Diálogos do secretário privilegiou o mercado no debate sobre Previdência
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E agora golpista (II)?
13 de dezembro de 2016

  Arnaldo César (*)

os-golpistas-da-lista-da-odebrechtA consistência dos nomes e a robustez das evidências que emergiram da primeira rodada de delação da Odebrecht são mais do que suficientes para provarem e comprovarem que o Brasil passou a ser governador, nos últimos meses, por uma suspeita camarilha de grandes ladravazes. Bastou o pintassilgo Cláudio Melo Filho, chefe dos lobistas da maior empreiteira do País, abrir o bico para que viessem à tona nomes e suas respectivas alcunhas como os dos golpistas: Michel Temer, Renan Calheiros (Justiça), Rodrigo Maia (Botafogo), Eliseu Padilha (Primo), Moreira Franco (Angorá), Romero Jucá (Caju), Aécio Neves (Mineirinho), Geraldo Alckmin (Santo), José Serra (qual seria seu apelido?) e “ad caterva”.

Enganam-se, contudo, os que acreditam que eles estão acuados pelo chamado “Tsunami Odebrecht”.  Desde quando a Procuradoria Geral da República permitiu que as revelações de Melo Filho chegassem às páginas dos principais jornais, revistas e às câmeras e microfones do “Jornal Nacional”, os políticos e governantes atingidos estão se movimentando com ligeireza pelos bastidores de Brasília.

Fsalvar-instituicoes-2alam em salvar as instituições e salvar o governo. Para tanto, Temer convocou reunião de emergência na noite de domingo (11/12). Acham que se safam e, consequentemente o governo, atraindo os tucanos – via nomeaçãao de Antonio Imbassahy (PSDB-BA), e anuncio de medidas econômicas, como a aprovação  da PEC do Fim do Mundo, apesar da grande oposição à  mesma. Não percebem que a crise é bem maior. Mas, na verdade, estão de olho mais adiante do que falam no discurso. Querem salvar a própria pele. A propósito vem a calhar uma máxima exposta pelo romancista e jornalista Dalcídio Jurandir, em setembro de 1950, na Voz Operária, jornal do Partido Comunista Brasileiro (PCB) (veja ao lado).

Afinal, a ministra que preside o Supremo Tribunal, Carmen Lúcia – e seus “Toffolinhos Amestrados” – abriram as porteiras da Justiça para toda e qualquer forma de transgressão, na sessão da quarta-feira passada (07/12). Ao criar uma torpe interpretação da Constituição, alegando que Renan Calheiros serve para a presidência do Senado, mas não serve para ocupar interinamente a Presidência da República, deram sinal verde à trupe  Agora, basta alegar que agem em nome da estabilidade econômica e política do Brasil que vale tudo. Até receber de um notório corruptor R$ 10 milhões em dinheiro vivo no caixa 2 e depois usurpar a cadeira de presidente no Palácio do Planalto.

A foto do casal assusta seus companheiros de peripécias na política. Reprodução

A foto do casal assusta seus companheiros de peripécias na política. Reprodução

Já imaginaram como ficariam as faces de Temer e suas mesóclises ou de José Serra e Aécio Neves, ao serem  transportados para alguma dessas masmorras – Curitiba? Brasília? Rio de Janeiro? –  com algemas atando seus punhos? Por isso, todo o esforço do bando de golpistas, agora também acusados de corrupção, é para evitar cenas fortes desse quilate.

Na sexta-feira (dia 10), tão logo as denúncias da Odebrecht se espraiaram pelo Brasil, os líderes da chamada “base aliada” começaram a trocar ideias. O primeiro movimento é no sentido de fortalecer Temer. Pretendem – sabe-se lá como! – montar um escudo de proteção ao presidente usurpador. Toda força será dada a ele para a aprovação da “PEC do Fim do Mundo”. De preferência, logo nos primeiros meses do ano que vem.

Pressão no STF – Feito isso, passarão para um trabalho coordenado de pressão ao ministro Teori Zavascki, o relator dos processos da “Lava Jato”, no STF. Forçarão a mão para que ele anule as delações do lobista chefe da Odebrecht. Exatamente, como feito quando do vazamento do empreiteiro Leo Pinheiro, da OAS.

Zavascki foi um dos que piscou no duelo com Renan Calheiros, juntamente com Carmen Lúcia e seus “Toffolinhos Amestrados”. Talvez, se Fernando Henrique Cardoso, José Sarney e Temer pegarem o telefone e ligarem para pressionar o ministro-relator ele acabe cedendo outra vez.

Após o Supremo fazer o jogo político de liberar Renan Calheiros, a pressão será para anular a deleção da Odebrecht por conta do "vazamento".

Após o Supremo fazer o jogo político de liberar Renan Calheiros, a pressão será para anular a deleção da Odebrecht por conta do “vazamento”.

Uma das grandes aliadas da camarilha golpista é a resignação com que o povo brasileiro vem assistindo esse festival de roubalheira. As manifestações violentas dos últimos dias no Rio têm motivos próprios. São servidores públicos estaduais enfurecidos com atrasos de pagamentos de salários e com um plano estapafúrdio de recuperação das finanças do governo fluminense.

Por ora, PMs encastelados numa catedral, agentes da Força Nacional e até das Forças Armadas estão dando conta de segurar a turba de revoltosos. Por isso, os aliados do governo espúrio têm pressa de se defenderem. Não sabem até quando isso será possível.

