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MPF pede para prorrogar prazo em um IPL que ,segundo o juiz, está parado desde 14 de setembro de 2016

Marcelo Auler

MPF pede para prorrogar prazo em um IPL que ,segundo o juiz, está parado desde 14 de setembro de 2016

No mesmo dia 30 de novembro em que se anunciou a promoção de dois delegados que atuaram diretamente na Operação Lava Jato – Erika Mialik Marena e Luciano Martins Flores -, a Procuradoria da República do Paraná deu sinal de que não desistiu ainda de perseguir quem se rebelou contra as ilegalidades da operação.

Em manifestação protocolada no Inquérito 737/2015 – aberto em março de 2015 para investigar os chamados “dissidentes da PF” – os procuradores da República, Antônio Carlos Welter e Januário Paludo, solicitaram ao juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba, nova prorrogação de prazo.

Trata-se de um inquérito que o próprio juiz alertou, em dezembro de 2016, para a sua paralisação desde 14 de setembro daquele ano. Por isso, o pedido do MPF é visto como forma de procrastinar uma investigação que não conseguiu provar nenhuma das teses levantadas quando da sua instauração.

Na época, acusavam o delegado federal Paulo Renato Herrera, o agente de Polícia Federal Alysson Pinto Costa, o ex-agente Rodrigo Gnazzo e dois advogados, Augusto de Arruda Botelho Neto e Marden Esper Maues, de elaborarem um dossiê com informações sobre a Operação Lava Jato para vendê-las às defesas dos acusados.

Nada disso ficou provado. Ainda assim, em 15 de abril de 2016,  o delegado Herrera foi indiciado por “corrupção imaterial”. A explicação era que ele tentou, com o vazamento de informações, derrubar a direção da Superintendência. O ex-agente e os advogados também foram indiciador por contribuírem para o crime. Já Pinto Costa por acessar informações confidenciais.

Diante da paralisia da investigação, o juiz Josegrei, em decisão de fevereiro de 2017.  revogou todos os indiciamentos.

Marcos Josegrei da Silva vem mostrando que o IPL 737 encontra-se paralisado.

Com o novo pedido de prazo, a leitura feita em Curitiba por quem acompanha os passos de Polícia Federal, é que o Ministério Público Federal, não conseguindo denunciar os envolvidos; Apenas ganha tempo. Cabe lembrar o que disse o juiz ao revogar os indiciamentos, em fevereiro passado:

O que se vê, no caso, é que – diferentemente de outras apurações policiais que tramitam durante tempo razoavelmente longo em que também há indiciado – não há registro de qualquer diligência investigatória em curso, ao menos, desde meados de setembro passado. Portanto, há 5 meses. O MPF, ouvido, informou genericamente que promoverá diretamente a realização de novas pesquisas em um prazo de 60 dias para, afinal, decidir sobre os rumos do IPL.

Enquanto isso, o requerente – ex-Policial Federal – se vê detentor da pecha de indiciado em inquérito policial pelo cometimento de grave crime contra a Administração Pública, com prejuízo das suas pretensões profissionais“.

A coincidência dos dois fatos chamou a atenção de quem circula pela Polícia Federal de Curitiba e conhece bem os bastidores da mesma.

As promoções dos dois delegados da Lava Jato – anunciadas pelo Blog de Matheus Leitão, no G1, confirmadas na chamada “rádio-corredor”, mas ainda não oficializadas – são um sinal do novo diretor-geral do Departamento de Polícia Federal, Fernando Segóvia, de que não pretende mexer com a Lava Jato. Erika será superintendente no Sergipe. Luciano, em Mato Grosso do Sul. Pelo que se comenta, assumirão em janeiro.

Na verdade, um sinal de pouco significado. A Lava Jato, hoje, no Paraná, depende menos da Polícia Federal do que dos procuradores da República. Estes ainda tentam manter as operações, para não saírem de cena.

Na Polícia Federal, desde julho passado, ainda com o então diretor-geral do DPF, Leandro Daiello, foi desativada a Força Tarefa criada na Superintendência Regional do Paraná, em 2014, para atuar exclusivamente nessas investigações.

Delegada Erika, nova transferência com um ano de diferença. (Foto: reprodução da TV)

A nomeação da delegada Érika surpreendeu não só por conta do seu recente envolvimento na “Operação Ouvidos Moucos” que levou ao suicídio do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier de Olivo – Suicídio do reitor: “Agora, é claro, não aparecerá responsável”. Em consequência, o irmão do ex-reitor, Acioli Antônio de Olivo, representou junto ao ministério da Justiça solicitando a investigação da mesma, como noticiamos em – Erika Marena: de estilingue a vidraça.

Verdade que a prisão do ex-reitor e o afastamento dele da Universidade – causa maior do seu suicídio – embora pedidos pela delegada, de forma considerada por muitos açodada – a propósito, vale ouvir a entrevista do desembargador do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, Lédio Rosa de Andrade ao Conversa Afiada, em Suicídio foi um protesto político – não foi uma decisão unilateral, como costumam lembrar seus colegas.

