Nita Freire: “não podemos deixar desmoronar as nossas esperanças!”
22 de junho de 2016
“Quem acha vive se perdendo”
23 de junho de 2016

A conjunção carnal é a “melhor parte do estupro” para o promotor Alexandre Joppert

Marcelo Auler

imagesA indignação foi grande por parte dos candidatos às vagas abertas para o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e de quem estava no auditório assistindo à prova oral. Nem deveria ser diferente.

Afinal, coincidentemente, nessa semana o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu processar o deputado Jair Bolsonaro por incitação ao estupro.

Apesar disso, na quarta-feira (22/06) um membro do MPRJ, o promotor Alexandre Couto Joppert, durante a prova oral do concurso de ingresso, ao descrever uma situação fática de um possível estupro coletivo, foi mais do que infeliz na colocação que fez afirmando  que um dos supostos marginais “fica com a melhor parte, dependendo da vítima. A conjunção carnal“.

O áudio da questão vai abaixo, mas além dele, que pode gerar duvidas, há a transcrição da conversa que me foi feita por quem estava presente na provae, mais abaixo, uma postagem feita no Face book.

“Informações: em prova oral realizada no dia 22/06/2016 para ingresso na carreira do Ministério Público Estadual, o Promotor de Justiça Alexandre Couto Joppert, ao arguir um dos candidatos, narrou o seguinte caso hipotético: “imagine que 5 homens resolvem estuprar uma mulher, mediante violência física e grave ameaça. Um segura a mulher, o outro aponta a arma; outro guarnece a porta da casa. o outro FICA COM A MELHOR PARTE, dependendo da vítima. Faz a conjunção carnal”.

O dependendo da vítima, segundo a interpretação de quem ouviu, significaria que se a mulher fosse”bonita”, seria a melhor parte.

Transcrição do fato na página do Face book.

Transcrição do fato na página do Face book.

O assunto já chegou ao Face book, e mereceu repúdio geral, pelo menos em uma postagem que reproduzimos ao lado com a preocupação de escondermos os nomes dos envolvidos. Repito aqui o comentário feito pela pessoa indignada:

“(…) a cada 11 minutos uma mulher é estuporada no Brasil. E ainda assim, um integrante do Ministério Público, no exercício de função pública, acha razoável expressar esse tipo de comentário. Até quando a igualdade de gênero será levada a sério?”

Se o comentário já seria incompatível com a função que exerce o promotor, o que se dirá então dele ter sido feito durante uma prova oral, na qual estava presentes, no minimo, 40 pessoas, metade delas, pelo menos, mulheres que nitidamente se indignaram e começaram a sussurrar quando o promotor fez o comentário. Consta que a professora de Direito Eleitoral, Gabriela Araújo Teixeira Serra, única mulher na banca de quatro arguidores, engoliu a seco, ao ouvir a pergunta.

comentario no face editado2No auditório do quarto andar do prédio anexo à sede do MPRJ, na Avenida Marechal Câmara, as 40 pessoas assistiam à prova, muitas delas por conhecerem algum dos candidatos. Na arguição ao jovem a quem fez a pergunta sobre o estupro coletivo, o promotor Joppert ainda fez um comentário irônico, de que o candidato “tinha muitas fãs”, dada a presença de muitas mulheres assistindo. Mal sabia, que algumas das pessoas ali presentes torciam por outros candidatos.

A postagem acima feita no Face book às 23H00 da noite de quarta-feira recebeu prontamente diversos comentários e, como se verifica da imagem, 187 compartilhamentos até às 11h45 da manhã desta quinta-feira.

Nos comentários, consta que o próprio Ministério Público do Rio de Janeiro gravou toda a prova. Não se sabe se em vídeo ou apenas em áudio, mas provavelmente a gravação estará melhor do que a que foi postada acima.

Pela manhã, o blog entrou em contato com a assessoria de comunicação da Procuradoria Geral de Justiça do Rio de Janeiro em busca de um posicionamento da instituição e também para ouvir o promotor Jopper. Mas, até finalizarmos esta edição às 12h35 não houve qualquer espécie de retorno da PGJ. Tampouco do promotor Jopper.

Como sempre, o espaço aqui continua aberto para qualquer esclarecimento que s instituição ou o próprio promotor queiram dar.

13 Comentários

  1. O corpo. O corpo para um psicopata é um objeto a ser manipulado, uma “mão de obra” a ser explorada, abusada, eliminada, queimada (como aconteceu com um repórter dai do Rio). O depoimento desse funcionário público ao se desculpar mostra como ele não se implica com relação a violência que cometeu. Quem viu filme chamado “Abutre” logo percebe como os normopatas estão se disseminando nessa sociedade doente em que estamos vivendo. O abutre quer carne, sangue e não tem um pingo de sentimento. Eles estão se disseminando nos aparelhos judiciais, na política, nas escolas e universidade. Temos um vice presidente usurpador, um abutre que corta verbas da saúde, da educação, desemprega sem nenhuma sensibilidade. Os abutres, como esse agente da justiça, estão estão ai. A cada minuto uma mulher é estuprada… Será que é só as mulheres? É só verificar a mortalidade infantil para compreender a dimensão da violência em que vivemos.

