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Sidney Rezende demitido. “Chega de notícias ruins”

Reprodução do Blog sidneyrezende.com

Marcelo Auler

Reprodução do Blog sidneyrezende.com

Reprodução do Blog sidneyrezende.com

Está difícil acompanhar tudo o que acontece no dia-a-dia. Por isso, somente hoje, domingo (15/11) soube da demissão, na sexta-feira (13/11) do jornalista Sidney Rezende da GloboNews, onde estava desde 1997. Trata-se de um profissional, colega, amigo, que conheço desde os anos 80, quando eu trabalhava no Jornal do Brasil e ele já brilhava na Rádio JB. Cheguei a participar de programas da rádio com ele.

Depois o acompanhei na CBN, de onde foi defenestrado para dar lugar à Lucia Hippolito, uma cientista política, historiadora. estranha troca, de um jornalista experiente por uma cientista política à frente de um jornal de rádio. Me pareceu que ela foi movida por interesses políticos da emissora. Algo que jamais confirmei. Ficou apenas a hipótese da Hippolito entrar para adaptar a programação aos interesses das Organizações Globo.

Ao noticiar a demissão de Rezende, Flávio Ricco, do UOL TV e Famosos, deu as declarações da Globo em um comunicado oficial. É algo surreal:

“A notícia procede, e a confirmamos inclusive a pedido do jornalista. Ao dar a notícia de que o contrato não seria renovado, Ali Kamel, diretor de jornalismo e esporte, fez questão de enaltecer para Sidney Rezende a sua qualidade profissional e o excelente desempenho dele nos muitos anos que trabalhou para a TV Globo. Explicou que relações profissionais podem ser interrompidas, sem que isso signifique que não possam ser retomadas mais adiante. A Globo só tem elogios à conduta profissional de Sidney, um jornalista completo”.

Não me cabe discutir politica empresarial. Como ouvinte, a GloboNews perde mais um. Como admirador de Rezende, pelo caráter, profissionalismo e mesmo a amizade que mantemos à distância, presto aqui minha homenagem republicando partes do texto  que ele postou, na véspera de ser demitido,em seu blog pessoal fazendo duras críticas ao jornalismo praticado no Brasil. Se há ou não ligações entre os dois fatos, não tenho como responder. Mas minhas suposições são que sim. Ao republicar trechos, o faço por concordar com as críticas que faz à imprensa. A íntegra pode ser vista no blog dele clicando aqui:

“Há uma má vontade dos colegas que se especializaram em política e economia. A obsessão em ver no Governo o demônio, a materialização do mal, ou o porto da incompetência, está sufocando a sociedade e engessando o setor produtivo(…)

Uma trupe de jornalistas parece tão certa de que o impedimento da presidente Dilma Rousseff é o único caminho possível para a redenção nacional que se esquece do nosso dever principal, que é noticiar o fato, perseguir a verdade, ser fiel ao ocorrido e refletir sobre o real e não sobre o que pode vir a ser o nosso desejo interior. Essa turma tem suas neuroses loucas e querem nos enlouquecer também (…).

Se pesquisarmos a quantidade de boçalidades escritas por jornalistas e “soluções” que quando adotadas deram errado daria para construir um monumento maior do que as pirâmides do Egito. Nós erramos. E não é pouco. Erramos muito (…)

É hora de mudar. O povo já percebeu que esta “nossa vibe” é só nossa e das forças que ganham dinheiro e querem mais poder no Brasil. Não temos compromisso com o governo anterior, com este e nem com o próximo. Temos responsabilidade diante da nação”.

3 Comentários

  1. João de Paiva disse:

    É como tenho comentado: os profissionais do jornalismo que não se comportarem como sabujos ou porta-vozes dos patrões estão ameaçados de demissão. Apenas ‘colonistas’ patronais e repórteres pautados pelos patrões vão sobreviver à crise estrutural, à onda de reacionarismo, conservadorismo partidarismo e golpismo, que assolam os grandes veículos da mídia comercial brasileira.

    Os hipócritas dirão: “Mas o jornalista tem de seguir as ordens de quem lhe paga o salário!” Cada profissão tem seu código de ética; e tenho certeza de que no do jornalista um dos termos é que ele deve buscar sempre a verdade e se pautar pelo interesse público, seja esse favorável ou contra o dos patrões. O ‘Ataulpho’ e os pitbulls do semanário da decadente Abril são exemplos de ‘colonistas’ patronais; esses ainda terão emprego, antes da falência dos veículos a que servem. Míriam (Big Pig) também não corre riscos de ser demitida; Ricardo Boechat, de independente se transmutou em porta-voz dos Saad, garantindo sobrevida (a)no emprego. Já os que ousam desafiar a imposição patronal, dançam; Xico Sá e Sidney Rezende são apenas dois dos últimos exemplos, os quais confirmam essa tese.

  2. Maria da Conceição g. Diogo disse:

    É, mais uma vez te tiram o tapete. O que te aconteceu para entrada da lucia, foi uma sacanagem e agora, foi imperdoável. Você ainda vai encontrar pessoa de visão que saberá apreciar e utilizar a sua competência. Boa sorte e dê notícias, quero te seguir.

  3. Grande perda para a Globo News, grande oportunidade para o mercado. Um excelente repórter está disponível!

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