Qual a saída para a crise? Lula saberá?

diretas já e fora temer
Temer, Maia, a esquerda e muitas incertezas!
17 de julho de 2017
Na entrevista ao Blog Ultrajano, Lula deixou sem resposta a questão levantada por José Trajano: Como recuperar a esperança? (Foto: reprodução)
Após entrevista de Lula, como ser otimista?
22 de julho de 2017
Ao meio dia, Na Sala do Zé, Lula responderá a Trajano se sabe qual é a saída para o Brasil.

Ao meio dia, Na Sala do Zé, Lula responderá a Trajano se sabe qual é a saída para o Brasil.

Marcelo Auler

Ao meio dia, Na Sala do Zé, Lula responderá a Trajano se sabe qual é a saída para o Brasil.

Ao meio dia, Na Sala do Zé, Lula responderá a Trajano se sabe qual é a saída para o Brasil. Será no blog www.ultrajano.com.br,

Dúvidas e incertezas povoam a cabeça de muitos nestes tempos de golpes e contragolpes..Não apenas simples eleitores, mas também pessoas tarimbadas, que durante as décadas acumuladas na vida acompanharam de perto a política brasileiros. Muitos, ainda crianças, ou já adolescentes, viram a ditadura se instalar com o golpe civil-militar de 1964. E contra ela lutaram. Alguns até pegaram em armas, enfrentaram a repressão nas ruas e foram vítimas nos quartéis e centros de torturas. Destes, não poucos sucumbiram à barbárie.

Outros, por falta de coragem ou mesmo por opção de luta, a enfrentaram a seu modo, no dia a dia do trabalho – jornalistas, artistas, advogados – driblando (ou tentando driblar) a censura, alimentando campanhas pelo fim da tortura; denunciando as  atrocidades; erguendo as bandeiras da Anistia, das Diretas Já e do retorno ao Estado de Direito, com uma Constituinte, que acabou acontecendo em 1988.

Todos, de uma maneira em geral, hoje se mostram perplexos com o que vem ocorrendo e, principalmente, com a apatia da população: Cansaço? Desesperança? Descrédito na Política? Este estado de DESânimo assusta ao mesmo tempo que leva ao questionamento: “Qual a saída?” Uma que será apresentada nesta quinta-feira (20/07), ao presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva.

Será ao meio-dia quando José Trajano, veterano coleguinha com anos de militância política e experiência jornalística, receberá, em São Paulo, “Na Sala do Zé“, Lula, para uma entrevista ao vivo, com transmissão pelo seu blog – aqui – e pelo Youtube. Com ele estarão o não menos experiente Juca Kfouri e ainda Carlinhos Vergueiro e Antero Greco.

Charges do Henfil reeditadas por seu filho, Ivan, na campanha pela volta da democracia no país (*),

Charges do Henfil reeditadas por seu filho, Ivan, na campanha pela volta da democracia no país (*).

A própria republicação das charges do Henfil (*) que marcaram época na luta contra a ditadura, não deixa de ser mais uma forma de indignação contra tudo o que acontece e que vem atingindo muita gente, inclusive, alguns bem escolados na luta contra a ditadura.

Sobre as incertezas que todos demonstram, abordamos aqui no blog em Temer, Maia, a esquerda e muitas incertezas! e  outros também andaram escrevendo, uns já em maio passado.

Como, por exemplo, Frei Betto que, em artigo publicado em maio – Reclamar menos, atuar mais! – já dizia que não consegue sequer ver o túnel, quanto mais alguma luz. No texto, ele confessa:

Não lembro de ter vivido conjuntura tão incerta. Na ditadura os atores, de um lado e outro, eram definidos. Agora não. Há um assombroso retrocesso no país, e é praticamente insignificante a reação de quem se lhe opõe.

A reforma trabalhista jogou por terra mais de 70 anos de conquistas laborais. A terceirização passou ao primeiro lugar. A reforma da Previdência condena os brasileiros mais pobres a uma vida toda de trabalho forçado, pois dificilmente terão sobrevida após 49 anos de aluguel de sua força de trabalho aos patrões, a preço salarial irrisório“.

Chatge de Henfil, reeditadas por seu filho, Ivan, no Instituto Henfil(*).

