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Arnaldo César  (*) 

 A boçalidade do momento político vivido pelo Brasil não se resume a uma ministra de Estado atirar uma taça de vinho na cara de um senador. Ou, de um grupo de deputados se estapearem, na frente das câmeras, em pleno plenário da Câmara Federal. Nem mesmo o fato de um chantagista compulsivo ocupar o terceiro mais importante cargo da República causa espanto.

Painel Impeachment.Afinal de contas, o mentor ideológico deste cidadão, o vice-presidente, conspira livremente no eixo Brasília-São Paulo e é aclamado pelas elites como uma das soluções para tirar o País do atoleiro.  Até a postura estabanada da Presidente do País, diante de tão graves questões, causa estupor.

Admirável mesmo é o primarismo dos que desejam surrupiar na mão grande a cadeira de Dilma e imaginam que o “ronco das ruas” irá ajudá-los nesta complicada missão. Quando políticos e governantes precisam que o povo vá para as ruas é o sinal evidente de que eles falharam fragorosamente como representantes dos interesses dos eleitores.

Na democracia, como se sabe, quando o povo tem que se manifestar, faz isso dentro de uma urna. Deputados e senadores existem não só para legislar. Mas também para evitar confrontos e buscar soluções. Governantes são eleitos pela maioria para garantir à Nação qualidade de vida, prosperidade e segurança.

Ver o “príncipe dos sociólogos”, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ao lado do senador derrotado nas últimas eleições presidenciais, Aécio Neves, instigando o povo a se manifestar nas ruas provoca pesar. Logo eles que sempre cobraram, dentro e fora do poder, responsabilidade dos políticos e governantes.

Esquecem ambos que, nem sempre, o “ronco das ruas” ecoa na direção pretendida. Em 1992, o então presidente Fernando Collor de Mello, igualmente às voltas com um processo de impedimento, rogou para que os brasileiros saíssem às ruas vestindo as cores da bandeira nacional. O povo, que não é bobo, saiu de preto – a cor do luto. Semanas depois, Collor foi apeado do poder.

Vai que o povo – essa figura abstrata – não concorde com a tese golpista das oposições! Faça, então,ao contrário do que estão lhe pedindo.  Em vez de bater nas portas do Palácio do Planalto, poderiam, por exemplo, marchar revoltados em direção a um estiloso edifício de apartamentos de Higienópolis, em São Paulo. Lá, mora o ex-presidente tucano.

Ou numa hipótese mais provável, vai que esse bom e velho povo decida acertar contas com o atual aliado dos tucanos e um dos responsáveis pelo caos que está tomando conta do País? E, ai marche em direção a um condomínio no Itanhagá, na Barra.

Lembram-se do ex-governador do Rio, Sérgio Cabral? A experiência dele como esse negócio de “ronco das ruas” não é das mais edificantes. Em meados de 2013, “roncaram” na porta do Palácio Guanabara e na residência dele no Leblon mais de um mês. Só sossegaram, quando ele desistiu de se candidatar ao Senado.

A presidente sempre teve o hábito de trocar os pés pelas mãos. Tirá-la de lá – a golpes de ilações jurídicas – pode afrontar a maioria dos que votaram nela. Portanto, é bom não esquecer nunca um ditado muito comum no interior do Paraná: “criança que bole com fogo, invariavelmente, sai queimada ou mijada”.

 

(*) Arnaldo César – é jornalista.

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