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 Arnaldo César (*)

 

Ilustração copiada do JornalGGN

No prólogo do seu best-seller “Medo – Trump na Casa Branca” (Editora Todavia), o premiadíssimo jornalista Bob Woodward conta uma história muito curiosa e preocupante ocorrida no oitavo mês da gestão do atual presidente norte-americano.

Numa atitude típica dos líderes populistas de extrema-direita que ocupam o poder mundo afora, Donald Trump resolveu romper um tratado de livre comércio com a Coreia do Sul, conhecido como Korus.

O mandatário americano ficou furioso ao saber que a balança comercial entre o seu país e a Coreia do Sul apresentava um déficit de 18 bilhões a favor dos sul-coreanos. Também ficou possesso com o fato de que os EUA gastavam US$ 3,5 bilhões anuais para manter uma tropa de 28 mil soldados naquele País da Ásia Oriental.

Aos berros, mandou os assessores rascunharem uma carta rompendo o acordo. O intempestivo Trump não sabia que por trás daquele tratado firmado em 1950 havia um programa confidencial que possibilitava aos americanos controlar a distância as bases de misseis nucleares instaladas, na vizinha Correia do Norte.

Teremos que nos acostumar – Um petardo atômico lançado de lá levaria 38 minutos para atingir, por exemplo, a cidade de Los Angeles. O chamado “Programa de Acesso Espacial”, instalado na Coreia do Sul com a concordância das autoridades de Seul, conseguia eliminar um ataque desse tipo em sete segundos. Protegendo, de imediato, uma população de mais 37,2 milhões de pessoas que vive no Estado da Califórnia.

Nos mapas, as áreas verdes são onde há atendimento médico. No de cima,, sem a presença dos médicos cubanos Embaixo, onde eles estavam atuando. Ou seja, o mapa ficará branco novamente prejudicando os de sempre: pobres, negros e índios. (Copiado do Facebook de Gisele Cittadino)

Uma espécie de “golpe de estado administrativo” acabou sendo perpetrada para que o desatinado Trump não cometesse tamanha estultice. Ou seja, os próprios assessores do presidente se encarregaram de aplicar uma série de manobras protelatórias. Tudo feito com muita sutileza. De maneira que o possesso chefe de estado esquecesse a raiva contra os sul-coreanos. Agiram como verdadeiros “anjos da guarda” dos americanos inocentes que jamais ficaram sabendo do risco pelo qual passaram.

Guardada as devidas proporções é diante de episódios deste naipe que teremos que nos acostumar, aqui no Brasil, sob a égide do governo pilotado pelo não menos alucinado Jair Bolsonaro. O rompimento do programa “Mais Médicos” com os cubanos ou a irresponsável decisão de transferir a embaixada do Brasil em Telavive para Jerusalém são dois desvarios que afetam dezenas de milhões de brasileiros.

Havana agiu mais rápido – No primeiro caso, 8.332 profissionais cubanos que atuam no “Mais Médicos” deixarão o País. Algo como 24 milhões de cidadãos de baixa renda ficarão sem qualquer tipo de assistência médica. Na maioria esmagadora dos casos, são pessoas que vivem nas periferias das grandes metrópoles e nos Estados mais pobres. Veja o estrago que acontecerá no mapa ao lado.

Durante a campanha, depois de visitar uma associação médica de extrema direita que luta contra a presença de profissionais estrangeiros no País, o então candidato Bolsonaro proferiu um amontoado de besteiras, no qual prometia expulsar os cubanos, tão logo assumisse o Planalto, em 2019, com uma canetada (assista ao vídeo ao final). Não precisou ter trabalho de assinar nada. Bastou abrir a boca…

Havana não esperou para ver. Retirou seus médicos, antes de serem humilhados por tamanha boçalidade. O curioso é que entre esses 24 milhões de brasileiros prejudicados com a saída dos médicos cubanos encontra-se uma parcela considerável de evangélicos que votaram cegamente no que eles costumavam enaltecer, durante os cultos, como: “mito”.