O pedido passou pela aprovação do Ministério Público Federal e pelo acatamento da juíza da 1ª Vara Criminal Federal de Florianópolis, Janaina Cassol Machado.

A delegada, porém, ficou marcada pelo episódio por ter comandado a operação – também considerada espalhafatosa por muitos, com 105 policiais de fora – e protagonizado a entrevista coletiva, transmitida por TVs e pelo Youtube. Tanto que, no pedido de investigação, o irmão do reitor expõe:

“Todo o espetáculo hollywoodiano conduzido pela representada em detrimento dos mais comezinhos princípios e garantias individuais constitucionalmente previstos foram fatores determinantes para o desfecho trágico da operação, que culminou na morte de Luiz Carlos Cancellier de Olivo”.

Sua promoção, vistas como prêmio, chama atenção internamente na Polícia Federal por causas de sua recente remoção. Erika, que estava em Curitiba há muitos anos, foi para Florianópolis no início de 2017. Passará por uma nova remoção praticamente um ano depois.

Luciano Flores era delegado lotado em Santa Cruz do Sul (RS) quando foi designado para a Lava Jato em Curitiba, por empréstimo. Isto significou que durante todo o tempo em que esteve lá, fez jus a diárias. Diárias, aliás, consideradas pequenas – R$ 200,00 – perto, por exemplo, das que são pagas aos procuradores da República (um trinta avos do salário). No segundo semestre de 2016, Flores foi removido para o Espírito Santo, onde está como Delegado Regional Executivo, o segundo na hierarquia da Superintendência.

Ao ser removido um policial federal recebe como ajuda de custo o valor do salário multiplicado pelo número de dependentes. Flores têm três. Seu salário, em setembro, foi de R$ 29.247 brutos (R$ 19.255 líquidos) mais uma verba indenizatória de R$ 1.203. Érika não tem dependente. Seu salário em setembro foi de R$ 28.552 brutos (R$ 19.216 líquidos), mais verba indenizatória de R$ 574.

Tanto na Lava Jato em Curitiba, como na sua passagem pela Delegacia de Santa Cruz do Sul, Flores gerou polêmica. Ele participou da condução coercitiva e do interrogatório do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 4 de março de 2016.

Doze dias depois, ele foi responsável pelo grampo da conversa telefônica entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula. Gravação ocorrida após o juiz Sérgio Moro ter suspendido a autorização da escuta no telefone do ex-presidente, como narramos em Explicações para grampo de Lula e Dilma são sofismas. Não foi Luciano quem divulgou a conversa, é verdade. Mas ele gravou, mesmo depois de o juiz ter revogado a autorização legal e ainda incluiu no relatório o seu conteúdo.

O delegado Luciano Flores manteve o grampo no celular de Lula após o juiz suspender autorização. (Foto: reprodução da TV)

Em Santa Cruz do Sul, como afirmamos na reportagem citada acima, ele foi acusado por procuradores da República de vazar uma Operação que vinha sendo comandada pelo próprio procurador geral, Rodrigo Janot.

Primeiro, demorou a encaminhar o caso para o Supremo, embora envolvesse deputados federais. Depois, às vésperas das eleições de 2014, encaminhou diretamente ao ministro Teori Zavascki pedidos de prisão temporária contra parlamentares. Os pedidos foram para Janot que os negou.

Em seguida a operação vazou e tudo se perdeu, como informou o procurador Celso Três ao jornal Sul 21, em matéria de 23 de outubro de 2014: Procurador que investiga suspeita de fraude no Pronaf afirma que vazamento “acabou com a operação”.

Ele também foi alvo de representação  do Sindicato dos Policiais Federais do Rio Grande do Sul (SINPEF-RS) em 2011, por fazer promoção pessoal, em uma entrevista a uma revista gaúcha com o título “Luciano Flores de Lima, o ‘cara’ da PF”. A denúncia acabou arquivada pela corregedoria segundo relata o Site 247 – “Delegado que coordenou ação contra Lula já foi denunciado por promoção pessoal”.

Mas o fato foi explorado em nota oficial da Federação Nacional dos Policiais Federais – Delegado fere o princípio da impessoalidade administrativa. Dela, se destaca:

Suas palavras são um verdadeiro estímulo ao tão rechaçado “carteiraço”, assim como ao uso do cargo público para fins de angariar benefícios pessoais, ferindo a ética e a moral coletivas tão defendidas por nós, policiais federais.

O parágrafo reproduzido a seguir bem revela sua intenção: “…eu me neguei a fazer o pagamento. Então ele avisou que chamaria a polícia caso não o fizesse. Disse a ele que poderia chamá-la, assim eu explicaria o meu erro. Tive então uma luz e chamei-o de volta me apresentando como policial federal brasileiro, e dizendo que estava ali a trabalho… Mostrei minha carteira funcional para o policial e ele confirmou que eu era da Polícia Federal brasileira. O condutor pediu mil desculpas pelo equívoco…Não precisei pagar nada pela viagem…”.

