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Chapa 2, Médicos Unidos, formada por opositores à permanência de Jorfge Darze no sindicato após 18 anos, conquistou a eleição na sexta-feira (24/03). Reprodução Facebook

Marcelo Auler

Chapa 2, Médicos Unidos, formada por opositores à permanência de Jorfge Darze  no sindicato após 18 anos, conquistou a eleição na sexta-feira (24/03). Reprodução Facebook

Chapa 2, Médicos Unidos, formada por opositores à permanência de Jorfge Darze no sindicato após 18 anos, conquistou a eleição na sexta-feira (24/03). Reprodução Facebook

Ainda que em termos numéricos a representatividade tenha sido pequena – dos 16.800 sindicalizados aptos a votarem compareceram às urnas 732 eleitores, o que correspondeu a 4,3% dos associados, em termos comparativos com a eleição anterior (2014), a participação cresceu 266%, pois na eleição anterior participara da escolha apenas 200 eleitores. De qualquer forma, o retrato que insurge na eleição da semana passada no Sindicato dos Médicos do Município do Rio de Janeiro é o de uma categoria desmobilizada. Isto, apesar dos problemas que a maioria dos médicos sofrem na pele, seja na relação com o Poder Público, seja junto aos Planos de Saúde. Afinal, os 732 que foram votar não correspondem nem a 5% do quadro social apto a votar.

O significativo, porém, foi a retomada da entidade pela categoria com a derrota do ex-presidente Jorge Sale Darze, que há 18 anos ocupava o cargo. A principal chapa de Oposição, Médicos Unidos, presidida por Jorge Luís do Amaral, o Bigú, que tem como vice-presidente Leôncio Feitosa, conquistou o mandato pelos próximos três anos com 377 votos (51%). Darze recebeu 299 votos (41%). A chapa 3 teve 6%, com 41 votos.

Com esse resultado, Darze deixará o sindicato após seis mandatos consecutivos que totalizaram 18 anos. Na verdade, desde dezembro o SindMed do município do Rio é governado por uma Junta, após o afastamento judicial da antiga diretoria, que deixou de convocar a tempo as eleições, o que foi interpretado como uma manobra para prorroga sua permanência.

Como noticiamos na postagem Médicos fluminenses reagirão?, (20/03), “a Chapa 2, reúne profissionais que há algum tempo se posicionavam contra a eternidade de Darze à frente da entidade sindical. Seus membros estão comprometidos com a defesa intransigente do Sistema Único de Saúde – SUS, ameaçado pelo ministro do governo ilegítimo, o engenheiro civil Ricardo Barros, que se tornou político profissional pelo PP do Paraná. Na eleição de 2014, quando reconquistou a cadeira de deputado federal, contou com ajuda financeira de, pelo menos, um dono de empresa de planos de saúde”

No tapetão – Ainda na semana da eleição (de segunda-feira, 20/03, a sexta-feira, 24/03 -, a chapa do presidente afastado tentou mais uma manobra para ficar no Sindicato. Recorreu ao tapetão, judicializando a disputa. Ingressou  na 65ª Vara do Trabalho apresentando uma Ata de Assembleia na qual constava o afastamento do candidato à presidência pela oposição, Bigú. Era uma questão antiga, mas demonstrava o desespero diante da perspectiva de perda da entidade.

Uma liminar até foi expedida, com a suspensão da participação do candidato da oposição. Mas, no dia seguinte, por identificar que houve a chamada Litigância de má-fé, o juiz Fábio Correia Luiz Soares, voltou atrás em sua decisão e multou o autor da ação, o médico Rogério Antonio Silva Barros em 2% do Valor da causa, como consta da decisão, abaixo)

Juiz da 65ª Vara do Trabalho cassa liminar e multa correlegionário de Darze

Ao ingressar com a ação e deixá-la ser distribuída a qualquer Vara, Silva Barros usou de uma artimanha e induziu o juízo a erro, pois o assunto já é tratado em outro processo na 74ª Vara do Trabalho do Rio, em cujo processo discute-se a validade da Ata da Assembleia que afastou Bidú. Ao ser informado da duplicidade de ações sobre um mesmo assunto, ainda que teoricamente com autores diferentes o juiz revogou a liminar e determinou a multa, mandando transferir os autos para a Vara que vem tratando dessa discussão e que, inclusive, afastou Darze do cargo.

Como a entidade sindical está sendo governada por uma junta, a expectativa é que a nova diretoria tome posse nessa semana (27 a 21 de março) ou, mais tardar, no início da próxima. Ao final da apuração dos votos, na madrugada do sábado (25/;03), o já eleito vice-presidente, Leôncio Feitosa, comemorou:

“É um momento histórico na luta da classe médica com participação massiva dos profissionais. O sindicato foi devolvido a seus verdadeiros donos: os médicos. Agora é o momento de aprofundar a luta em defesa da nossa classe, dos profissionais de saúde em geral e da democracia de nosso país”.

1 Comentário

  1. Romildo Bomfim disse:

    Parabéns a chapa 2!!!!
    Que, não obstante os ataques da Chapa 1, teve forças e mobilização suficientes rumo à vitória.

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