Maria Helena Soares Reis Franco era nome de uma excelente juíza, séria, cordial, que um dia interrogando Castor de Andrade manteve com o acusado um diálogo respeitoso e surpreendente. Hoje, infelizmente, ela é, merecidamente, apenas nome do fórum federal da Avenida Venezuela, na zona portuária do Rio de Janeiro.

Pois esta militância jornalistica me deu algum conhecimento na causa. Por isso, deixando a modéstia de lado, enquanto muitos apostavam no voto do ministro Luiz Edson Fachin, proferido na tarde do dia 16 de dezembro, uma semana antes, eu apontava em outra direção quando postei “Impeachment da Dilma: as lições que não aprendemos“. Era um raciocínio lógico, embasado na experiência vivida em 1992 com o impeachment de Collor. Experiência esta que também embasou os votos da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal, a partir da discordância de Luiz Roberto Barroso.

Mas não precisava ter sido testemunho daquela época em que o  jornalismo se fazia com inteligência, mas também, como diz meu amigo Arnaldo Cezar Ricci Jacob, gastando sola de sapato e correndo atrás de informações relevantes. Mesmo quem não viveu a experiência do impeachment de Collor podia fazer algo que hoje, apesar de ser muito mais fácil, pouca gente faz: recorrer aos arquivos dos jornais. Com a informática, se faz isto sem se levantar da cadeira. No início da minha carreira, era preciso ir à pesquisa, contar com a ajuda de pessoas como a Sônia Benevides ou da Suzana Blass, e remexer pastas e pastas com recortes de jornais.

Enfim, é só para modestamente registrar que o resultado da votação no Supremo confirmou as teses que aqui levantamos, tais como “eleição com voto secreto já ficou acertado que só deve ocorrer para a escolha dos nossos representantes no Congresso. Estes, por estarem representando seus eleitores, têm o dever de votar abertamente e serem fiscalizados por quem os elegeu”. 

Fica aqui mais uma previsão que ainda está por se confirmar ou não. A diferença gritante da situação de Dilma Rousseff para o que ocorreu com Fernando Collor. Na mesma postagem, alertamos: ”

“Me perdoem os incautos, muitos dos quais nada têm de ingênuos, mas não existe a menor identificação entre  1992 e hoje. Não há comparação com o que vivemos há 23 anos. Pena que as redações de jornais, depois de mandarem tantos jornalistas para a rua, não guardem memória do que já conhecemos.

Hoje, a sociedade está rachada. Se Dilma teve maioria dos votos nas eleições, pode até não ter a mesma maioria de apoio. As pesquisas, que merecem ser vistas sempre com desconfiança, dizem que não.

Cadê as provas? – Uma diferença, porém,  é fundamental. Fale-se o que quiser de Dilma Rousseff: é autoritária, brigona, casca grossa, sem trato político, etc.. Mas, até o momento, por mais que tentem e insinuem, ninguém conseguiu trazer um fato que comprove ter ela tirado proveito pessoal do dinheiro público ou tenha desviado dinheiro para o partido X, Y, ou Z”.

O tempo, senhor da razão, mostrará se estamos certos ou não. Quem viver, verá.

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2 Comentários

  1. ROBERTO B. disse:

    POIS É DR. AULER, PROVAS SAO COISAS QUE NADA MAIS REPRESENTAM NESSE DESMONTE MIDIATICO DA JUSTIÇA. PESSOAS SAO ACUSADAS SEM PROVAS E CONDENADAS PELA MIDIA, ENQUANTO OUTRAS , COM PROVAS SUFICIENTES, NAO VEM AO CASO…

    VEJAMOS,
    CUNHA E SUA ESPOSA GLOBELEZA – PROVAS DE MANIPULACOES E CONTAS NO EXTERIOR – NAO VEM AO CASO
    DILMA – ABERTURA DE PROCESSO DE CASSAÇÃO DE MANDATO, SEM PROVA ALGUMA.
    LULA -SEM PROVAS FOI OBRIGADO A IR DEPOR “COMO INFORMANTE” ( ???), TEM UM CARA AI QUE ATE PERDEU O NOME , ´E DENOMINADO APENAS “O AMIGO DO LULA”
    DELCÍDIO – SENADOR MEQUETREFE QUE NUM PAPO DE BOTEQUIM DENTRO DO SENADO FALOU UM MONTE DE BRAVATAS, NO JN DERAM A ENTENDER QUE JA TINHA ATÉ ARRUMADO UM AVIAO PRO CERVERO FUGIR !!! – PRESO PELA TIPIFICAÇÃO PENAL DE “CANDINHA DO ANO”
    EMPREITEIROS – TODOS SOLTOS SE ENTREGAREM ALGUM POLITICO, QUEM NAO CAGUETOU, TA EM CANA (???)
    DOLEIROS – TODOS SOLTOS OU “NA MORDOMIA” PORQUE DEDURARAM TODO MUNDO ( ATE QUEM NAO CONHECIA), ALIAS VALE ATÉ CAGUETAR O QUE NAO OCORREU.
    POLÍTICOS – SÓ VÃO PRESOS SE FIZEREM PARTE DO GOVERNO ATUAL, SENÃO, NÃO VEM AO CASO.
    FUNCIONÁRIOS DA PETROBRAS – OS MAIORES BANDIDOS DO CASO. TODOS SOLTOS PAGANDO DE COITADINHOS…
    DELEGADOS FEDERAIS AECISTAS DO PARANA – PELO QUE O MARCELO AULER VEM DEUNCIANDO : GRAMPO ILEGAL NA CELA, GRAMPO ILEGAL NO FUMODROMO, PERSEGUIÇÃO A OUTROS POLICIAIS, FRAUDE EM SINDICANCIA NO GRAMPO DA CELA, GRAMPOLANDIA EM COMARCA DO INTERIOR DO PARANA, DIVERSOS CRIMES NA CUSTODIA DA PF DE CURITIBA, VAZAMENTOS SELETIVOS A IMPRENSA E TUDO ISSO… NAO VEM AO CASO.

    NAO ENTENDO MAIS NADA, VIU,,,

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