O que escondem as maletas da Polícia do Senado?

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Na foto, as diversas maletas, de tamanho variado, apreendidas no Senado. Suspeita-se que também haja aparelho de escuta. Reprodução da Internet.

Na foto, as diversas maletas, de tamanho variado, apreendidas no Senado. Suspeita-se que também haja aparelho de escuta. Reprodução da Internet.

Entre as maletas apreendias estava uma com um boroscópio, que serve para procurar objetos dentro de um espaço vazio, oco, como um cano.

Entre as maletas apreendias estava uma com um boroscópio, que serve para procurar objetos dentro de um espaço vazio, oco, como um cano.

Marcelo Auler

Tudo indica que o clima de beligerância ocorrido entre o Senado Federal, o ministério da Justiça, a Polícia Federal e o Judiciário, ainda subirá alguns tons, apesar dos elogios do presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiro (PMDB-AL), à ministra Carmem Lúcia, presidenta do Supremo Tribunal Federal (STF).

Entre as maletas apreendias estava uma com um boroscópio, que serve para procurar objetos dentro de um espaço vazio, oco, como um cano.

E o será, não apenas por conta de dois projetos em apreciação no Legislativo. O primeiro deles – contra abuso das autoridades – é mal visto por membro do Judiciário, Sérgio Moro à frente. Outro, que magistrados, procuradores e promotores defendem com respaldo de parte da sociedade – dez medidas combate à corrupção – sofrerá necessárias mudanças para adaptá-lo ao Estado Democrático de Direito.  Isto desagradará seus idealizadores, especificamente o procurador da República paranaense Deltan Dallagnol.

O clima de desentendimento, segundo admitem alguns técnicos no assunto, poderá ser motivado pelo conteúdo que for encontrado nas famosas maletas apreendidas pela Polícia Federal junto à Polícia do Senado, na desastrada Operação Métis, já avocada para o STF pelo ministro Teori Zavascki.

Oficialmente, a Operação teve por objetivo coibir o rastreamento de escutas possivelmente instaladas em residências e escritórios de senadores. Esse tipo de serviço, segundo revelou o presidente do Senado, Renan Calheiros, foi solicitado por 15 dos atuais senadores e dois ex-senadores. Também foi feito um pedido de rastreamento pelo ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Mas, a partir das declarações do próprio delegado que cuida do caso, Felipe Alcântara Leal chefe da Divisão de Contrainteligência da Polícia Federal, é possível se levantar a suspeita de que algo mais existe a despertar o interesse da polícia Federal. Por exemplo, verificar se a polícia do Senado não estaria também “grampeando” que anda investigando os senadores. Trata-, a partir do que o próprio delegado falou na imprensa e do que dizem técnicos neste assunto. se, na verdade, de uma hipótese

Ao insistir junto ao ministro Teori Zavascki para que a perícia nas maletas seja concluída antes da remessa das mesmas para o STF, como determinado na semana passada, conforme noticiou a Folha de S. Paulo na reportagem PF pede a Teori para concluir perícia nas maletas antigrampo do Senado, publicada dia 28 (sexta-feira), O delegado levantou esta hipótese do grampo:

Na foto, as diversas maletas, de tamanho variado, apreendidas no Senado. Suspeita-se que também haja aparelho de escuta. Reprodução da Internet.

Na foto, as diversas maletas, de tamanho variado, apreendidas no Senado. Suspeita-se que também haja aparelho de escuta. Reprodução da Internet.

Na peça, o policial detalha o que pretendia saber ao analisar as maletas, como, por exemplo, se elas funcionam como escutas ou possuem câmeras, se a memória foi apagada e desde quando vinham sendo usadas, entre outras”, diz a matéria.

Segundo o delegado, a maleta de varredura é um “importante meio de obtenção de provas, uma vez que possui registros de memória de dados de rastreamento”.

“Oportuno esclarecer que tais maletas analisam espectros de frequência para varreduras eletrônicas, não distinguindo por óbvio, se são elas legais ou ilegais. Assim sendo, sublinho a possibilidade de as maletas detectarem escutas lícitas”, ressaltou o delegado.

Mais ainda. Segundo um técnico no assunto ouvido pelo blog, as maletas destinadas a monitoramento, escaneiam faixas de frequência, inclusive de ERB’s (Estações Remotas Base. que ficam junto às antenas de telefonia celular). Ele explica:

“Se a residência de um determinado alvo estiver próxima a uma ERB e o mesmo utilizar o celular nesse ponto e a maleta estiver escaneando todos os usuários daquela ERB, basta o operador da maleta se deslocar para a ERB de outro ponto que o mesmo alvo frequente (trabalho, por exemplo) e escanear também. Caso ela identifique dois imei’s (número de identificação do celular) coincidentes, da primeira ERB e da segunda ERB, muito provavelmente o usuário será o alvo, então, bastará a maleta focar naquele dispositivo para ouvi-lo“. (grifei)

Há maletas de tamanhos e formatos diferentes, como se verifica na foto acima. Através das fotos publicadas em jornais e na internet, foi possível identificar uma delas. Trata-se de um boroscópio que, como um aparelho de endoscopia, possui uma haste flexível com uma câmera na extremidade, para vasculhar espaços fechado, como interior de tubulações. Teoricamente, serve também para instalar nestes espaços microaparelhos de captação de som ou imagem.

“Pelas dimensões (das maletas apreendidas) essas podem ser que também monitorem celulares, mas tenho dúvidas, pois seria absolutamente ilegal”, lembra o técnico com quem conversamos a respeito.