No caso da transferência da embaixada em Israel, precisou o Egito suspender uma missão comercial ao Cairo, liderada pelo atual chanceler Aloysio Nunes Ferreira, para que os tresloucados bolsonarianos entendessem que estavam mexendo com fogo. Agora, a equipe em torno do presidente eleito esforçar-se para fazer com que ele, a exemplo do episódio com Trump relatado no livro de Bob Woodward, esqueça a maluquice.

Quem entende do complexo mundo árabe sabe perfeitamente que a partir do momento em que Bolsonaro alinhar a política externa brasileira na Região com a dos Estados Unidos, atrairá para o nosso território todo o ódio terrorista que domina os conflitos do Médio Oriente.

Não será surpresa se a exemplo do que aconteceu em Paris, Madrid, Bruxelas, Nova Iorque, Washington e etc. passasse a se repetir por aqui. Não se admirem se caminhões carregados bombas, parados nas entradas dos metrôs do Rio e de São Paulo, levem tudo pelos ares! O Brasil que sempre teve uma postura pacífica, de mediador desses conflitos, agora, no governo Bolsonaro, passou a integrar rol dos inimigos do mundo árabe.

Atualmente, um saco de soja de 60 quilos está sendo comercializados por R$ 90. É o valor mais alto atingido por esta commodity, nos últimos 40 anos. O maior comprador do Brasil desta leguminosa são os chineses.

Ao comprar briga com a China, Bolsonaro apavora plantadores de soja no país que lhe apoiaram. Arquivo/Agência Brasil

Bolsonaristas conduzidos por ódio – Sem entender muito bem as razões pelas quais Trump se digladia com o governo de Pequim, o recém indicado chanceler do novo governo, diplomata Ernesto Araújo, já andou escrevendo no site particular que ele mantém, que o Brasil precisa rever, suas relações com a China.

O povo do agronegócio, que marchou inconteste ao lado do candidato da extrema-direita, está em pânico. Ele já havia tentado dar um tiro no pé com a unificação dos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente. A golpes de muita saliva, o demoveram

Não satisfeito, porém, ele chamou para trabalhar ao seu lado um chanceler que se declara fã incondicional de Trump. É, portanto, frontalmente contra a globalização que domina as relações econômicas-comerciais-políticas do mundo atual.

É praxe na administração pública brasileira que um novo mandatário mande acabar com tudo que o antecessor fez e retome a sua gestão do zero. Por conta, de asneiras como essas, o País não consegue avançar, especialmente, na implantação de políticas públicas.

Bolsonaro e sua turma de assessores decidiram radicalizar al primado. Pelo visto, tudo que tiver um leve aroma de ter sido criado pelos governos petistas será calcinado sem dó e nem piedade. Pouco se importando se multidão de pessoas serão prejudicadas de uma forma ou de outra.  Isso é típico de quem não traz nenhuma ideia nova para o governo.

Assim como Trump, os bolsonaristas não planejaram a chegada ao poder. Não sabem o que fazer. Atuam na base do estalo. São conduzidos por preconceitos, ódios e tabus. O Brasil e o mundo são infinitamente mais complexos do que a montoeira de opiniões pueris apresentada até agora pelo futuro governo.

É por isso que nos bastidores já correm apostas para saber quanto tempo o Brasil resistirá a este festival de maluquices. Alguns lembram que Jânio Quadro durou sete meses e Fernando Collor dois anos.

Enquanto isso, a nós simples cidadãos-contribuintes resta apenas torcer para que assessores “anjos da guarda, como os que existem ao lado de Donald Trump, também surjam por aqui. Livrando-nos, assim, do mal. Amém!

(*) Arnaldo César é jornalista e colaborador deste blog.

 

 

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2 Comentários

  1. C.Poivre disse:

    Boçalnato quer reduzir salário de servidores públicos em 50%:

    https://www.esmaelmorais.com.br/2018/11/bolsonaro-estuda-cortar-em-ate-50-salarios-de-servidores-publicos/

    PS – Quantos médicos estadunidenses Trump ofereceu para substituir os competentes e queridos médicos cubanos?

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