O$ mistério$ que rondam Queiróz, o “amigo” dos Bolsonaros
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Marcelo Auler

Pode ser mera coincidência. Ou mesmo um grande esforço, por parte de uma jovem determinada a vencer na vida. Mas, diante da revelação da Folha de S. Paulo, em 11 de janeiro passado – Bolsonaro emprega servidora fantasma que vende açaí em Angra – não chega a ser exagero imaginar que o hoje presidente eleito Jair Bolsonaro, bem como seu filho, o deputado estadual Flávio Bolsonaro, podem ter abrigado outros servidores fantasmas em seus gabinetes. Agora depende apenas de uma boa apuração dos fatos.

Coincidência ou não, segundo informações recebidas pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), Nathalia Melo de Queiroz, filha mais velha do subtenente da PM Fabrício José Carlos de Queiroz, enquanto servidora da Assembleia Legislativa (março de 2011 e julho de 2012) e da Câmara dos Deputados (abril de 2016 a abril 2017), também esteve contratada em academias de ginásticas do Rio de Janeiro. Queiroz, como noticiado aqui em O$ mistério$ que rondam Queiróz, o “amigo” dos Bolsonaros, na condição de assessor do deputado Flavio Bolsonaro movimentou mais de R$ 1,2 milhão em conta bancária de forma, ao menos, pouco usual, por isso, colocada sob suspeita.

Não há nada que impeça servidores da ALERJ ou da Câmara Federal de acumularem serviço com outras atividades. Desde que consigam dar conta da carga horária exigida pelo serviço público. Mas nas duas casas legislativas não existe ponto. A frequência é atestada pelo parlamentar ao qual o servidor está relacionado. Na Câmara dos Deputados também há a possibilidade de o servidor trabalhar na chamada “base” do deputado. O que justificaria Nathalia ser servidora de Jair Bolsonaro em Brasília e continuar morando no Rio.

Estranho, porém é que Nathalia, nascida em abril de 1989, pouco depois de completar 18 anos, em setembro de 2007, tenha ingressado no quadro funcional da ALERJ e, quatro anos depois, em março de 2011, sem deixar o emprego público, passou a trabalhar como “recepcionista” da Norte Fitiness Center, Academia de Ginastica Ltda.. Ficou empregada ali até, provavelmente, julho de 2012. Segundo registros da Receita Federal, o CNPJ desta academia – 08.179.113/0001-08 – teve baixa em abril de 2013, ao ser incorporado ao de outra empresa.

Jair e Flavio Bolsonaro empregaram a família de Fabrício, que movimenta a misteriosa conta de R$ 1,2 milhão de forma suspeita,.

Durante 17 meses ela acumulou os dois serviços. Sendo que na ALERJ, em 2011, tanto ocupou o cargo de “Dirigente do Serviço Público Federal” como o de “Assistente Administrativo”, conforme informações recebidas pelo líder do PT, Paulo Pimenta. No fundo, exercia a função de assessora parlamentar.

Ela deixou o emprego da ALERJ em dezembro de 2016, no mesmo mês em que sua irmã menor, Evelyn, nascida em julho de 1994, portanto com 22 anos, assumiu uma função como “assessora parlamentar”. Cargo no qual se encontra até hoje recebendo R$ 7.550,00 líquidos, como registra a folha de pagamento de outubro.

No mesmo mês de dezembro de 2016, porém, Nathalia ingressou na Câmara dos Deputados, em Brasília, como secretária parlamentar do pai de Flávio, o deputado federal Jair Bolsonaro. Em janeiro de 2017, seu salário líquido foi de R$ 8.752,58. Menos, portanto, que os R$ 9.207, líquidos que teria recebido como última remuneração na ALERJ, conforme informou Lauro Jardim, em sua coluna de O Globo – Flávio Bolsonaro empregou em seu gabinete família de PM monitorado pelo Coaf. (Na página de transparência da ALERJ aparecem os salários de 2017 e 2018).

Ao mesmo tempo em que se dedicava como secretaria parlamentar do hoje presidente eleito, Nathalia conseguiu tempo para trabalhar, já não mais como recepcionista, mas como professora – provavelmente personal trainer – em outra academia de ginástica. Durante o ano de 2016 e alguns meses de 2017 ela estagiou também na Sports Solution Academia Ltda.  (CNPJ 09.450.173/0001-86). Segundo dados da Receita Federal, localiza-se na Avenida do Pepe, na Barra da Tijuca.

