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De pequenas mobilizações em dezembro de 1983, a Campanha das Diretas virou movimento de massa até abril de 1984. O "Sr. Fora Temer" tem com o que se preocupar. Foto: reprodução

Arnaldo César (*)

Fora Temer agora é nome e sobrenome do usurpador que habita o Palácio do Planalto (veja no vídeo abaixo). A vida deste Senhor, na quarta-feira, dia 7 de Setembro, não foi nada agradável. Por onde ele passou foi impiedosamente vaiado pelo povo. E, pelo visto será assim, enquanto ele insistir em ocupar um lugar que não lhe pertence.

Seus assessores estão em polvorosa com as manifestações que se repetiram em 25 diferentes estados. Seu braço direito, o ministro Elizeu Padilha, tentou minimizar os apupos ouvidos no Distrito Federal. “Foram 18 baderneiros num multidão de 18 mil”, defendeu-se o golpista.

À noite, no Maracanã, na abertura das Para-olimpíadas, a coisa ficou séria. Eram 50 mil pessoas gritando o nome e o sobrenome do chefe de Padilha. Ele não conseguiu proferir nem meia dúzia de palavras. O som ensurdecedor que vinha das arquibancadas abafou o pronunciamento do pretenso chefe da Nação.

Até mesmo, o técnico encarregado de legendar as imagens das transmissões do evento resolveu bulir com o empertigado que estava no camarote presidencial, acompanhado de sua bela mulher. Apresentou-o, em inglês, como “presidente em exercício do Brasil”

Ironias à parte, as vaias dos últimos dias tiraram os golpistas de sua zona de conforto. Nesta quinta-feira (08/09), em Brasília, o núcleo duro que gravita em torno do Sr. Fora Temer reuniu-se para decidir o que fazer. Ainda, nesta semana, a “mídia amiga” deverá despejar, país afora, informações mostrandoo que eles chamam de: “estado de calamidade herdado” pelo governo golpista.

Ou seja, vão empurrar, novamente, para os ombros de Dilma a responsabilidade pela balbúrdia que está tomando conta da Nação. Dissimulados, não aceitam os fatos e tampouco os resultados das pesquisas de opinião que apontam o espantoso percentual de 86% de cidadãos que desejam novas eleições.

O Sr. Fora Temer com a experiência de quem foi secretário de Segurança Pública de São Paulo, nos bastidores do Maracanã, enquanto transcorria a festa, segundo o colunista Ancelmo Gois, de O Globo, teve uma altercação com o seu ministro da Justiça, Alexandre de Moraes. Quem ouviu a conversa diz que ele cobrou mais rigor com os manifestantes.

De pequenas mobilizações em dezembro de 1983, a Campanha das Diretas virou movimento de massa até abril de 1984.  O "Sr. Fora Temer" tem com o que se preocupar. Foto: reprodução

De pequenas mobilizações em dezembro de 1983, a Campanha das Diretas virou movimento de massa até abril de 1984. O “Sr. Fora Temer” tem com o que se preocupar. Foto: reprodução

O que está acontecendo já pode ser enxergado como o começo do fim. Quem teve a oportunidade de cobrir o movimento das Diretas Já, na década de 80, sabe que ele surgiu com mobilizações modestas nas capitais para depois de se transformar em monumentais passeatas nos Rio e em São Paulo.

A preocupação, não só dos assessores do Sr. Fora Temer como também de seus aliados – inclua-se ai o PSDB/DEM –, não tem nada a ver com a estabilidade política e econômica do País. Estamos no limiar de uma eleição municipal. Toda essa insatisfação irá se manifestar nas urnas, especialmente, nas capitais.

Como todos sabem, nas eleições municipais se criam as bases para o pleito presidencial. Estaremos elegendo agora os cabos eleitorais que utilizarão as máquinas públicas locais que elegerão deputados federais, senadores, governadores e o presidente da República de 2018.

Qualquer dúvida com relação a isso é só perguntar ao Eduardo Cunha. O chefe do Sr. Fora Temer é um mestre em articular esquemas que permitem levar para as câmaras altas do poder o melhor lumpesinato da política brasileira. Tanto que até hoje, mesmo com todas as evidencias de corrupção e mandonismo, ele continua se equilibrando na corda bamba do poder. Seus acólitos se recusam a cassá-lo.

O grande dilema, atualmente, é saber até quando os golpistas irão resistir. E, até que ponto eles usarão da truculência das forças de segurança para se defenderem. A Polícia Militar do governo tucano de São Paulo já se encarregou de transformar as ruas do centro da capital paulista em praça de guerra.

Também não esperem do Sr. Fora Temer e de seu chefe Eduardo Cunha qualquer ato de humildade. Eles jamais reconhecerão que não estão agradando. Neste caso, vamos nos preparar para nos defrontarmos para o que o próprio Fernando Henrique Cardoso tem previsto nos seus escritos: convulsão social.

Para o Brasil do Senhor Fora Temer só existe um remédio: Diretas Já.

(*) Arnaldo César é jornalista

 

3 Comentários

  1. Andre Silva disse:

    Muitoo bom o artigo, acabei de deixar o site como favorito para sempre estar seguindo!!! Obrigado !!!

  2. Armando COELHO NETO disse:

    O mister Fora Temer, que cometeu os mesmos “erros de Dilma, esquece que sua maior votação atingiu 100 mil votos, nemero que nai elege um vereador em São Paulo. Os votos foram pra Dilma. Movidos pela mídia golpista e pelo uso político da FarSA JATO, pessoas foram às ruas, também, contra a corrupcao. E o Mr. Fora Temet, traz ainda o rotulo isolado de TRAIDOR. Atributo mal visto pelo povão. Aliás o mesmo sentimento do povo em relação a Eduardo Campos, em Recife. Nota-se mais quem está indo a rua o faz sem apelo da Globo, marmitas da Fiesp, descontos no Habbibs, sem catraca de metrô liberada e sem banheiro químico. Portanto, e FORATEMER mesmo.

  3. C.Poivre disse:

    Uma das mais ativas instituições “republicanas” no Golpe de Estado foi o Ministério Público através do cronômetro político da PGR regulado com exatidão com o dos golpistas. E fatos estarrecedores como o abordado abaixo pelo jornal gaúcho Zero Hora vem confirmando cada vez mais que é no MP onde se concentra o fascismo brasileiro:

    http://www.justificando.com/2016/09/08/se-tu-fosse-maior-de-18-eu-ia-pedir-a-tua-preventiva-agora-pra-te-estuprarem-la-afirma-promotor-/

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