Estelionato político

Em uma iniciativa popular, um abaixo assinado dirigido ao ministro Ricardo pede que o Supremo deixe claro à nação se houve ou não crime de responsabilidade da presidente Dilma. Será que os ministros sairão do silêncio a que se impuseram?
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Paulinho da jás defende uma "anistia" para Cunha, pelos sxerviços prestados.....no impeachment..... Força

Paulinho da jás defende uma "anistia" para Cunha, pelos sxerviços prestados.....no impeachment..... Força

Arnaldo César (*)                     

A chamada grande imprensa já começa a admitir que o impeachment da Dilma foi um estelionato político de Cunha, mas não dá o braço a torcer. Continua apoiando o golpe.

A chamada grande imprensa já começa a admitir que o impeachment da Dilma foi um estelionato político de Cunha, mas não dá o braço a torcer. Continua apoiando o golpe. Foto Agência Câmara

Dois dos mais aguerridos veículos empenhados na campanha pelo impeachment (Veja e Folha de S.Paulo) já destacaram em seus editoriais que o processo de destituição da presidente Dilma é fruto de um ato de vingança. Furioso com o fato do PT na ter votado com ele na Conselho de Ética da Câmara Federal, presidente da Casa, Eduardo Cunha, resolveu detonar o governo.

No esforço para salvar sua pele a qualquer custo, o ardiloso Cunha convocou o seu exército de 250 pigmeus (composto por parlamentares evangélicos, ruralistas, oposicionistas espertalhões e toda a sorte de proxenetas da coisa pública) e foi para a guerra.

Antes, porém, se encarregou de convencer o seu subordinado Michel Temer a assumir a cadeira, na hipótese, de Dilma ser catapultada. Também se encarregou de unir forças com todas as demais agremiações que fazem oposição ao governo, em especial, o PSDB e o DEM.

Dai a galvanizar o ódio das classes mais endinheiradas de todos os quadrantes do País foi um pulo. Afinal, a “República de Curitiba” com a sua “Operação Lava Jato” já havia, há dois anos,  instaurado um clima de desconfiança contra o governo e o seu partido, o PT.

Cunha não teve ainda maiores dificuldades em cativar a simpatia daqueles que ocupam cadeiras estratégicas na mais alta corte da Justiça. Não se esquecendo, neste caso, da trinca de ases formada pelo “jagunço” Gilmar Mendes, o “menino” Toffoli e o decano Celso Mello. Os três fizeram questão inclusive de vir a público para dizer que “o golpe não era golpe”.

Paulinho da jás defende uma "anistia" para Cunha, pelos sxerviços prestados.....no impeachment..... Força

Paulinho da Força já defende uma “anistia” para Cunha, pelos serviços prestados…..no impeachment….. Foto: Agência Câmara dos Deputados

Canoa furada – Eduardo Cunha, a figura acusada, em seis processos, pela Procuradoria Geral da República (PGR) de corrupção, recebimento de propina, traficância de influência, desvio de dinheiro público, remessas ilegais de divisa e sonegação de impostos para se proteger de tantas acusações passou a cometer o mais devastador estelionato político da história desta República.

O dantesco e vergonhoso espetáculo do domingo dia 17/04 nem bem havia acabado e o deputado Paulinho da Força (SD/SP) já corria atrás de jornalistas no Congresso para defender a tese de que “Cunha pelo enorme serviço que acabara de prestar à Nação merecia ser anistiado das denúncias da qual era vítima”.

Algo mais claro, impossível. Tanto que cabeças coroadas dentro do PSDB já perceberam a trama. Recusavam indicar nomes para ministros num eventual governo Cunha/Temer. Alegavam que, se mergulhassem nessa aventura, não teriam nenhuma chance na próxima eleição de 2018. Pressionados, acabaram cedendo e deverão ter em José Serra seu representante no ministério.

Motivo inócuo – Enquanto a encrenca ganha desdobramento no Senado Federal, Cunha não abandonou o posto de “marechal de campo”. Dentro do seu território providenciou, a custa de muitas intimidações e ameaças, para que seu processo não tenha curso no Conselho de Ética. Articulações também estão sendo feitas nos bastidores do STF para que o dito sobre os seis processos fique pelo não dito.

Há seis meses desde que esse jogo de ameaças, chantagens e golpes baixos teve início o País vive em estado de agonia. Dividido ideologicamente, seus cidadãos minimamente politizados passaram a se agredir com cusparada na cara, chutes, tapas e até pauladas. Por sorte, ainda não se tem registro em que as diferenças política foram resolvidas a bala. Mesmo leves essas agressões evidenciam que estamos no limiar de uma perigosíssima convulsão social.

Com apenas 30 anos de existência a democracia brasileira é uma criança. Talvez, estejamos experimentando aqueles momentos de privação da razão, típico do jovens. Vá lá que seja isso. Mas como explicar aos 8 milhões de pessoas – sejam elas mortadelas ou coxinhas – que foram à rua protestar contra ou a favor do atual governo que toda a mobilização deles só serviu para uma coisa: livrar a cara do Cunha de ser condenado como corrupto?

Privação da razão”, talvez, explique a barafunda em que nos empurraram. Mas, não nos livrará do caos. A sorte é que ainda há tempo para que a inteligência volte a prevalecer.

(*) Arnaldo César é jornalista

Apoio:

Advocacia Eny Moreira

8 Comentários

  1. José Mira disse:

    Arnaldo, voce escreve por mim. assino embaixo.

  2. C.Paoliello disse:

    A oposição do novo parlamento venezuelano, que faz oposição ao Presidente Maduro, foi quase toda comprada através da embaixada estadunidense. No caso da nossa Câmara dos Horrores, teria sido diferente?

    https://actualidad.rt.com/opinion/eva_golinger/196174-informe-secreto-eeuu-venezuela-allup-wikileaks

  3. C.Paoliello disse:

    Tudo gira em torno de uma única questão: os Senadores estão à venda como os deputados que se venderam alegre e despudoradamente?

  4. Celeste Luiz Chemin disse:

    Arnaldo só para dizer que estou vivo. Deixo meu email. Entre em contato. Abçs. Chemin

  5. C.Paoliello disse:

    Lava jato (PF e MP) fraudam operações para legalizar falsas provas:

    http://www.conversaafiada.com.br/brasil/essa-lava-jato-nao-vale-um-traque

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