Ou mudamos todos, ou nada mudará
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Carta ao pai Henfil
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Marcelo Auler (*)

Pedro Cardoso, usando da própria TV Brasil, defendeu a democracia e combateu o racismo do presidente daquela TV.

Foi algo inesperado e surpreendente. Uma aula do que é o respeito à democracia, à luta de uma categoria e acima de tudo a condenação ao racismo arraigado na mente de muitos

Na tarde desta quinta-feira (23/11/2017) o ator Pedro Cardoso deveria aparecer na TV Brasil falando do lançamento de um livro.

O que se viu foi a defesa da democracia, as críticas ao governo golpista de Michel Temer, e a condenação da atitude do presidente da própria Empresa Brasileira de Comunicação – EBC, Laerte Rimoli, por postagens de cunho racista no Facebook.

Eu, diante desse governo que está governando o Brasil, tenho muita convicção de que as pessoas que estão fazendo essa greve provavelmente estão cobertas de razão. Então eu não vou falar do assunto que eu vim aqui falar, nem de nenhum outro”.

Convidado a ir ao programa Sem Censura falar sobre o Livro dos Títulos, romance que está lançando, pegou de surpresa a apresentadora Katy Navarro ao denunciar a greve dos servidores da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), mantenedora da TV Brasil:

Eu não vou responder essa pergunta nem nenhuma outra. Porque quando eu cheguei aqui hoje encontrei uma empresa que está em greve. Eu não participo de programas de empresas que estão em greve“.

De forma respeitosa com todos os participantes do programa – além de Katy estavam lá o cantor e percussionista Carlos Negreiros, o professor Lúcio Lage e o ator Hugo Bonemer, que em silêncio estavam e em silêncio permaneceram –  não entrou no mérito da atitude daqueles que estavam “furando” a greve.

Eu vim senta aqui por que, além da greve, que não me cabe julgar, não conheço a negociação, não estou a par, também não me cabe emitir opinião a respeito de quem está fazendo a greve ou está aqui trabalhando. Cabe a mim o maior respeito a todos vocês. Aos que estão parados e aos que estão trabalhando e aos que estão aqui“.

Mas, de forma hábil, porém, foi ao estúdio não só para anunciar a greve, como também se solidarizar com a colega Thaís Araújo, vítima de postagens de cunho  racista no Facebook pelo presidente da EBC, Rimoli.

O que eu soube também quando cheguei aqui é que o presidente desta empresa aqui, que é uma empresa que pertence ao povo brasileiro, fez comentários, extremamente inapropriados, a respeito do que teria dito uma colega minha onde a presença do sangue africano é visível na pele. Porque o sangue africano está presente em todos nós. Em alguns de nós está presente também na pele. Mas em todos nós ele está. Então, se esta empresa, que é a casa do povo brasileiro, tem na presidência uma pessoa que fala contra isso,  eu não posso falar do assunto que eu vim falar aqui.”

Ao final, Katy conseguiu controlar a situação, defendendo o direito democrático de Cardoso expor sua opiniãoe partiu para o intervalo.

Da RBA

FNDC vai denunciar presidente da EBC por racismo contra Taís Araújo e filho

Se Estado de Direito estivesse em pleno funcionamento, Rimoli já deveria ter sido afastado, diz FNDC (Foto Reprodução da RDA)

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) pretende denunciar o presidente da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), Laerte Rimoli, que compartilhou memes pelo Facebook debochando de declaração da atriz Taís Araujo, que recentemente afirmou que seu filho é vítima de racismo.

Em uma das imagens compartilhadas por Rimoli, uma garotinha supostamente foge da atriz e de seu filho, acompanhado da frase “quando você percebe que é o filho da Taís Araújo na calçada”. Outra imagem com teor similar foi postada na última segunda-feira (20), Dia da Consciência Negra.

Em vídeo divulgado na semana passada, Taís Araújo participou de uma palestra intitulada “Como criar crianças doces em um país ácido”. E afirmou que “A cor do meu filho faz com que as pessoas mudem de calçada”.

Para a jornalista Renata Mielli, coordenadora do FNDC, as postagens de Rimoli são graves porque racismo, no Brasil, é crime. “E se tornam mais graves ainda por incompatíveis com a função de um gestor de comunicação pública, que deveria zelar pelo fim de todas as formas de discriminação, pelo respeito à diversidade e aos direitos humanos”, observa.

Segundo a coordenadora do fórum, o fato de Larte Rimoli dedicar parte de seu horário de expediente a tripudiar sobre assunto de extrema gravidade explica, em parte, o processo de desmonte da EBC e do desprezo do governo pela comunicação pública.

“Racismo já é crime. Agora, praticado por um gestor de uma empresa pública de comunicação é totalmente absurdo. Nos causa profunda indignação. Vamos fazer o que estiver ao nosso alcance para denunciar e exigir que as medidas cabíveis sejam adotadas”, diz Renata.

A ação de Rimoli, que também é jornalista, ocorre dias depois de o apresentador da Rede Globo William Waack ter sido afastado pela emissora após a divulgação de vídeo em que é flagrado dando declarações racistas.

A coordenadora do FNDC diz que, se o Estado de direito estivesse em vigor no Brasil, Rimoli deveria já ter sido afastado das suas funções. “Como ele é um preposto de um governo golpista, que é conivente com práticas discriminatórias e racistas, não sei se sofrerá algum tipo de sanção.”

No início da tarde desta quarta-feira (22), Rimoli publicou em seu Facebook um pedido de desculpas a Taís e sua família “por ter compartilhado um post inadequado em minha timeline”.

(*) Matéria reeditada para acréscimo de informações colhidas da RDA

 

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1 Comentário

  1. Giordano disse:

    Esse Pedro Cardoso é um sujeito ético e direto. Se todo mundo agisse assim, a tal vida em sociedade até que poderia se tornar num fardo mais suportável.
    Quanto à Taís Araújo, ele tem mais é que ir em frente, orgulhosa de poder estar se expressando por milhões de pessoas vítimas de qualquer tipo de preconceito, e que nem têm pra quem apelar.
    Essa coisa de racismo é reprodução, de geração em geração, da estupidez humana.
    Raça humana só existe uma, a não ser a dos supremacistas, que consegue superar todo o conjunto de babaquices que a humanidade vem acumulando desde a caverna.

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