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Compartilho: Nem tudo se perdeu. A esperança ainda resiste

Marcelo Auler

Compartilho, do Balaio do Kotscho, de meu companheiro e irmão de longa caminhada nesta vida profissional, ma snão apenas nela, o artigo postado no sábado (05/12) a respeito de um casal de amigos em comum que enfrentam as dificuldades com sorriso no rosto e fé nos seus corações.

É um exemplo de que nem tudo está perdido nesta sociedade que a cada dia  dá muitos sinais de intolerância, desesperança, fracasso.

Talvez nossos olhares e atenções estejam de tal foma bloqueados por tudo o que vem sendo noticiado e comentado que não nos permite enxergar ao redor exemplos como este. Eles existem e são em quantidade muito maior do que imaginamos. A sociedade, felizmente, não está completamente dominada pelo ódio e o rancor. A solidariedade – não como partido político -persite e traz também a fé em dias melhores.

Basta acreditarmos e lutarmos para ajudar a quem do lado passa por privações muito maiores. Fica o exemplo no texto do Kotscho.

De onde menos se espera, um fio de esperança

Publicado em 05/12/15 às 10h41

A solidariedade ainda existe e alimenta a esperança - Foto - Ricardo Moraes/06.11.2015/Reuters - reprodução do Balaio do KOstcho

A solidariedade ainda existe e alimenta a esperança – Foto – Ricardo Moraes/06.11.2015/Reuters – reprodução do Balaio do KOstcho

O casal Souza mora numa zona rural nos arredores de São Paulo. Juvenal e Lúcia são profissionais liberais sem emprego fixo, típico casal classe média-média, têm dois filhos adolescentes e, como tantos outros paulistanos, anos atrás resolveram sair de São Paulo para recomeçar a vida numa comunidade ecológica, onde ainda dá para respirar ar puro, dormir de janela aberta, criar galinhas, cuidar dos cachorros, cultivar uma horta no quintal, esticar uma rede na varanda e ficar vendo a vaquinha no pasto.

Tudo caminhava bem, a família logo se adaptou à nova rotina e começou a fazer amizades entre os vizinhos. Até o dia em que Juvenal recebeu o veredito do médico no ano passado: apareceu um câncer na cabeça. Os nomes são fictícios para preservar a privacidade da família, mas a história é real.

Entre as 40 pessoas de um grupo de oração ecumênico reunidas num hotel-fazenda, no último final de semana, para o retiro espiritual que fazemos todo ano, Juvenal e Lúcia certamente eram as que estavam enfrentando as maiores dificuldades.

O chororô da turma foi geral, como era de se esperar neste momento da crise que se abate sobre todos nós, sem perspectivas de que as coisas possam melhorar tão cedo. O que vai acontecer com a gente?, era a pergunta que estava nos olhos de todos. Nos depoimentos que se sucediam, só se ouvia casos de perda de emprego, falta de dinheiro, doenças na família, desesperança.

De onde menos se podia esperar, porém, veio um fio de esperança. Uma das últimas a falar, Lúcia surpreendeu a todos quando começou a contar a sua história com um sorriso no rosto. “Eu só tenho que agradecer a tanta gente por podermos estar aqui hoje”. A seu lado, Juvenal, que tinha acabado de sair de mais uma delicada cirurgia, só ficava ouvindo. Embora  já não fosse o mais engraçado e esporrento do grupo, tinha uma aparência serena. E o teu gado?, perguntei-lhe, brincando. Ajeitando o chapéu que não tira mais da cabeça, deu a velha gargalhada. “Tive que vender tudo…”. Ou seja, a sua única vaca de estimação.

Em vez de ficar blasfemando contra o destino, Lúcia enumerou uma a uma as pessoas que ajudaram a família nestes tempos difíceis. Muitas ela nem conhecia direito. Só ficava sabendo depois que fulana levou comida para as galinhas e deu água para os cachorros, a outra aguou a horta, um terceiro levou os seus meninos para a escola, enquanto ela cuidava do marido no hospital, bem longe dali. Para completar, o câmbio do velho carro deles quebrou, e o conserto custava uma fortuna. Carona nunca faltava, podiam até escolher o carro…

Se tem um sentimento que o nosso povo não perde nunca é o da solidariedade, como acabamos de ver ainda agora na tragédia de Mariana. Lá tiveram até que pedir para ninguém mais mandar doações porque não havia aonde estocá-las.

Uma vaquinha daqui, outra dali, uma doação anônima acolá, como por encanto as coisas foram se ajeitando. O baixo astral do ambiente deu lugar à emoção de ouvir Lúcia, segurando um saquinho de pano junto ao peito. Ao final da sua fala, em vez de pedir qualquer coisa, ela tirou dali pequenos envelopes com sementes de flores colhidas no seu jardim para oferecer aos orantes.

Ficou todo mundo só se olhando, sem conseguir falar nada, esperando na fila para lhe dar um forte abraço.

Falar o quê?

Vida que segue.

Original foi publicado no Balaio do Kotscho.

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