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Gilberto Carvalho: “eleições sem Lula, vai ter guerra”

Lula discursa no Paço Municipal de Curitiba - Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Marcelo Auler

Lula discursa no Paço Municipal de Curitiba - Foto:  Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Lula discursa no Paço Municipal de Curitiba – Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Não vamos brincar com esta história de ter eleição no ano que vem sem o Lula. Não vai ser assim. Não pensem eles que vão tirar o Lula fora do jogo, artificialmente (…) Sem isto, vai ter guerra. Uma guerra que não será feita por nós. Será feita por estes tantos que demonstraram agora, na caravana, o amor e a esperança que eles têm no Lula e por esta gente que estava aqui hoje e os tantos milhões de brasileiros que nós vamos abraçar em outras caravanas futuras“.

A afirmação acima partiu de Gilberto Carvalho, assessor da presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, na sua passagem por Curitiba (PR), na quarta-feira (13/09), acompanhando caravanas de seguidores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, lhe dando “um conforto, dando um apoio ao Lula, dizendo que acreditam na verdade dele, na inocência dele e dando uma energia muito boa para ele encarar o Moro”.

Foi uma rápida entrevista a este Blog e a Tânia Mandarino, de O Charuto Blog. Carvalho insiste na mesma tecla de todos do PT e que Lula frisou durante seu depoimento ao juiz Sérgio Moro na tarde de quarta-feira, na 13ª Vara Federal de Curitiba: O Ministério Público da Força Tarefa da Lava Jato não tem provas para condená-lo.

Mas, como ele deixou claro ao juiz, sabe que será condenado, como ocorreu no primeiro julgamento em que a pena foi de nove anos e meio de prisão.No seu depoimento, Lula cutucou Moro com sua mensagem da falta de imparcialidade. O juiz considerou que o acusado não estava se defendendo, mas fazendo “campanha”, no que decidiu então cortar a gravação, como consta do final do diálogo dos dois:

Diante da multidão que o esperou no Paço Municipal de Curitiba, Lula voltou a cobrar de quem o acusa - o Ministério Público Federal da Força Tarefa -as provas dos seus crimes.(Foto: Marcelo Auler)

Diante da multidão que o esperou no Paço Municipal de Curitiba, Lula voltou a cobrar de quem o acusa – o Ministério Público Federal da Força Tarefa -as provas dos seus crimes.(Foto: Marcelo Auler)

Lula: Doutor, eu sei que o senhor deve estar cansado, deve ter outras audiências, mas eu não posso deixar de dizer que esse processo contra mim, fez com que vocês virassem reféns da imprensa brasileira, tá? E vou terminar fazendo uma pergunta para o senhor, doutor.

Moro: Hum… –

Lula: Eu vou chegar em casa amanhã, vou almoçar com oito netos e uma bisneta de seis meses. Eu posso olhar na cara dos meus filhos e dizer que eu vim a Curitiba prestar depoimento a um juiz imparcial?

Moro: Bem, primeiro não cabe ao senhor fazer esse tipo de pergunta para mim, mas de todo modo, sim.

Lula: Porque não foi o procedimento na outra ação, doutor.

Moro: Eu não vou discutir a outra ação com o senhor, senhor ex-presidente, se nós fôssemos discutir aqui, a minha convicção foi que o senhor é culpado. Não vou discutir aquele processo aqui, o senhor está discutindo lá no Tribunal e apresente suas razões no Tribunal, certo? Se o senhor for discutir aqui não seria bom para o senhor.

Lula: É, mas é porque nós temos que discutir aqui.

Moro: Eu vou interromper aqui a gravação, certo?

Lula: Eu vou continuar esperando que a justiça faça justiça nesse país.

Moro: Perfeito. Pode interromper a gravação…

Na entrevista de Carvalho, ele deixou claro que se não surgirem as provas contra Lula, não haverá como se impedir a sua candidatura. Foi quando disse que haverá guerra. Uma guerra que não são as lideranças petistas que comandará, mas o povo.

Principalmente aqueles que se juntaram para saldar o ex-presidente na caravana recente pelo Nordeste e os que se deslocara, pela segunda vez em poucos meses (a primeira audiência foi em 10 de maio) a Curitiba para se solidarizarem com o ex-presidente.

Ouça abaixo a entrevista e acompanhe o que Carvalho disse no texto em seguida:

Lula enquanto perseguido pela elite e por uma parte estranha do Judiciário, ele é apoiado, adorado, amado pelo povo.

Desde as 08h00 da manhã tinha gente se concentrando, de maneira disciplinada, na Justiça Federal. (…)  Estavam dando um conforto, dando um apoio ao Lula, dizendo que acreditam na verdade dele, na inocência dele e dando uma energia muito boa para ele encarar o Moro, na expectativa de que em algum momento se faça Justiça.

Essa gente esta afirmando também o seguinte. Não vamos brincar com esta história de ter eleição no ano que vem sem o Lula. Não vai ser assim. Não pensem eles que vão tirar o Lula fora do jogo, artificialmente.

Se eles apresentarem uma prova contra o Lula nós seremos os primeiros a dizer, “Lulinha, deu. Vamos embora”.

Mas enquanto isso não ocorrer, e não vai ocorrer porque o Lula não tem, eles vão ter que se subordinar à Justiça, ao devido processo legal e permitir que o Lula seja candidato.

O povo quem decide. Sem isto, vai ter guerra.

Uma guerra que não será feita por nós. Será feita por estes tantos que demonstraram agora, na caravana, o amor e a esperança que eles têm no Lula e por esta gente que estava aqui hoje e os tantos milhões de brasileiros que nós vamos abraçar em outras caravanas futuras.

Estou muito animado. Muito surpreso até com o número e a garra das pessoas aqui em Curitiba. Passei agora na manifestação dos coxinhas e não tem cinquenta pessoas lá.

De modo que está bem claro para onde o povo quer caminhar e o que o Lula significa para esta gente e para todos nós“.

 

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4 Comentários

  1. Paulo disse:

    E você acha isso certo? Dizer uma coisa dessa num Estado Democrático de Direito? Se Lula for condenado em segunda instância vai ter que ir pra cadeia e ser impedido de concorrer sim! Lugar de criminoso é na cadeia, não fazendo campanha política por aí! A casa de Lula e de sua quadrilha caiu! Aceite!

  2. […] 247 – Para Gilberto Carvalho,ex-ministro e assessor da presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), alerta que a tentativa de criminalizar e impedir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de disputar as eleições presidenciais de 2018 poderá resultar em uma guerra. Não vamos brincar com esta história de ter eleição no ano que vem sem o Lula. Não vai ser assim. Não pensem eles que vão tirar o Lula fora do jogo, artificialmente (…) Sem isto, vai ter guerra. Uma guerra que não será feita por nós. Será feita por estes tantos que demonstraram agora, na caravana, o amor e a esperança que eles têm no Lula e por esta gente que estava aqui hoje e os tantos milhões de brasileiros que nós vamos abraçar em outras caravanas futuras”, disse Carvalho em entrevista ao blog do jornalista Marcelo Auler. […]

  3. Giordano disse:

    “Não há tribunais, que bastem, para abrigar o Direito, quando o dever se ausenta da consciência dos magistrados” Ruy Barbosa

    Essa temporada de caça a Lula e ao PT simboliza uma escola de direito às avessas.
    Que advogados, promotores e juízes teremos no futuro?

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