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Marcelo Auler

Tweeter de Carluxoi com depoimento prestado ao MP. Isenção, Gussen?

Na tarde de terça-feira (05/11) o procurador-geral de Justiça do Rio, Eduardo Gussem, distribuiu carta a seus pares defendendo o trabalho do Ministério Público do Rio de Janeiro, que ele chefia, na apuração do Caso Marielle.

No texto, como noticiado pelo EstadãoProcurador-geral do Rio defende promotoras na investigação do caso Marielle – ele garante que a instituição não foi parcial na investigação que apura o assassinato de Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, em 14 de março de 2018.

A busca da verdade real não se submete a preferências ideológicas ou partidárias, decorrendo, isto sim, do inarredável compromisso institucional com a defesa da ordem jurídica e o combate à criminalidade”, assinalou Gussem na carta, segundo a reportagem citada acima.

Na mensagem a seus pares, ele ainda tratou de defender a colega Carmen Eliza Carvalho, que se afastou da apuração do caso após ser apontada como bolsonarista convicta. Ela não apenas apareceu em redes sociais com camiseta do “mito”, como posou para fotos ao lado do deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL-RJ), que ganhou fama ao rasgar a placa de rua com o nome de Marielle Franco.

Poucas horas depois de Gussem garantir a seus pares que o trabalho do MP-RJ “não se submete a preferências ideológicas”, o vereador Carlos Bolsonaro – que não pertence ao Ministério Público, tampouco é parte nesta investigação – deu motivos para se colocar em dúvida a isenção apregoada pelo chefe do MP do Rio.

Ele postou, na sua conta do twitter, vídeo de um depoimento prestado por Élcio Vieira de Queiróz, um dos acusados dos dois assassinatos. No vídeo editado, Carluxo limita-se a publicar a parte em que o suspeito – o mesmo que esteve no Condomínio Vivendas da Barra alegando ir à cassa 58, de Jair Bolsonaro – afirma não ter antipatias com partidos de esquerda. Para justificar essa falta de antipatia, diz ter sido assessor da prefeitura de Nova Iguaçu quando o prefeito era Lindbergh Farias (PT).

Ou seja, sem fazer parte da investigação e sem nem mesmo ser alvo dela – o que hoje já não se pode falar do seu pai, Jair Bolsonaro – o vereador usou de um depoimento que deveria ser confidencial, prestado a membros do Ministério Público, para uma provocação política.

Talvez, agora, Gussem deva novamente se esclarecer perante seus colegas. Pois na visão de muitos deles, o simples fato de o Ministério Público Estadual do Rio estar fazendo uma investigação paralela é algo a ser questionado. Tal como um promotor postou nas redes sociais, para um grupo de colegas de todo o Brasil:

Depoimento prestado ao MP enquanto existe inquérito policial em andamento?
Existe uma apuração paralela no MP que só produz informações úteis ao Bolsonaro?
É pra isso que derrubaram a famigerada PEC37?
Pode isso, Arnaldo?”

 

 

 

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