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Wilson Ramos Filho (*)

riquinhoNão precisava daquilo. Nasceu em berço esplêndido, frequentou as melhores escolas, os mais requintados espaços, clubes de “gente de bem”. Ganhou presentes caros, do bom e do melhor, não precisava de mais nada.

Mas queria ser aceito na turma, sempre quis, a qualquer custo. E queria, um dia, ser ele mesmo, não o filho de não-sei-quem. Azarado, virou “inho” por ter o mesmo nome do pai. Sina, pensou, embora nunca o tenha confessado. Não era de confessar. Bom menino.

Teria, enfim, o reconhecimento da turma, da galera a quem sempre admirou. Não precisava. Tinha de tudo, era da turma que tem o poder real, da turma que leva na coleira quem tem mandato e não tem vergonha. Curiosamente preferia estar na outra ponta da guia, envergar a coleira, mesmo sem precisar. Talvez a perversão decorresse do presente que os seus lhe deram. Mesmo sem precisar, tendo vários sob cabresto, queria mais, quis estar de ambos os lados, dublê de si mesmo, orgulho do papai, virou um daqueles que a família ostentava, trazidos na coleira.

Provaria que tinha capacidade, assumiria os riscos, se encarregaria pessoalmente da tarefa. Não precisava, desde a infância tinha motoristas, serviçais e até, como convém, um mordomo para lhe ajudar com as próprias roupas quando mamãe considerou, sorriso maroto, inadequado que  continuasse a ter babá. Era “perigoso”, comentou com as amigas no chá das quartas,  depois que lhe surgiram pelos nas axilas (não tem sovaco, detalhe anatômico incompatível com os de sua classe).

Precisar não precisava. Mas não perderia a oportunidade de provar a todos que enfim se emancipara, que agora já era capaz de tudo, que não mandaria, não delegaria, assumiria ele próprio, primeira vez na vida, o que lhe competia. Seria um deles, igualzinho a eles. A mão que sempre alimentou a matilha serviria para algo, assumiria o relevante papel de estafeta. Não considerou, no começo, nada errado tirar um pouquinho para si. Depois da bronca levada, choroso diante da injustiça em face da bagatela, resolveu devolver contrariado. Não estava acostumado. Fazem um estardalhaço por uma ninharia, pensou. Que gente!

Dormiu orgulhoso naquela e nas próximas noites. Era um deles, seria em breve reconhecido pelo feito heróico. Adrenalina bombando, correu uns 30 metros, ele próprio, sem a ajuda de ninguém, e pegara a mala para o chefe. Não precisava, podia ter mandado o motorista.

Rodriguinho, bom menino, se tornara um deles. Não precisava, quis. Por tanto tempo sonhara com o dia em que seria Rodrigo. Venceu! Cresceu.

Hoje não é um bom dia para Rodrigo. Não entende ainda muito bem o que aconteceu, o que deu errado. Está um tantinho contrariado. Mas não confessa. Bons meninos não confessam.

(*) Wilson Ramos Filho, Xixo, é curitibano, Doutor, professor de Direito da UFPR.

1 Comentário

  1. C.Poivre disse:

    O corretor de imóveis infiltrado no MP e o agente da CIA travestido de “juiz” emporcalham o sistema judicial:

    https://caviaresquerda.blogspot.com.br/2017/06/como-evitar-que-dallagnois-e-moros.html

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