  2. […] concurso de acesso ao Ministério Publico Estadual do Rio de janeiro, conforme noticiamos aqui em A conjunção carnal é a “melhor parte do estupro” para o promotor Alexandre Joppert e Promotor confirma comentário sobre estupro e pede desculpas […]

  3. Sereno disse:

    Não sei quem é mais nocivo:
    Um servidor público representante da acusação, diante de um evento extremamente traumático para a vítima, declarar que existe alguma coisa boa nesse crime abominável; ou,
    Um cidadão achar que discutir/condenar uma declaração dessas é perda de tempo.
    Este é um espaço para debate, segundo os gregos, para politikós e não para idiótes.

  4. Cadastro disse:

    Putaquepariu como vocês são chatos. Que discurso de ódio. Como vocês são preconceituosos. Bebem, falam mal de vida alheia, e querem ganhar voz criticando algo sem importância. Arrumem louça pra lavar, grama pra carpir ao invés de perder tempo com isso.

  5. […] durante a propositura de um questão na prova oral do Ministério Público do Rio de Janeiro, o promotor Alexandre Joppert, ao narrar a dinâmica de um crime de estupro relaizado coletivamente diz […]

  6. João de Paiva disse:

    Comento depois que o promotor se desculpou e emitiu nota oficial. Mas o pedido de desculpas e a nota não recuperam a confiança, a credibilidade e o respeito perdidos. Douglas Kirchner, que torturava ou permitia que torturassem a esposa Thamires, só foi demitido porque jornalistas independentes o denunciaram e porque o energúmeno usou de ilegalidades criminosas não só para achacar e perseguir o ex-presidente Lula, como pra vazar informações sigilosas para veículos do PIG. O CNMP queria cozinhar o caso até que vencesse o prazo do estágio probatório, que terminou em 14 de maio. Diante da forte repercussão negativa, o PGR entrou em cena e pressionou o CNMP a demitir Douglas.

    Esse caso envolvendo o promotor Alexandre Couto Joppert não tem a mesma gravidade do de Douglas Kirchner, mas considero suficiente para que o promotor seja afastado do serviço público; é inadmissível que um promotor demonstre ou insinue apoio ou simpatia a uma atitude criminosa ou que qualifique de maneira positiva qualquer das partes ou papéis de um ato criminoso, cometido por mais de uma pessoa, como é o caso do estupro coletivo. Se o MP fosse uma instituição séria e a serviço dos cidadãos e dos direitos destes, certamente Alexandre Joppert receberia punição exemplar. Mas o MP é corporativista e protege os seus; nada deve acontecer ao promotor que proferiu esses absurdos. TODAS as corporações jurídicas (sejam elas de advogados, promotores ou juízes), assim como as associações e conselhos médicos são marcadas pelo espírito de corpo; o instinto de auto-preservação e distinção nessas categorias profissionais de longe superam o interesse público, que deveria nortear a atuação dos profissionais.

  7. António Azevedo disse:

    Que escolaridade terá este sujeito? Qual a sua profissão?. Se fõr profissão ligada ao estado, ao ensino, então rua com ele com um forte pontapé num sítio sensível.
    P. que o Pariu.

    • Hercules Prado disse:

      O problema deste “cidadão” não é escolaridade ou educação formal. Trata-se de uma grave deformação moral e ausência de empatia que remete a sintomas de psicopatia em alto grau. S aceita por seus pares, tende a enlamear completamente aquela Instituição.

      Muito triste ver pessoas como esta encasteladas no Poder Público …

  8. C.Pimenta disse:

    Quanto à corregedoria do MP, nada se pode esperar. Está tudo dominado pelos bolsonaros da vida.

  9. Mara disse:

    Pára esse mundo q eu quero descer, eu queria ver se fizessem isso com a filha dele

    • Eunice disse:

      Com a filha dele, não, pois seria mais uma violência contra mais uma mulher. Com ele, sim, para que pudesse sentir na pele o que ele chama de melhor parte. Esse promotor deveria ser preso por seus comentários. As pessoas precisam se dar conta de palavras são atos!

  10. […] durante a propositura de um questão na prova oral do Ministério Público do Rio de Janeiro, o promotor Alexandre Joppert, ao narrar a dinâmica de um crime de estupro relaizado coletivamente diz […]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *