Enfim, confirmou-se: Nísia Lima na Fiocruz

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Ricardo Barros confirma Nísia Lima na Fiocruz
3 de janeiro de 2017
Alguns dos servidores da Fiocruz, que terça-feira abraçaram o Palácio de Manguinhos, entenderam o "acordo" feito como uma capitulação. Foto: Mario Cesar/Fiocruz
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5 de janeiro de 2017
Reunidos em frente ao Palácio Oswaldo Cruz, em Manguinhos, os servidores exigiram o respeito a voto.

Reunidos em frente ao Palácio Oswaldo Cruz, em Manguinhos, os servidores exigiram o respeito a voto.

Marcelo Auler

Reunidos em frente ao Palácio Oswaldo Cruz, em Manguinhos, os servidores exigiram o respeito a voto.

Reunidos em frente ao Palácio Oswaldo Cruz, em Manguinhos, os servidores exigiram o respeito a voto. Foto: Mario Cesar/Fiocruz

Enfim, a notícia que o blog havia adiantado aconteceu – Ricardo Barros confirma Nísia Lima na Fiocruz. Após algumas tentativas frustradas em Brasília, o governo recuou e oficializou a nomeação, a ser publicada no Diário Oficial desta quarta-feira, da socióloga Nísia Verônica Trindade Lima na presidência da Fundação Oswaldo Cruz pelos próximos quatro anos. Prevaleceu o respeito ao voto da maioria dos servidores da instituição tal como eles reivindicaram em reunião hoje de manhã, defronte ao Palácio de Manguinhos.

A decisão estava tomada desde a segunda-feira à noite, segundo admitiu ao blog o presidente da Fiocruz Paulo Gadelha. Mas, entre a divulgação aqui no Blog, ao meio dia desta terça-feira (03/01) e a confirmação oficial por volta das 17hs, o ministro Ricardo Barros, o engenheiro civil que responde pela Saúde no governo que assumiu após o impeachment de Dilma Rousseff, e o deputado Hugo Leal (PSB-RJ), coordenador da bancada governista do Rio de Janeiro, tentaram uma nova composição.

A socióloga Nísia presidirá a Fiocruz pelos próximos quatro anos. Reprodução do Youtube

A socióloga Nísia presidirá a Fiocruz pelos próximos quatro anos. Reprodução do Youtube

 Queriam encaixar a segunda mais votada, Tania Cremonini Araújo-Jorge, na futura gestão da instituição. Tentavam reduzir o prejuízo que causaram com mais este desgaste político para um governo que em pouco mais de sete meses acumula problemas em proporção inversa à sua popularidade, que só cai. Essas negociações, também anunciadas aqui no blog em uma Nota de Esclarecimento editada na reportagem inicial às 14H00, não chegaram ao ponto em que eles desejavam. Prevaleceu a posição adiantada por um dos diretores da Fiocruz de que Tania não participaria da nova gestão – “ela nem entrará no Palácio (de Manguinhos)”. O máximo que conseguiram foi o compromisso de Nísia em aproveitar alguma indicação que Tania venha fazer, mas a escolha final ficará a cargo da nova presidente.

Ao final da tarde, em uma tentativa de reduzir o prejuízo do governo como um todo, Nísia, Tania e o ministro foram ao gabinete de Michel Temer, a pedido dele,  onde fizeram uma foto juntos, na expectativa de se criar um clima de conciliação, um clima amigável, para reduzir as tensões. O encontro também foi defendido pelo ministro que, nas explicações de um dos participantes do acordo, “estava em uma linha de insistir  em uma nomeação totalmente sem fundamento e viu nessa foto um caminho para tentar recuperar a relação com a Fiocruz. Ele solicitou que houvesse essa demonstração do ponto de vista simbólica de um processo mais de normalidade”. Nísia e a diretoria da Fiocruz consideraram isto é importante e relevante para o futuro da instituição. Mas apenas ela e Tania foram ao Palácio do Planalto.

“Foi um resultado extremamente significativo para que possamos ter tranquilidade institucional e continuidade dos trabalhos da Fiocruz. Trouxe ao leito da normalidade aquilo que seria o processo mais natural, que poderia até ter ocorrido mais imediatamente., Ou seja, a decisão de que a Nísia é a presidente da Fiocruz”, explicou Gadelha, ainda em Brasília.

Paulo Gadelha: "Este processo, infelizmente foi alongado, tornou-se um processo conflitivo, turbulento".

Paulo Gadelha: “Este processo, infelizmente foi alongado, tornou-se um processo conflitivo, turbulento”.

“Este processo, infelizmente foi alongado, tornou-se um processo conflitivo, turbulento. Não precisaria ter sido desta forma. Todas as razões indicavam que a Nísia, pela expressão eleitoral dela, pela qualidade profissional dela, pelo apoio que ela tem de todo o sistema de governança e pela tradição de nomeação na Fiocruz, merecia essa nomeação. É aquela coisa,tudo está bem quando acaba bem, e o presidente Temer teve sensibilidade de rever esse processo e ter um olhar mais cuidadoso e deliberar pela nomeação da Nísia“, acrescentou.