Como já se afirmou acima, não há ilegalidade no acúmulo de funções, desde que a carga horária no emprego público seja preenchida. Mas a frequência não é atestada por ponto e sim pelo parlamentar que requisita o servidor, ainda mais no caso daqueles que trabalham no estado de origem do político, distante de Brasília. Isso permite levantar suspeita de servidores fantasmas ou, simplesmente, desviados de suas funções.

Em Angra dos Reis, a Folha confirmou a servidora fantasma de Bolsonaro. No Rio terá ocorrido o mesmo?

Como ocorria com Walderice Santos da Conceição, 49 anos, servidora do gabinete de Jair Bolsonaro desde 2003, mas que a reportagem da Folha flagrou vendendo Açaí na na pequena Vila Histórica de Mambucaba, em Angra dos Reis, onde o deputado tem casa de veraneio. Ela também, segundo a reportagem de Camila Mattoso e Ítalo Nogueira, prestava serviços como doméstica, cuidando da casa do parlamentar. Função não prevista no quadro da Câmara dos Deputados.

Nathalia e Evelyn são filhas de Debora Melo de Queiroz, hoje com 57 anos, provavelmente a primeira esposa de Fabrício José. Debora, que oficialmente reside no apartamento onde Fabrício morou na Praça Seca, em Jacarepaguá, como as filhas e como a atual companheira do ex-marido, Márcia Oliveira Aguiar, também já foi servidora da ALERJ.

Esteve empregada no Palácio Tiradentes a partir de dezembro de 2003, justamente o primeiro ano do mandato de Flávio Bolsonaro como deputado estadual. Permaneceu na função até maio de 2006. Coincidência ou não, em março de 2007, conforme noticiou Lauro Jardim na mesma nota citada acima, quem passou a ser empregada da ALERJ, como consultora parlamentar, percebendo salário de R$ 9.835,63, foi a atual esposa de Fabrício, Márcia. Ficou no cargo até setembro de 2017.

Márcia atualmente, como registrou a reportagem de Juliana Castro e Igor Mello, em O Globo desta terça-feira (11/12/2018) – Ex-assessor de Flávio Bolsonaro, que movimentou R$ 1,2 milhão, vive em local simples na Taquara (RJ) – divide uma mais do que modesta casa – “em um beco de um local simples na Taquara, na Zona Oeste do Rio” – com o subtenente que até bem recentemente recebia líquido algo em torno de R$ 17.538,00, como mostramos na reportagem anterior, citada acima. Um apartamento melhor, na Praça Seca, em Jacarepaguá, também Zona Oeste do Rio, em condomínio que conta, inclusive, com piscina, foi destinado a Debora, a primeira mulher. Com ela, não reside nenhuma das duas filhas. Nathalia mora no bairro de Oswaldo Cruz, zona Norte do Rio. Evelyn, a menor, mora com o pai.

 

 

 

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6 Comentários

  1. C.Poivre disse:

    Finalmente a presunção de inocência prevista na Constituição é aplicada!

    http://www.tijolaco.net/blog/sigilo-total-para-fabricio-o-unico-inocente-ate-prova-em-contrario/

  2. C.Poivre disse:

    Informações vazadas sobre a iminência da “Operação Furna de Onça” da PF permitiu que Embolsonaro fosse poupado para não perder eleição:

    https://www.viomundo.com.br/denuncias/pt-sugere-que-familia-bolsonaro-soube-antes-da-operacao-furna-da-onca-e-tomou-medidas-para-se-proteger.html

  3. João de Paiva disse:

    A pergunta que fica é: O PIG/PPV descobriu isso agora? Ou fez uma parceria com o COAF e com os generais da junta, para esperar o Bozo, boneco de ventríloquo, ser eleito por meio de uma eleição farsesca e fraudulenta?

    Uma segunda dúvida é: O COAF sabe da vida financeira e a PF, assim como o GSI/SNI e ABIN devem conhecer o teor dos telefonemas feitos ou recebidos pelos torquemadas e savonarolas, desde os idos da década de 1990; sendo assim, pode ser questão de tempo, talvez breve, para que os batons nas cuecas do torquemada araucariano e seu discípulo no RJ venham a público.

  4. Clemson Otero disse:

    A Wal Açai também fez depósitos na conta dos Bolsonaros, digo, do Fabrício Queiróz?????

  5. Luiz Antonio Ferreira disse:

    Esqueceram do Renato Bolsonaro, irmão do Jair Bolsonaro funcionário fantasma da ALESP que foi descoberto e demitido, tinha salário aproximado de R$20.000,00 ?

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