Sonho da esquerda – Articulações como as que foram engendradas no STF para proteger o réu Renan Calheiros, se repetidas, indefinidamente,  podem acordar o povo. E aí, só Deus sabe o que poderá acontecer.

Enquanto as coisas continuam sendo tramadas no escurinho do cinema, as esquerdas brasileiras passaram a torcer para que Michel Temer tenha uma crise de consciência e peça o boné para ir embora. E, que isso tudo aconteça antes do Natal, como se a renúncia do usurpador fosse um presente aos brasileiros.

Esperar isso de um traidor convicto como Michel Temer é o mesmo que acreditar em Papai Noel. O ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, nos seus diálogos telefônicos com o poderoso senador Romero Jucá e, mais recentemente, o ministro Marco Aurélio Melo esclareceram com todas as letras e desenhos possíveis que a camarilha que está aí não pensa noutra coisa a não ser  tomar o poder para poderem continuar se locupletando.

O quadro é de desolação. Sem líderes capazes para indicar alternativas e saídas deste imbróglio resta-nos esperar por 2018. Até lá, preparem seus corações para uma sucessão intermináveis de vilanias.

(*) Arnaldo César é jornalista.

5 Comentários

  1. […] Isto, sem dúvida, desagradará aos defensores do Volta Lula! Mas, no momento, seria a única forma de se tentar buscar uma saída que agrade e satisfaça à maioria. Haverá descontentes. Há quem diga que não existe candidato. Mas, certamente, na hora H eles surgirão. O que não é mais possível é assistir o Palácio do Planalto ser ocupado por aquilo que Arnaldo César definiu como “suspeita camarilha de grandes ladravazes” (Os golpistas, agora suspeitos ladravazes da República, vão à luta). […]

  2. C.Poivre disse:

    Contarão com apoio do Beiçola, o dono do stf

    https://www.catarse.me/justopratodos

  3. Marinho disse:

    Correto João de Paiva. Não basta navegar na superfície. Há que mergulhar!

  4. Raul Antonio varassin disse:

    Correto o artigo do Arnaldo César e correta também a complementação do João Paiva.Especialmente quando trata da Operação Fraude a Jato.

  5. João de Paiva disse:

    O articulista reproduz o senso comum, a malta enfurecida, manipulada e tomada pelo ódio nazifascistóide. Em que pese a canalhice dos atores políticos citados, o autor não faz o correto enquadramento da burocracia estatal envolvida no golpe de Estado (PF, MP e PJ). Restringir as criticas apenas ao stf é uma minimização do problema, que abrange TODAS as instâncias do judiciário, a começar pela 1ª, de que exemplo-mor é o criminoso juiz sérgio moro. Sobre esse juiz, os crimes e arbitrariedades que cometeu, o jornalista não dá um pio. Por quê? Concorda o articulista com a forma de atuar do sérgio moro e dos comparsas dele na Fraude a Jato? Enxerga o articulista o linchamento midiático e o assassinato de reputação como sendo as formas corretas e legais de se punir agentes públicos que tenham cometido crimes? Não percebe o articulista que já estamos num Estado de Exceção, que ràpidamente caminha para o pior tipo de ditadura, a do judiciário?

    É claro que Renan calheiros e outros políticos acusados de crimes como ele querem usar como escudo uma lei que puna abuso de autoridade. Mas tal lei é absolutamente correta e necessária. Ou o jornalista que escreveu este artigo não percebe o cometimento de crimes de abuso de autoridade por procuradores e juízes, como os da Fraude a Jato? É muito cômoda e talvez renda muitas curtidas nas redes sociais a adoção desse senso comum que vê ‘nos pulíticu’ o mal maior, o ‘belzebu’ a ser lançado de volta ao inferno. Mas esse tipo de análise e raciocínio rasos só embota a percepção das questões de fundo.

    Mas o autor tem razão quando denuncia que esse papo de ‘defesa das instituições’ é apenas uma desculpa para se arranjar um jeito de proteger a plutocracia, quando pega com a boca na botija. As instituições e o aparato repressor do Estado não existem para garantir os direitos e a segurança dos cidadãos, mas sim o controle das massas pelas classes dominantes. O judiciário é o poder mais mais corrupto, oligárquico e plutocrata; foi concebido para servir às classes dominantes. Quem leu Foucault sabe dessas coisas. Enganam-se os que vêem na Fraude a Jato uma operação para combater a corrupção; o propósito sempre foi o de desmantelar o Estado Brasileiro, impedindo qualquer tentativa de desenvolvimento soberano. O ataque à Petrobrás visa privatizar entregar os ativos dessa empresa aos gringos, assim como a exploração dos imensos campos de petróleo do Pré-Sal. O ataque às empreiteiras não visa combater a corrupção, mas aniquilar toas as empresas brasileiras que eram competitivas no mercado internacional. O ataque a setores estratégicos como o Nuclear, Aero-Espacial e de Defesa foi pensado nos EUA, que comanda o golpe aqui no Brasil. A burocracia estatal brasileira (PF, MP e PJ) foi cooptada pelo alto comando internacional e está a serviço dele; apenas os ingênuos os incautos e os de má-fé não percebem isso. Para levar a cabo esses sórdidos planos era necessário derrubar o governo eleito, aniquilar a Esquerda, o PT e criminalizar os líderes desse espectro político; José Dirceu, José Genoíno, João Vaccari Neto e outros são presos políticos.

    Não podem os jornalistas e analistas independentes e progressistas ficarem apenas na superfície e não abordarem as questões de fundo.

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