O boroscópio que o blog identificou pelas fotos, é de origem americana. Os principais aparelhos nesta seara, porém, são os israelenses – “aí é coisa de qualidade”, reafirma o técnico por nós consultado. De qualquer forma, são dispositivos cuja venda fica restrita a órgãos estatais de segurança.

Em outra reportagem na Folha, do dia 21 de outubro, foi tornado público que Maletas antigrampo custaram pelo menos R$ 403 mil ao Senado. Nela, porém, fala-se na compra de quatro equipamentos, com dispensa de licitação, da empresa americana Berkana Defense & Security, com sede na cidade de Wilmington, no estado de Delaware (nordeste dos EUA). Foram duas unidades “Oscor Green 24GHz”, ao custo unitário de US$ 35 mil, outras duas maletas “Talan Telephone and Line Analyxer”, ao custo unitário de US$ 20 mil, entre outros equipamentos.

Pelo que se verifica na foto acima, porém, foram recolhidas mais maletas – ali aparecem, pelo menos, oito. Entre estas quatro não está o boroscópio identificado a partir da foto da abertura desta postagem. Logo, é preciso saber ao certo todo o material de contraespionagem que o Senado adquiriu e como ele veio sendo usado ao longo deste tempo. Uma das primeiras possibilidades de se começar a desvendar esses mistérios é a conclusão da perícia solicitada pela Polícia Federal. Isso, porém, dependerá do interesse do próprio ministro Zavascki.

Apoio:

Advocacia Eny Moreira

10 Comentários

  1. Marco Antonio Machado Rodrigues disse:

    Parabéns Marcelo!

  2. Fabio Brito disse:

    Aos PARLAMENTARES DE ESQUERDA que DERAM AS COSTAS AO POVO!!!

    “Os covardes morrem várias vezes antes de sua morte, mas o homem corajoso experimenta a morte apenas uma vez.” William Shakespeare.

    Não adiantam fingir que defendem o povo ao chamarem a Rede Globo de GOLPISTA e depois irem dar entrevistas na GLOBO e suas afiliadas.

    Não adianta mais chamarem os golpistas de CANALHAS e ficarem num JOGO DE CENA que não busque impedir que este GOLPE se consolide!

    Vamos tomar nossa HISTÓRIA EM NOSSAS MÃOS e vamos juntos com a Marcha Para Brasília e Cerco ao Palácio do Planalto, DEPOR TEMER e REEMPOSSAR DILMA.

    #MarchaBrasiliaDeporTemerReempossarDilma

    https://rebeldesilente.wordpress.com/2016/10/30/aos-parlamentares-de-esquerda-que-deram-as-costas-ao-povo/

  3. Manu disse:

    Por isso que o torquemada que validar provas obtidas de boa fé kkkkkk

  4. João de Paiva disse:

    Prezado Marcelo Auler, prezados leitores.

    Se eu não fosse brasileiro, não vivesse neste País assolado pelo golpe de Estado que derrubou um governo legítimo, eleito por 54.501.118 compatriotas e as instituições burocráticas do Estado (PF, MP e PJ) não estivessem tomadas por ORCRIMs, como a Fraude a Jato, e se o governo golpista, corrupto, privatista e entreguista, assim como as quadrilhas políticas e midiáticas que o integram e apóiam não tivessem implantado um Estado de Exceção – uma ditadura midiático-político-policial-judicial – que reprime e retira direitos dos cidadãos, eu estaria assistindo de camarote essa briga entre as polícias legislativa, federal e o Judiciário. As duas polícias, assim como o STF e o Congresso Nacional são eivadas de organizações criminosas institucionais ou constituem esse tipo de ORCRIM e NÃO merecem a mínima confiança.

  5. D. Borelli jr. disse:

    Não sou advogado, logo pergunto: Se este material todo foi obtido por uma busca e apreensão emitida por um juiz (dito juizeco…) que não tinha jurisdição para isso, essas provas não seriam ILEGAIS? Ou em casos excepcionais, o magistrado poderá desrespeitar a Lei a seu bem entender, conforme decisão do TRF no caso do juiz Moro da escuta e divulgação dos áudios ilegais . Fica parecendo aquele seriado americano 24 Horas, em que o agente Jack Bauer tortura os suspeitos de terrorismo para descobrir onde foi colocada a bomba… Vale tudo para atingir os objetivos da investigação, seja lá o que isso possa significar. Tempos sombrios….. Abs……

    • Alan Souza disse:

      Só tem um porém: o juiz que autorizou a operação recebeu o material do próprio STF. Isso ficou claro em pelo menos duas reportagens, da Folha (http://folha.com/no1824896) e Valor (http://bit.ly/2fnH1jN). No despacho do juiz este determina a ciência ao ministro Teori (http://bit.ly/2f5rbHk), mais uma prova de que o assunto veio do STF à 1ª Instância. Logo, ficou claro que há uma ponta da Operação Métis no STF coberta pelo foro privilegiado, e que o STF mandou pra 1ª Instância o que não era abrangido pelo foro privilegiado.

      Teori fez o que fez muito mais por conta das ameaças de Renan, de votar a PEC que acaba com a aposentadoria compulsória para os juízes condenados e o PL do abuso de autoridade, do que por dúvidas sobre extrapolamento de competência da 1ª Instância…

    • Marcelo Auler disse:

      Prezado D. Borelli Jr. A resposta ao seu questionamento esperamos receber do ministro Teori Zavaskcji. Teoricamente, trata-se do que chamam de fruto da arvore contaminada. Atenciosamente.Marcelo Auler

  6. […] Fonte: O que escondem as maletas da Polícia do Senado? | Marcelo Auler […]

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