Charge de Henfil, reeditadas por seu filho, Ivan, no Instituto Henfil(*).

Reclama ainda da falta de iniciativas no combate aos retrocessos políticos. Adverte que não bastam as discussões, protestos e queixas através das redes sociais. Em seguida, cobra a organização do povo para as eleições de 2018.

Para se contrapor a essa conjuntura, não basta abastecer as redes sociais de ofensas, ironias, ressentimentos e piadas. É preciso organizar a esperança. Ter clareza de como proceder nas eleições de 2018 e qual o projeto de Brasil dos nossos sonhos.

Ele adverte e, em seguida, indica um caminho:

Eleições, contudo, não mudam um país. O que muda é o fortalecimento dos movimentos sociais, o aprofundamento ideológico à luz do marxismo, o resgate da utopia e a militância junto aos segmentos empobrecidos da população.

Buscar a alternativa socialista brasileira com visão crítica das experiências socialistas historicamente existentes.

Há que resistir a essa avassaladora cooptação feita pelo neoliberalismo. A direita avança no mundo todo. A desigualdade se acentua: oito indivíduos, segundo a Oxfam, possuem a mesma renda de 3,6 bilhões de pessoas, metade da humanidade.

Ricardo Kotscho, em seu Balaio do Kotscho, também lança a mesma questão no artigo: “Qual é a saída? É viver um dia de cada vez?“. Ele se confessa incrédulo, sem saber o que fazer. Aponta para a apatia do povo em geral até em coisas mais corriqueira: como, por exemplo, a morte de cidadãos em São Paulo por conta do frio, sem provocar qualquer indignação .

Não basta cobrar providências dos poderes públicos, que alegam falta de recursos para tudo, menos para comprar votos e salvar a própria pele.

Será que não temos nada a ver com isso? Vamos ficar todos encolhidos em casa debaixo de cobertores esperando o inverno e a crise passarem para ver o que sobrou?

Kotscho relaciona a apatia da sociedade com o descrédito e o desinteresse na vida política do país, fazendo então uma advertência:

Quando a alienação e o egoísmo imperam nas relações humanas, fica mesmo mais difícil encontrar uma saída para o conjunto da sociedade.

Se todo mundo passar a cuidar só da própria vida e do futuro da família, quem é que vai zelar pelos destinos da pátria comum?

O problema de quem não quer mais saber “falar de política” é que acaba sendo governado por quem gosta muito de política para fazer negócios e manter seu poder a qualquer preço.

No final da história, quem acaba pagando este preço somos todos nós, cada vez mais endividados“.

Uma resposta a Kotscho está no mesmo artigo de Betto, ao abordar a discussão entre a vida pessoal e a preocupação com o social:

Temos apenas duas escolhas: cuidar de nossa vida biológica, como estudar para obter emprego e, graças ao salário, sustentar a família, esperando que a sorte não nos empurre para a pobreza; ou imprimir à vida um sentido biográfico, histórico, ao assumir a militância da luta por justiça, liberdade e defesa intransigente dos direitos humanos.

Não nos basta informação. É preciso investir em formação, de modo a construir uma alternativa de sociedade que, a meu ver, deve consistir no ecossocialismo“.

Nem assim, porém, Betto se mostra confiante. Demonstra isso na pergunta com que fecha o artigo. Algo que muita gente se questiona diante da falta de perspectiva de uma eleição direta e de todas as tentativas de impedirem a participação de Lula em uma  disputa eleitoral ou, ao que parece, até de sobreviver dignamente, como ficou claro com o bloqueio indevido – como se constata em Eugênio Aragão: despacho de Moro que sequestra bens de Lula ‘é uma chicana’.

Há uma pergunta, como mostrou Betto, no ar:

Fora Temer? E o que colocar dentro?”,

A entrevista de hoje a Trajano é uma boa oportunidade para Lula ajudar a descobrir qual a saída que teremos.

(*) Charges do Henfil que recorrentemente publicamos no Blog, , estão sendo reeditadas por seu filho, Ivan, na campanha pela volta da democracia no país, desde o golpe que derrubou Dilma Rousseff e que agora caça direito dos trabalhadores. Estas charges, imprensas em camisetas e outros produtos estão disponíveis na Loja da Graúna.

Apoio:

Advocacia Eny Moreira

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