Onde está o zelo pelo tão importante sigilo de nossas investigações? Posturas como esta só vêm a denegrir a nossa atividade, colocando em xeque a tão valiosa confiança depositada pela sociedade na instituição policial federal e a qual tanto prezamos“.

Uma terceira nomeação, a do delegado Mauricio Leite Valeixo, que hoje ocupa a Diretoria de Combate ao Crime Organizado (DICOR), e será reconduzido ao cargo de superintendente regional do DPF no Paraná – já ocupado por ele anteriormente – demonstra claramente que Segóvia não remexerá no que aconteceu na Lava Jato, no âmbito da Superintendência.

Irregularidades ou mesmo crimes que tenham ocorrido serão esquecidos na corporação. Permanece, porém, a pressão e perseguição àqueles que as denunciaram. Como demonstra a manifestação dois procuradores da República no Inquérito 737/2015.

 

 

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4 Comentários

  1. Katarina disse:

    Como é que é? Desde setembro de 2016 um inquérito parado para o MP cozinhar pessoas inocentes? Depois reclamam da lei de abuso de autoridade essa casta de inimputaveis.
    E o juiz do caso? É o Sérgio Moro pra não ver que tem coisa errada com esse time de Curitiba? E a delegada Erika sendo promovida a Superintendente depois de ser responsável pela prisão de uma pessoa inocente em Santa Catarina e que se suicidou devido ao fato? ONDE ESSE POVO QUER CHEGAR? NA IMPLANTACAO DE CAMPOS DE CONCENTRACAO PRA “CORRUPTOS” NO BRASIL COM MEDIDAS ABSOLUTISTAS ANTICORRUPCAO?
    Lei de abuso de autoridade urgente neles!

  2. Sindicato disse:

    DR MARCOS JOSEGREI DA SILVA,

    Abra os olhos Excelencia! Os procuradores da republica desse caso nao fazem nada e vao tentar arquivar porque foram eles que provocaram o inquerito 737.
    Na informacao do delegado IGOR ROMARIO DE PAULA, que deu origem ao inquerito 737, ele fala que os procuradores da republica da lava jato eram sua fonte de informacao pra dizer que policiais federais da pf dissidentes estavam fazendo um dossie sobre a escuta que houve na cela do Youssef e tentavam mudar ilegalmente seu resultado coagindo o carcereiro Paulo Romildo a confessar que a escuta ocorreu de forma ilicita.
    Depois de instaurado o inquerito, o delegado Fanton que o presidiu levantou uma questao prejudicial homogenea, de que a escuta existiu a mando do provocador do inquerito 737, IGOR ROMARIO DE PAULA, questao esta que deveria paralisar o andamento do 737 ate a resolucao da questao prejudicial que foi resolvida com a sindicancia 04/2015 da COGER/PF e provou que houve sim uma escuta ilegal na cela de Youssef por mais de 10 dias de funcionamento e que um dos autores era IGOR ROMARIO DE PAULA.
    Entao, com o resultado da questao prejudicial que TANIA MARIA FOGACA nao juntou aos autos por precaricacao e condescendencia criminosa, ja que deveria ter paralisado o 737 ate seu resultado, pois se tratava de questao prejudicial homogenea, ficou provado que IGOR ROMARIO DE PAULA provocou inquerito policial contra inocentes fundamentado na escuta da cela do Youssef que ele era o mandante. E o pior, IGOR ROMARIO diz que lavrou a informacao falsa que deu origem ao inquerito 737 porque os procuradores da republica da lava jato eram sua fonte de dados.
    Diante disso, é facil concluir que os procuradores da republica estando juntos com IGOR ROMARIO num crime de denunciacao caluniosa materializado nominquerito 737, nunca tomarao uma posicao etica e legal a favor dos tais dissidentes.
    Dr JOSEGREI, manda esse inquerito pro CNMP. e pra Corregedoria do MPF, pois ja passou da hora!
    Criminosos estao sendo promovidos, caindo pra cima como dizem por ai, por conta de tais ilegalidades.

  3. Regina Maria de Souza disse:

    Justiça para D. Dilma! Justiça para Luiz Carlos Cancellier de Olivo!

  4. Não vem ao caso disse:

    Canalhice em cima de canalhices . Pq o MPF não denúncia logo em cima da palhaçada de corrupcao imaterial do protecionismo da Coger – delegada Tânia Fogaça – que me muito parece que será SR no RioGrande do Norte ! Não denunciam pq senão darão microfone pra quem sabe demais sobre tudo q ocorre em Curitiba- COM PROVAS MATERIAIS – guardadas a sete chaves . Só enrolação , fazem o Juízo de trouxa, os envolvidos de bode expiatório e a população de teleguiados . Chega !

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