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O leitor não é otário

Arnaldo César  

Quem se deu ao trabalho de acompanhar, através dos grandes jornais, as andanças do ex-presidente Lula, desde quando proferiu a frase: “o PT perdeu o seu sonho e só pensa em cargos”, deve estar se achando o mais otário de todos os otários.

A partir daquele encontro com religiosos, no último dia 22, no instituto Lula, em São Paulo, o ex-presidente passou a ser tratado pela Folha, Globo e Estadão como o mais recente opositor ao governo da presidente Dilma. Todas as matérias cravavam que ele estava se descolando da sua cria para poder preservar as chances de reeleição em 2018.

Os tolinhos de plantão se esmeraram em artigos repletos de ilações. Elaboraram textos copiosos para provar que Lula se aproveitou da ausência de Dilma (em viagem oficial pelos Estados Unidos) para tramar contra ela, em Brasília. Tudo por que havia marcado encontros com as lideranças do próprio PT e com dirigentes do Congresso.

Os mesmos jornais reconstituíram, nesta quarta-feira (01/07), fragmentos das conversas conduzidas por ele, na capital da República. O caradurismo é estarrecedor. Agora o principal líder dos petistas aparece, nas páginas, como um estadista responsável, pedindo união e cooperação ao esforço de Dilma para vencer a crise e recolocar o País no rumo do crescimento.

Na semana passada, ele estava chutando o pau da barraca. Em menos de dez dias, o noticiário se encarregou de produzir uma fenomenal metamorfose. Transformou o então político indignado e enfurecido com seu próprio partido num pacato conciliador propositivo. Será que o Lula é uma figura tão mercurial, assim? Pode até ser.

Mas isso, não livra a cara da nossa imprensa. Em nenhum momento, as matérias apontaram que o ex-presidente mudou de postura. Assim como nunca esclareceram aos crédulos dos leitores sobre a história de que ele teria comprado, por R$ 1,8 milhão, um luxuoso apartamento tríplex, de 297 metros quadrados, no Guarujá, no litoral paulista. O que era uma vergonhosa “barriga” (jargão jornalístico para informações inconsistentes) permanece como uma escandalosa “pança”.

Lula e Dilma na posse do segundo mandato dela - Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

Lula e Dilma na posse do segundo mandato dela – Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

Há décadas, a coerência e compromisso com a verdade foram chutados para escanteio. Já não se separa mais a militância política do exercício profissional do jornalismo. Agora tudo é uma coisa só. E, o leitor – se quiser – que escolha o seu clube e “vamo que vamo”!

A democracia sempre funcionou melhor nos lugares em que a opinião pública é bem informada. Levar informações com imparcialidade aos cidadãos é um dos fundamentos do jornalismo. Pena que tais conceitos não são levados a sério! Hoje em dia são vistos apenas como aquelas frases bem intencionadas pintadas nos para-choques dos caminhões.

A questão não é proteger ou atacar o Lula, a Dilma ou o PT.  Eles têm meios, recursos e braços para defendê-los.

Mas quem protege o leitor do jornalismo engajado, omisso e mentiroso?

1 Comentário

  1. João de Paiva disse:

    A única forma de se proteger é NÃO proporcionando audiência a esses veículos que desinformam, manipulam e deformam. Há um ano não leio os chamados jornalões e revistonas , não assisto e não ouço emissoras comerciais de rádio e tv, nem acesso os portais da chamada “grande mídia”. Se sinto falta? Nenhuma. Fico desinformado? Ao contrário, com a internet e blogs como este eu obtenho informação muito mais qualificada.

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