Para despertar a “sensibilidade” de Temer, a Fiocruz contou com alguns nomes importantes. O papel mais destacado coube ao presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro – Firjan, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, membro do Conselho Consultivo da instituição.

“Ele conhece bem a instituição e teve um papel muito destacado porque percebeu que seria um desastre para a instituição caso se permanecesse naquela linha. Como ele tem um vínculo forte com o presidente Temer, procurou também poupa-lo desta situação extremamente delicada. Porque ela se refletiria não só sobre a Fiocruz, o que já é grande, mas sobre todo o campo da ciência e tecnologia, educação e tudo aquilo que estava sendo envolvido caso a decisão de afronta e desmonte da Fiocruz ocorresse”, confirmou Gadelha.

Ele também destacou o papel dos deputados Paulo Teixeira (PT-SP), Chico D’Ângelo (PT-RJ),  Odorico Monteiro (PROS-CE), Celso Pansera (PMDB-RJ),  Afonso Florence (PT-BA) e do senador Cristóvam Buarque (PPS-DF) que pressionaram o ministro da Saúde e na tarde desta terça-feira estiveram com ela:

Hugo Leal (PSB-RJ) e Ricardo Barros (PP-PR) acabaram sozinhos na defesa da nomeação de Tania Cremonini. Fotos reprodução

Hugo Leal (PSB-RJ) e Ricardo Barros (PP-PR) acabaram sozinhos na defesa da nomeação de Tania Cremonini. Fotos reprodução

A conversa dos deputados foi muito relevante por ter demonstrado que a preocupação com a Fiocruz não é uma questão partidária, é uma questão da sociedade civil inteira. Ali eles não estavam expressando posições de partidos, mas de pessoas que conhecem a instituição, que se preocupam  com que ela possa manter seu papel nacional e com as respostas que ela tem dado. Nesse sentido , chegar ao ministro que uma percepção ampla desta magnitude era acolhida no Congresso Nacional foi importante“.

Nos bastidores ainda agiram o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, e seu sogro, o ministro Moreira Franco (PMDB-RJ): “Todos eles conhecem a instituição e sabem o que significa este processo de turbulência. Sabiam que isso não tinha o menor sentido. Felizmente convenceram o ministro e ajudaram na decisão do presidente Temer para chegarmos a um bom final“, concluiu Gadelha.

Ou seja, Hugo Leal e o ministro Ricardo Barros acabaram ficando sozinhos na defesa da nomeação de Tânia.

5 Comentários

  1. Belmiro Machado Filho disse:

    Vê-se que o entorno do TRAIRA é composto por débeis mentais, corruptos, bandidos e por um bando de puxa-sacos que vive botando panos quentes nas suas inúmeras cagadas. Nós, brasileiros não merecemos tamanha indigência intelectual.

  2. Luiz Carlos P. Oliveira disse:

    Que importa se o Cristovam está no PDT ou no PPS? Ele traiu a nação, é um NADA.

  3. João de Paiva disse:

    Caro Jornalista Marcelo Auler,

    Parece ter havido um engano, que vi repetido em três reportagens sobre o caso. O traidor-golpista, senador cristhovam buarque, não está mais nas fileiras do PDT, partido pelo qual se elegeu; ele hoje pertence ao satélite/sucursal do PSDB, o PPS.

    Embora a questão da nomeação da presidente da FIOCRUZ pelos próximos 4 anos pareça ter sido resolvida satisfatoriamente, com a condução da mais votada ao cargo, é preciso ficar vigilante. O caso do MinC é emblemático; o traidor-golpista-usurpador-corrupto profissional, michel temer, extinguiu o ministério; artistas pressionaram, fizeram protestos e ocupações de prédios do ministério em várias cidades. O golpista voltou atrás, recriou o ministério, mas nele colocou um jovem diplomata e político ambicioso do PSDB, Marcelo Caléro. Esvaziado e sem verba, o MinC perdeu o pouco prestígio que tinha; para sair ‘por cima’, Marcelo Caléro grampeou conversas que teve com o então secretário de governo, geddel vieira lima, e com o usurpador michel temer, em que esses dois pressionavam o então ministro da cultura, de modo a aprovar a construção de um espigão em área tombada pelo IPHAN, que já havia negado autorização para o empreendimento em que geddel adquirira um a unidade, avaliada em R$2,4 milhões, entregando as gravações à polícia federal. O resultado disso foi o pedido de demissão de Caléro, mais lama no governo golpista e depois a demissão de geddel vieira lima.

    O mau-caratismo de michel temer e de ricardo barros, o engenheiro civil e deputado federal financiado pelos planos privados de saúde (que pùblicamente fez declarações contra o SUS e a Saúde Pública) que hoje ocupa o ministério da saúde, não nos permite arrefecer ou deixar de focar a atenção no que vai ocorrer na FIOCRUZ. Ardilosos que são, michel temer e ricardo barros não vão se dar por vencidos e aceitar que Nísia Lima faça uma gestão independente, na presidência da FIOCRUZ. A reunião e o convite de Nísia Lima e Tânia Araújo para a foto, feita pelos ocupantes da presidência da república e do mistério da saúde não deve ser vista apenas para demonstrar ‘normalidade’. Há caroço nesse angu.

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